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Aguinaldo foi uma das 75 pessoas que contraíram leptospirose em Minas Gerais no ano passado. Dessas, 52 foram contaminadas entre janeiro e março, sendo que seis morreram. Somente em dezembro de 2008 foram 21 vítimas. “Com o aumento das chuvas e com os alagamentos, os roedores de áreas urbanas ficam desabrigados e, na busca de abrigos, contaminam as águas. Além disso, o lixo atrai esses animais e entopem os bueiros. É um ciclo”, afirma Mariana.
Considerada a doença mais preocupante neste período do ano, a leptospirose, de acordo com a médica e infectologista Tania Marcial, atinge, principalmente, homens adultos. “Cerca de 10% dos casos evoluem para a forma mais grave, chegando até mesmo a causar morte”, avisa, acrescentando que o tratamento inicial é à base de penicilina. “Na evolução do caso é feita hemodiálise.” A contaminação ocorre quando há contágio da pessoa com enchentes. “A bactéria penetra no corpo por feridas ou pelo contato prolongado da pessoa com a água. Se ela ficar um tempo na água, os poros se abrem e facilitam a contaminação”, esclarece Mariana, explicando que os sintomas se assemelham aos de uma gripe forte. “Há náusea, dor na batata da perna e até tom de pele amarelado.” A bactéria se aloja, principalmente, nos rins e pode ser eliminada pela urina do infectado.
Ela alerta que, depois que as enchentes passam, ao limpar a lama que ficou na casa é preciso cuidado: “O resíduo tem um potencial alto de contaminação. Por isso, é indispensável a proteção dos pés e das mãos, seja por botas e luvas ou sacos plásticos”. De acordo com ela, os alimentos que tiverem contanto com a água devem ser desprezados.
Se a chuva não der trégua, a leptospirose faz a festa. O contrário ocorre com a dengue. Nas curtas estiagens o mosquito mais conhecido no Brasil já se reproduz. Até outubro do ano passado, Minas registrou 75,5 mil casos da doença, sendo que, desses, 38 mil foram nos primeiros três meses do ano. A recomendação não muda: não deixar a água parada, seja num vaso de planta, em pneus ou em caixas-d’águas.
Contaminação
De acordo com ela, em 99% dos casos os sinais da doença não evoluem e apenas 0,1% apresenta a forma grave. “Tanto é que na rede pública não há vacina. Cerca de 80% da população já tiveram contato com a hepatite A, mas nem sabem disso. O cuidado deve ser maior com as crianças.”
















