terça-feira, 31 de maio de 2011

Santa Rita é notícia - Sai selo de Indicação de Procedência para o café da Serra da Mantiqueira

Sai selo de Indicação de Procedência para o café da Serra da Mantiqueira

Maio de 2011 será uma data histórica para a Região da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais conhecida como centro de produção de café de montanha. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) publicou, no último dia 10, a concessão ao pedido de Indicação de Procedência para a Região da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais para o produto café depois de uma análise técnica rigorosa, baseada na Resolução INPI 75/2000. Esta será a segunda região do Estado e a primeira microrregião do Sul de Minas a obter o Selo de Indicação Geográfica, na modalidade de Indicação de Procedência para o café.
As Indicações Geográficas (IG) representam uma nova filosofia de produção, voltada para a qualidade, a especialidade e a tipicidade, oriundas da origem da produção. A Lei Lei Nº 9.279, de 14 de maio de 1996, possibilita aos setores produtivos brasileiros habilitarem-se a colocar no mercado produtos com Indicação de Procedência (IP), ou com Denominação de Origem (DO), que constituem as duas modalidades de Indicação Geográfica previstas na legislação brasileira.
A boa notícia é fruto do trabalho organizado e coletivo em prol de um objetivo comum dos produtores rurais para o reconhecimento de seu território e a delimitação da região, que contou com o apoio científico de instituições de pesquisa e incentivo governamental.
"O Selo de Indicação de Procedência trará várias vantagens, tais como proteção e reconhecimento do território, agregação de valor ao produto e desenvolvimento sustentável, entre outros, visando sempre um ganho para todos os envolvidos. Além disso, a aprovação do pedido representa o reconhecimento da região como produtora de café arábica de alta qualidade. E mostra que o Brasil e o setor cafeeiro estão despertando cada vez mais para a importância de demarcar suas origens e agregar valor ao trabalho de milhões de pessoas que vivem no campo", diz Hélcio Carneiro Pinto, diretor presidente daAssociação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam), instituição responsável pelo depósito do pedido de IG junto ao Inpi.
Na lista de produtos brasileiros com potencial para o registro de IG, o café tem merecido destaque por sua história e potencial de valor agregado. A Indicação de Procedência guarda relação com o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território conhecido como centro de extração, produção, fabricação de um determinado produto agropecuário ou extrativista, tendo como fundamento a notoriedade.
"A microrregião representada pela Aprocam, situada na Serra da Mantiqueira, possui condições especiais de clima e ambientes propícios à produção de cafés especiais. A Serra abriga uma das regiões de maior altitude do Brasil, demonstrando a predominância da topografia montanhosa, com clima chuvoso no verão e frio e seco durante o período de maturação dos frutos e também durante a colheita, tendo como resultado final uma bebida exemplar", detalha Lília Maria Dias Junqueira, gerente administrativa da Associação.
Os municípios representados por seus prefeitos municipais, que integram a microrregião são: Baependi, Brasópolis, Cachoeira de Minas, Cambuquira, Campanha, Carmo de Minas, Caxambu, Conceição das Pedras, Conceição do Rio Verde, Cristina, Dom Viçoso, Heliodora, Jesuânia, Lambari, Natércia, Olímpio Noronha, Paraisópolis, Pedralva, Pouso Alto, Santa Rita do Sapucaí, São Lourenço e Soledade de Minas. A região possui em torno de 8 mil produtores, sendo 82% agricultores familiares e estima-se que são gerados 150 mil empregos diretos e indiretos. As safras giram em torno de 1.000.000 de sacas de café beneficiado, produzidos em 50 mil hectares de lavouras.
Para essa conquista, a microrregião contou com apoio do Sebrae, Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Banco do Brasil (BB), Cocarive, Cooper Rita, Sindicatos dos Produtores Rurais de Carmo de Minas e de Santa Rita do Sapucaí, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e Prefeitura Municipal de Carmo de Minas.

COMO TUDO COMEÇOU

Em 2000, a Aprocam, através da consultoria de Ensei Uejo Neto, iniciou os trabalhos para conquista de um diferencial para a produção dos cafés especiais produzidos em suas montanhas. Foi constituída uma Comissão Técnica com representantes dos associados daAprocam, pesquisadores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Fundação Procafé, com o objetivo de elaborar o projeto de Indicação de Procedência para os cafés da Serra da Mantiqueira – Face Minas Gerais. O trabalho foi realizado em três etapas: Estudo Agronômico, Análise Sensorial dos cafés e Histórico da produção na microrregião, comprovando a notoriedade da cultura.
Tão logo o IMA, publicou a delimitação territorial da microrregião, o processo foi depositado junto ao Inpi. A análise do processo exigiu paciência, pois todos os requisitos da microrregião são meticulosamente analisados, por se tratar de um Selo que garante ao consumidor que o produto em questão possui atributos diferenciados e tem origem.

O PAPEL DA PESQUISA

Para a pesquisadora da Embrapa Café Helena Maria Ramos Alves, a aprovação da Indicação de Procedência para os cafés da Serra da Mantiqueira revela uma mudança cultural. "O setor produtivo começa a perceber que a diferenciação do café, aliado à história de seu povo, ao modo de cultivo e ao associativismo, bem como nas relações com o ambiente em que é produzido podem agregar valor aos cafés brasileiros, diferenciados por origens e sabores e com qualidade digna de freqüentar o mercado internacional". Segundo ela, o benefício que se busca com a IG não é apenas financeiro, mas carregado de aspectos sociais, como a organização da atividade, fixação do homem no campo, adoção de práticas sustentáveis, ampliação da qualidade do café produzido e, conseqüentemente, conquista de novos mercados.
Para colaborar com a identificação dos cafés de terroir produzidos na microrregião, estão sendo desenvolvidos novos projetos de pesquisa. O primeiro projeto de pesquisa focado nesta área, ainda em andamento, é coordenado pelo professor Flávio Meira Borém, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Intitulado Protocolo de identidade, qualidade e rastreabilidade para embasamento da Indicação Geográfica dos Cafés da Mantiqueira, e foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), por meio de um edital do MCT/CNPq/MAPA/SDA de 2008.
Um segundo projeto, aprovado no âmbito do Consórcio Pesquisa Café em 2009, está realizando a caracterização ambiental detalhada de toda a área demarcada utilizando geotecnologias. O projeto intitulado Distribuição espacial e padrões ambientais dos cafés especiais da microrregião da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais por meio de processamentos geocomputacionais, é coordenado pela pesquisadora da Embrapa Café Helena Maria Ramos Alves.
Ambos os projetos investigam as relações do café com o ambiente. Para esta caracterização, a pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Margarete Marin Lordelo Volpato, recolhe os dados de seis estações meteorológicas automáticas instaladas no território demarcado na Serra da Mantiqueira, em diferentes condições de produção de café. De acordo com a pesquisadora, este detalhamento possibilitará uma análise comparativa entre a qualidade do café e as condições geográficas e de clima onde é produzido.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Café, Helena Alves, a interface entre as diferentes áreas do conhecimento envolvidas no desenvolvimento destes projetos proporciona uma base técnico-científica bastante ampla e consistente, oferecendo condições de confiabilidade e segurança para aplicação em outras regiões produtoras de café que possuam características semelhantes a essa. Além disso, os projetos contam com parcerias estratégicas.
"Os projetos contam com uma equipe multiinstitucional e multidisciplinar de pesquisadores de instituições como a UFLA, Instituto Agronômico (IAC), Epamig, Embrapa Café, Embrapa Meio Ambiente e Universidade de Brasília (UnB), além, é claro, da importante colaboração dos cafeicultores da região e suas entidades representativas, como a Aprocam e cooperativas como a Cocarive e a Cooper Rita. O papel dos pesquisadores da Embrapa Café é trabalhar em parceria com todo este grupo, tornando-se um canal de comunicação e integração", detalha Helena.
Para a pesquisadora, que participa das iniciativas na Serra da Mantiqueira e em outras microrregiões do Sul de Minas, o registro de IG é uma alternativa para a diferenciação do café, que confirma a sua notoriedade e possibilita um nível de organização e informação sobre o mercado, imprescindíveis para a manutenção da atividade. "Os dois projetos têm o objetivo de caracterizar detalhadamente os ambientes cafeeiros da microrregião da Serra da Mantiqueira mineira, desenvolvendo sistemas computacionais para modelar e mapear o relevo, os solos, o clima, o uso da terra, com a identificação das áreas ocupadas pelas lavouras cafeeiras e a qualidade do café", explica.

RUMO À DENOMINAÇÃO DE ORIGEM

As pesquisas em desenvolvimento visam a obtenção de uma segunda conquista para o café da Serra da Mantiqueira, ou seja, fornecerão as bases científicas para a solicitação de uma nova Indicação Geográfica, neste caso uma Denominação de Origem (DO). A DO requer a comprovação de que a singularidade do produto está relacionada a condições ambientais específicas. A partir dos resultados obtidos pelos projetos, será possível conhecer a dinâmica espacial e temporal da cafeicultura regional, estabelecer as relações entre o ambiente e a qualidade dos cafés de alto desempenho sensorial obtidos na região e fornecer a fundamentação científica requerida para a obtenção da DO.
"O objetivo é dar o suporte tecnológico necessário solidamente fundamentado no que diz respeito a características sensoriais da bebida e suas relações com o ambiente e o georreferenciamento das lavouras para o processo de Denominação de Origem, agregando valor aos cafés especiais produzidos na microrregião, que já possuem tradição, notoriedade e historicamente destacam-se pela alta qualidade comprovada pelos melhores concursos de qualidade de café do Brasil", explica o professor Flávio Meira Borém.

RECONHECIMENTO TRAZ PERSPECTIVAS PROMISSORAS

Cada vez mais diferentes sabores e variedades de grãos gourmet são encontrados nas prateleiras dos supermercados e cafeterias brasileiras. Grãos que valorizam a origem e carregam um saber-fazer artesanal, são os atuais destaques do mercado nacional. A atual realidade dos mercados nacional e internacional de café aponta, justamente, para a crescente demanda por cafés especiais - de sabor e aroma excepcionais e com características marcantes na doçura, acidez e corpo - e qualidades ou características intimamente relacionadas ao meio geográfico.
Nesse sentido, buscar novos nichos de consumo como alternativa ao café commodity e valorizar a produção, suas diferentes origens e produtores que buscam qualidade é colocar o café mineiro em um lugar de destaque no mercado mundial, criando novas oportunidades de negócio e de agregação de valor.
A pesquisadora Helena Alves reforça o papel da pesquisa, que permite conhecer, caracterizar e mapear os cafés especiais produzidos no Estado e seus territórios potenciais diversificados, conhecendo e explicando o que afeta a qualidade dos cafés especiais e mapeando a diversidade encontrada.
"O uso da geotecnologia facilita e aperfeiçoa a caracterização dos agroecossistemas cafeeiros, fornecendo uma base eficiente para a análise integrada das informações. Por meio da análise espacial é possível identificar os fatores que influenciam a qualidade dos cafés do estado de Minas Gerais. O conhecimento das relações entre os ambientes cafeeiros e qualidade sensorial dos cafés produzidos no Estado constitui informação imprescindível para a obtenção de outras Indicações Geográficas. Além disso, baseado em informação cientificamente fundamentada, o setor cafeeiro e seus representantes, juntamente com órgãos do governo e da iniciativa privada, poderão propor as ações de desenvolvimento e inovação necessárias à competitividade e sustentabilidade da nossa cafeicultura".

MAIS INDICAÇÕES A CAMINHO

O Cerrado Mineiro foi a primeira região produtora de café com Indicação Geográfica. A segunda é a Serra da Mantiqueira, também de Minas Gerais. Mas essa contagem não vai parar por aí. Quatro outras regiões (Alto Paraíso e Terras Altas, no Sul de Minas; Norte Pioneiro do Paraná e Alta Mogiana em São Paulo) já figuram na lista de pedidos para concessão de IG. Tanto na modalidade de Indicação de Procedência, quanto na de Denominação de Origem, associações se organizam para o registro e elaboram planos de divulgação da imagem de seu território dentre as origens produtoras de cafés diferenciados.
É primordial mudar o conceito de Café Tipo Santos, para valorizar os cafés especiais do nosso País. Para tanto é preciso o esforço conjunto do governo, das instituições de pesquisa e extensão e todo o setor cafeeiro, para identificar, descrever, quantificar e qualificar os territórios brasileiros com potenciais diversificados para produção de cafés diferenciados, que faça justiça aos maravilhosos e peculiares cafés de qualidade produzidos no Brasil. É neste sentido que a Propriedade Intelectual, principalmente as Indicações Geográficas podem contribuir.

IPs DO BRASIL

Pinto Bandeira/RS - vinho tinto, branco e espumante); Região do Cerrado Mineiro - café; Vale dos Vinhedos/RS - vinho tinto, branco e espumante; Pampa Gaúcho da Campanha Meridional/RS -carne bovina e derivados; Paraty/RJ - cachaça e aguardente composta azulada; Vale do Submédio São Francisco - BA/PE -manga e uvas de mesa; e Vale do Sinos – RS - couro acabado. Em 2010, foi concedida a primeira DO para brasileiros: Litoral Norte Gaúcho, região produtora de arroz.

(Fonte: Flávia Bessa - Embrapa Café)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Santa Rita em vídeo - Brasil das Gerais Parte 3

Programa Brasil das Gerais Parte 3, exibido em 23/05/2011

Santa Rita em vídeo - Brasil das Gerais Parte 2

Programa Brasil das Gerais - Parte 2, exibido em23/05/2011.

Santa Rita em vídeo - Brasil das Gerais Parte 1

Programa Brasil das Gerais Parte 1, exibido em 23/05/2011.

Em poucas palavras - Buda

Cada qual pagará a si mesmo pela má ação que cometeu. Praticando uma boa ação, cada qual se purificará a si mesmo. Não se pode purificar uns aos outros. (Buda)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Lya Luft

Canção para um desencontro


Pela Editora Mandarim, em 1997, o poema era assim:

Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder, agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende,
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões,
e dessa escadaria de tua alma.

Deixa-me errar, mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.
(Lya Luft)

Lya reescreveu esse poema para a nova publicação do livro Secreta Mirada pela Editora Record, em 2005, e ficou assim:

Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder,
e frágil.
Deixa-me errar e me compreende,
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, cada dia
perdida feito criança nos teus territórios,
e nessa escadaria de tua alma.

Deixa-me errar e não me soltes,
para que eu não me enrede
nos sustos desse amor,
onde ainda espreitam o segredo,
a esperança,
e um gosto inesperado de magia.
(Lya Luft)

Blog: Fico com o mais antigo? Ou prefiro o novo? Não sei...

Minas são muitas - Lagoa Dourada

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Lagoa Dourada

Igreja Matriz de Santo Antônio

Região: Campo das Vertentes
Padroeiro: Santo Antônio
Festa do Padroeiro: 13 de Junho

Localização

História

O povoamento local começou por volta de 1625, quando a bandeira comandada por Oliveira Leitão descobriu ouro nas águas de uma pequena lagoa. Os bandeirantes que aqui chegaram deram logo o nome ao local de Alagoas. Ao encontrarem ouro de aluvião na lagoa, os primeiros mineradores a chamaram de "ALAGOA DOURADA" por haver nesta localidade uma lagoa que tinha grande quantidade de ouro e o ouro refletia na superfície da água, em formato de uma nata. Então, nasceu o povoado e as casas foram subindo a colina.
Por volta de 1717, a região já estava bem povoada e o arraial foi se formando com a chegada de novos “oureiros”. Em 1734, Dom Frei Antônio de Guadalupe ergue, então, uma capela dedicada a Santo Antônio. Em 1750, o arraial é elevado a “Distrito da Paz”.
O coronel Antônio de Oliveira Leitão às suas custas, construiu um caminho novo que ligava São João del rei a Ouro Preto, passando pela então Alagoa Dourada, onde morava desde 1713. Demolida a antiga capela, construída em 1734, iniciou-se a construção da Matriz em 13 de julho de 1850. Muitos anos paralisada a construção foi reiniciada em 20 de junho de 1899, tendo sido contratado o empreiteiro Augusto Buzatti, italiano que mudou-se para cidade. Em 1832, o nome original de Alagoa Dourada é alterado para Lagoa Dourada, uma referência à lagoa ali existente, muito rica em ouro. A antiga capela do Senhor do Bom Jesus foi destruída, em 1905, por vandalismo. A nova igreja, mal construída começou a ruir e novamente foi fechada. Só em 30 de maio de 1911 foi iniciada uma nova construção, feita também pelo empreiteiro Augusto Buzatti.
Após o esgotamento das jazidas auríferas, o arraial buscou alternativa na agricultura, principalmente, no milho e na produção do leite. Em 1892, o distrito passou a pertencer a Prados, e em 1911, foi finalmente emancipado.

O Mestre de Lagoa Dourada

Um escultor ainda sem rosto, nome e origem desconhecidos está tendo vida e obra pesquisadas na Região do Campo das Vertentes, onde viveu entre o fim do século XVII e o início do 18. Batizado de Mestre de Lagoa Dourada pelo grande número de imagens em cedro feitas para igrejas e capelas da cidade, ele deixou a sua marca também em Prados, São João del-Rei, Tiradentes, Congonhas e Ouro Branco. Foram encontrados documentos que comprovam a presença dele na antiga Capitania de Minas, caso de um inventário, de 1738, dos bens da Paróquia de Santo Antônio, em Lagoa Dourada. Do documento consta o registro de uma Santana Mestra com as características das demais imagens atribuídas ao mestre que foi recentemente descoberto. A Igreja de Santo Antônio guarda o acervo pertencente à antiga matriz, de 1734, já demolida, e de outros templos barrocos varridos do mapa da cidade. Nos altares e na sacristia ficaram peças que atravessaram os tempos sem autoria definida e que agora estão sendo estudadas. Depois de mais de um ano de estudos, foram identificados traços comuns entre as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Lapa, São João Evangelista, Santo Apóstolo, Santana Mestra e outras do município e vizinhanças. E os restauradores chegaram à conclusão de que tudo saiu das mãos de um mesmo escultor, dono de obra de qualidade e estilo livre de influências. Entre as características que diferem as esculturas de outros autores da época estão orelhas bem definidas e muito estilizadas; ombros largos e posturas rígidas; panejamento (vestes) com drapeados verticais rígidos e pouco naturais, com as bordas dos mantos em caimento do tecido sobreposto; rostos de expressão ingênua; olhos em curva, proeminentes; e boca entreaberta com os dentes à mostra. O escultor foi batizado de Mestre de Lagoa Dourada porque a cidade abriga metade das peças das mais de 20 que foram encontradas até agora com essas características. Mas ainda não se sabe se ele era mineiro, paulista a serviço na capitania ou português que veio para o Brasil. Uma das chaves para maior entendimento da história, que surpreende e intriga, é a imagem mais antiga da matriz, a Nossa Senhora esculpida em terracota. O barro usada para esculpi-la era muito usado pelos santeiros paulistas, o que pode significar que o Mestre a fez aqui ou tenha se espelhado nos seus traços para desenvolver a sua arte.

Datas Históricas

1717 – Fundação do arraial Alagoa Dourada.
1750 - Lagoa Dourada foi elevada à categoria de Distrto de Paz, do município de São José Del Rei.
1832- Passa a denominar-se Lagoa Dourada.
1892 - Passa a pertencer ao município de Prados.
1911 - Elevada à categoria de município, desmembrando-se de Prados.

O município

Sua população estimada em 2010 era de 12.256 habitantes. E área de 476.69 km². A sede do município de Lagoa Dourada está localizada entre os municípios de Entre Rios de Minas e São João Del Rei. Lagoa Dourada possui uma diversidade ecológica grandiosa, com uma biodiversidade representativa de alguns ecossistemas importantes do bioma Mata Atlântica e Cerrado. No seu relevo, formado pelas serras do complexo da Mantiqueira, observa-se uma vegetação de cerrado, com a presença de campos limpos nas partes mais altas.
A topografia privilegiada proporciona caminhadas prazerosas por estradinhas bucólicas em meio a reservas ainda virgens da Mata Atlântica. Há mirantes com 360°, ideais para se admirar memoráveis paisagens da região, principalmente quando o sol está se pondo. Há, ainda, trilhas intactas por onde passaram os índios cataguases, com vestígios das ocas e tabas de sua aldeia que era próxima à cidade. O lindo recanto onde fica a Lagoa do Tanque Grande, de origem vulcânica, também está às margens dessa trilha.
De seu passado colonial, Lagoa Dourada preserva, na sede, alguns casarões e igrejas com expressivos fragmentos da arte colonial mineira. A Igreja Matriz de Santo Antônio e a Igreja do Senhor Bom Jesus compõem o tradicional cenário urbano das gostosas cidades do interior de Minas. A Igreja Matriz de Santo Antônio foi construída no fim do século XIX para substituir um antigo templo e conserva os quatro retábulos em talha, estilo D. João V, da antiga construção. Na planta primitiva da nave e da capela-mor foram acrescentados corredores laterais, que limitam um tapavento em forma de curva, onde possivelmente está a data de sua construção.
Acompanhando a subida para a Igreja do Senhor Bom Jesus, estão painéis com os passos da Via Sacra aplicados em graciosas muretas construídas de tijolinhos. Na Semana Santa, comunidade e visitantes participam ali dos rituais religiosos da Paixão de Cristo. Apesar da edificação ser simples, pode-se notar em sua fachada principal um certo apuro no frontão, bem como nos guarda-corpos de metal trabalhado das três janelas rasgadas por inteiro que se abrem para o coro.
A Estrada Real corta o município em seu perímetro urbano. Mas, é na zona rural que Lagoa Dourada preserva preciosos marcos de seu passado. Dentre as propriedades rurais mais importantes historicamente, destacam-se: a Fazenda do Engenho Grande dos Cataguases, do Capão Seco, da Pedra, dos Melos, da Boa Esperança, do Monte Alegre e as duas com o nome de Boa Vista.
A Fazenda do Engenho Grande dos Cataguases é famosa pelo seu interessante acervo de objetos do século XVIII e XIX e utensílios. Foi lá, também, que o Imperador D.Pedro II se hospedou em sua última visita à região.
O município possui a maior pecuária leiteira da Região do Campo das Vertentes e é forte produtor de hortigranjeiros. Na equinocultura, destaca-se o Jumento Pêga, que é uma raça de asininos brasileira, formada em Lagoa Dourada, na Fazenda do Váu. Os jumentos são utilizados para obtenção de híbridos (burros e mulas), a partir de cruzamentos com as éguas. Os muares são animais ágeis, dóceis e resistentes, sendo de grande utilidade no transporte de cargas, tração, lida com gado, passeios, cavalgadas, concursos de marcha e enduros. A raça Pêga é, hoje, o orgulho da pecuária nacional.
A comunidade produz licores, vinhos e doces caseiros, que recheiam os famosos rocamboles. De fato, os deliciosos pães-de-ló recheados de doces variados fazem jus à fama. Passar por Lagoa Dourada significa provar e comprar rocamboles para levar. Essa receita, que vem sendo passada de geração em geração, tem os segredos que lhe garantem o irresistível sabor.
O artesãos da cidade expõem seus produtos na Associação Comunitária de Artesanato de Lagoa Dourada – Acoarte. Eles utilizam palha, linhagem, folhas de bananeira e madeira para criar interessantes peças rústicas. O destaque é para os bonecos de linhagem em tamanho natural, mas produzem também bordados, tricô, crochê, esculturas e pinturas em madeira.
(Fontes: www.descubraminas.com.br, IBGE)

Gostei... - Mário Lago

Persona - Mário Lago

Mário Lago (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 - Rio de Janeiro, 30 de maio de 2002)

domingo, 29 de maio de 2011

Bão dimais - Bolinhos doces

Bolinhos doces

Que tal um chazinho no fim de tarde? Ou quem sabe um café com leite ou capuccino? Para acompanhar, saborosos bolinhos doces fritos, à moda da vovó mineira. A receita é do livro Cozinhando com saúde, editado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Rende em média 40 unidades.

Ingredientes: 4 ovos * 1 colher (sopa) de manteiga * 1 lata de leite condensado * 1 colher (sopa) de fermento em pó * 1 colher (sobremesa) de erva-doce * 3 xícaras (chá) de farinha de trigo * óleo para fritar * açúcar e canela em pó para polvilhar
Modo de fazer: No liquidificador, bata os ovos, a manteiga, o leite condensado e o fermento. Coloque em uma tigela. Acrescente a erva-doce e a farinha, aos poucos, batendo até a massa ficar homogênea. Molde os bolinhos com duas colheres de sopa. Frite em olho quente até dourar. Polvilhe com açúcar e canela em pó.
(Fonte: Estado de Minas em 27/05/2011)

Santa Rita é notícia - Parques tecnológicos avançam pelo interior

Parques tecnológicos avançam pelo interior

Belo Horizonte não trilha sozinha o caminho rumo à inovação e à ciência. Em Minas, novos parques tecnológicos começam a sair do papel para dar força à vocação do estado para o incentivo ao conhecimento. A bandeira até então defendida com unhas e dentes pela cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul do estado, conhecida como Vale da Eletrônica, ganha novos adeptos, como Viçosa, na Zona da Mata, que inaugurou seu parque tecnológico no último mês. Em agosto, será a vez de Itajubá, no Sul, entrar para o time das produtoras de tecnologia de ponta. Até o fim do ano, a previsão da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é de que comecem obras de complexos em Uberaba, Lavras e Juiz de Fora.
Em Viçosa, o TecnoParq foi erguido a cinco quilômetros do câmpus da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e vai abrigar espaços para capacitação e inclusão digital da população. No Núcleo de Desenvolvimento Social do complexo haverá iniciativas para favorecer a interação entre pesquisadores, alunos, professores e a sociedade. Idealizado há 10 anos, o parque recebeu investimentos de R$ 9 milhões e foi construído em parceria entre a UFV, o governo estadual e a prefeitura.
O Sul de Minas deve ganhar um novo polo de inovação em agosto, com a inauguração do Parque Científico e Tecnológico de Itajubá (PCTI), com investimentos de R$ 8 milhões. “Há um movimento de interiorização dos centros de tecnologia para aproveitar o potencial das universidades. O objetivo é abrir a excelência das pesquisas, até então conhecidas como encasteladas nas faculdades, para as empresas que usam o conhecimento para oferecer produtos e serviços de inovação”, afirma o secretário-adjunto da Sectes, Evaldo Vilela. Segundo ele, já estão garantidos investimentos de R$ 8 milhões para parques em Uberaba, Lavras e Juiz de Fora. A Sectes apoia setores empresariais que são ‘portadores de futuro’, ou seja, atuam intensamente com tecnologia, em especial quatro deles: biotecnologia (com empresas consolidadas na Grande BH, Viçosa e Triângulo Mineiro), software (BH e Viçosa), bioenergia (Sete Lagoas, Itajubá e Montes Claros) e eletroeletrônica (Santa Rita do Sapucaí).
(Fonte: Cristiana Andrade – Estado de Minas em 29/05/2011)

Gostei... - Bingo!!!

Bingo!!! Ganhei!!!

sábado, 28 de maio de 2011

Persona - Volpi

Alfredo Volpi (Lucca, Itália, 14 de abril de 1896 – São Paulo, 28 de maio de 1988)

Santa Rita é notícia - Empresas podem investir R$ 57 milhões no Sul de Minas

Empresas podem investir R$ 57 milhões no Sul de Minas

Protocolos de intenções foram assinados com o governo do Estado

O governo de Minas Gerais assinou nesta semana cinco protocolos de intenção de investimentos de empresas no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro. Ao todo, serão mais de R$ 84 milhões em investimentos, com a geração de 2,5 mil empregos diretos e indiretos. Só na região serão R$ 57 milhões.
Dos protocolos assinados para beneficiar o Sul de Minas estão a ampliação da capacidade de produção da Usina Monte Alegre, em Monte Belo, com a geração de 116 empregos diretos e um investimento de R$ 54 milhões. Em Cambuí, há a previsão de implantação de uma unidade da empresa Tecnolatina Minas Indústria e Comércio de Produtos Elétricos LTDA. A empresa fabrica componentes eletrônicos e vai investir cerca de R$ 2 milhões com uma geração de 51 empregos diretos.
Também no setor de eletrônicos, a empresa KVA Indústria e Comércio LTDA, que fica em Santa Rita do Sapucaí, assinou o protocolo para a expansão da unidade industrial. O protocolo assinado prevê recursos de cerca de R$ 1 milhão e a geração de 13 empregos diretos.
(Fonte: EPTV em 27/05/2011)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Minas são muitas - Maria da Fé

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Maria da Fé

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes

Região: Sul
Padroeira: Nossa Senhora de Lourdes
Festa da Padroeira: 11 de Fevereiro

Localização

História

Tudo começou quando dois fazendeiros, João Carneiro Santiago e José Correia de Carvalho, adquiriram uma sesmaria próxima ao município de Cristina formada por terras do local denominado Campos.
Mais ou menos em meados do século XIX, foi a gleba dividida em duas partes. Cada um instalou sua fazenda começando, com seus escravos e familiares, as culturas agrícolas e a exploração das riquezas existentes.
Por volta de 1815, após o falecimento destes, estas terras foram subdividas a terceiros. E entre estes estavam o casal José Rodrigues Braga e Maria da Fé de São Bernardo que fundou a Fazenda Nova de Campos.
A cidade propriamente dita começou a edificar-se em terras de João Ribeiro de Paiva que foi quem primeiro instalou uma casa comercial, de sociedade com o Sr. Honório Costa. O surgimento desta casa comercial, somado com a chegada de novos moradores fez com que Campos de Maria da Fé tornasse distrito em 1859 e sob a jurisdição do município de Cristina.
O ano de 1890 foi marcante para a cidade, pois foi neste ano em que se iniciaram as obras da construção da linha férrea que passaria na cidade. Em 27 de junho de 1891 foi inaugurada a Estação Ferroviária da cidade, trazendo o nome de Dona Maria da Fé. Era a mais alta da linha com mais de 1.200 metros de altitude. E o trem alavancou o progresso do distrito, pois Maria da Fé exportava a sua produção de batatas para todo o país. Daí o título de “Cidade das batatas”. Para além de uma simples homenagem à fazendeira pioneira da região, a referida estação acabou por representar a matriz geradora da nova vila que surgia: a Vila de Campos de Maria da Fé.
O ano de 1891 também foi um marco para a história da cidade, pois o distrito era desmembrado de Cristina para ser anexado ao município de Pedra Branca (hoje Pedralva).
Em meados de 1908, é instalada a Paróquia de Maria da Fé e sua edificação se deu com a Capela de Nossa Senhora de Lourdes. Dois anos depois – mais precisamente em 1911 – a Vila de Campos de Maria da Fé passa a ser denominada cidade de Campos de Maria da Fé. Em 1923 passa a se chamar Maria de Fé.

Datas Históricas

1859 - O povoado passou a distrito e foi incorporado ao município de Cristina com o nome de Campos de Maria da Fé.
1908 - Criação da Paróquia de Maria da Fé.
1911 - Desmembra-se do município de Pedra Branca (hoje Pedralva) e passa a município com o nome de Campos de Maria da Fé.
1923 - A denominação passou a ser Maria da Fé, permanecendo até os dias atuais.

O município

Maria da Fé é um município do sul do estado de Minas Gerais. Sua população estimada em 2010 é de 14.216 e sua área é de 202,89 km².
O município está localizado em pleno Planalto da Serra São João, maciço da Mantiqueira, o município tem relevo acidentado, com a sede a 1.300 metros de altitude.
Maria da Fé é conhecida como a cidade mais fria do Estado de Minas Gerais. No inverno, as temperaturas mínimas podem descer abaixo de 0°C.
Na cidade, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes possui murais de Pietro Gentilli, pintor italiano que também possui obras em Americana (Estado de São Paulo) e Mariana (Minas Gerais). A cidade também possui um Centro Cultural, onde estão disponíveis informações históricas e turísticas sobre o município e também a Casa do Artesão, um espaço criado para a exposição de trabalhos de artesanato da cidade.
Na Praça Getúlio Vargas estão algumas das mais antigas oliveiras da cidade, conhecida nacionalmente como Cidade das Oliveiras.
A paisagem é montanhosa, a vegetação tem predominância de pinheiros. Sua maior produção e força econômica é a batata, para semente ou consumo.
Nos anos 70 e 80, a cidade era conhecida como a “Cidade das batatas” pela sua produção em grande escala do referido produto. Nessa época, Maria da Fé se tornou a maior produtora de batatas no território nacional, com o volume anual de 46 mil toneladas.
Entretanto, no início dos anos 90, observou-se uma acentuada crise na cultura desse gênero, tendo em vista a conjugação dos seguintes fatores: sucessivas pragas nas sementes utilizadas para o plantio; cortes sistemáticos nos investimentos governamentais; dificuldades oriundas da baixa mecanização no campo e competitividade com outros mercados. Hoje já não ostenta tal titulo.
Hoje, Maria da Fé tem uma grande vocação para o turismo rural e o ecoturismo devido ao ambiente acolhedor da região e das belas fazendas, a ótima gastronomia, às cachoeiras e matas e ao Pico da Bandeira, não confundir com o Pico da Bandeira localizado no Parque Nacional do Caparaó. A Fazenda Experimental da Epamig, com lago, vegetação exuberante e um viveiro de mudas variadas é mais uma atração turística do município.
A vantagem de Maria da Fé é que devido ao clima serrano, à hospitalidade do povo e à tranquilidade, a cidade é gostosa de visitar o ano inteiro. Para os amantes do inverno, melhor ainda nesta estação, quando as temperaturas caem bastante.
(Fontes: “Família Rodrigues de Sá – 400 anos de genealogia – Marília Sílvia Bueno, IBGE, http://www.turismo.mg.gov.br, http://www.rdvetc.com)
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