Quando queremos dizer que uma pessoa fez algo inacreditável ou uma bagunça exagerada, usamos a expressão “fazer o diabo a quatro”. Na minha terra, Santa Rita do Sapucaí, “o diabo a quatro” tem o mesmo significado que etc.. Por exemplo, lá se costuma dizer que alguém comprou sapatos, vestidos, blusas e o diabo a quatro, com a expressão significando vários outros artigos.
De acordo com Reinaldo Pimenta, autor do livro A Casa da Mãe Joana, que explica a origem de palavras e expressões, esta nasceu na França (o original é fàire le diable à quatre) durante a Idade Média.
Nas peças de teatro daquela época, um dos personagens que sempre aparecia era o diabo. Quando o autor das representações queria fazer algum barulho, criava papéis para um ou dois diabos. Quando a ideia era causar espanto realmente, fazer uma verdadeira bagunça na peça, escalava quatro diabos. "Daí o 'diabo a quatro' significar coisas espantosas, grande confusão", escreve Pimenta.
O modernista Oswald de Andrade também produziu uma paródia do poema de Gonçalves Dias em seu "Canto de Regresso à Pátria".
Canto de Regresso à Pátria
Minha terra tem Palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra.
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá.
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo.
(Oswald de Andrade)
Como precursor do antropofagismo, que significa “comer o que vem de fora, desfazendo-se do que é de fora e incorporando elementos nacionais”, Oswald critica a forma ufanista de Gonçalves Dias ao valorizar os elementos nacionais. No “Canto de regresso à pátria”, Oswald, por trás do humor e da sátira, ainda mantém o caráter nacionalista na poesia, mas sob um olhar crítico.
O poema foi publicado em 1925 e faz uma revisão crítica, tanto da produção literária anterior como da história do Brasil, ao usar Palmares no lugar de palmeiras. Não há a pátria idealizada, perfeita, mas uma pátria com problemas sociais e raciais.
Oswald, urbano e cosmopolita, não fala nem mesmo no sabiá. Mas mesmo com o teor crítico existente no poema, o autor declara o seu amor a São Paulo ao regressar do “exílio de férias” à Europa.
Os passarinhos que aparecem no terceiro verso da primeira estrofe somos nós, o povo brasileiro, com o seu canto próprio, o seu jeito de ser, de sentir e de falar.
É a independência política e cultural pregada pelo movimento modernista.
O maior valor das "Canções do Exílio" está no fato de que nelas há sempre uma essência brasileira expressa na saudade e no amor incondicional ao país.
Até chegar o momento em que um homem admite que talvez seu pai estivesse certo, ele com certeza tem um filho que pensa que ele está errado. (Charles Wadsworth)
“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)
Muriaé
Igreja Matriz de São Paulo (Foto do Miguel)
Região: Zona da Mata
Padroeiro: São Paulo
Festa do Padroeiro: 29 de Junho
Localização
História
Inicialmente habitada pelos índios Puris, a região que compreende o município de Muriaé teve sua colonização iniciada pelo comércio de brancos com os indígenas.
Em 1817, Constantino José Pinto, com outros 40 homens, comercializando ervas e produtos medicinais, desceu pelo Rio Pomba e atingiu o Rio Muriaé, onde aportou construindo seu abarracamento junto a uma cachoeira, local onde hoje é conhecido como Largo do Rosário. Ali foi fundado o aldeamento dos índios, com demarcação das terras destinadas ao plantio para o sustento dos silvícolas. Nascia “São Paulo do Manoel Burgo”.
Em 1819, o francês Guido Tomás Marlière chega e ergue a Capela do Rosário. Começaram a aportar extratores de madeiras-de-lei e, principalmente, de plantas medicinais, em busca de raízes de ipecacoanha, chamada vulgarmente de poaia. Era o início da atividade econômica do futuro município.
O povoado cresceu rapidamente, dando origem ao “Porto”, à “Barra” e à “Armação”, em razão do rio que margeavam - e, depois, disseminando o seu casario em todas as direções. Em 1841 foi criado o distrito com o nome de São Paulo do Muriahé, pertencendo a São João Batista do Presídio (atual município de Visconde do Rio Branco).
A denominação Muriaé só viria em 1923.
Nas últimas décadas do século XIX, Muriaé já era grande produtor de café, condição que manteve até meados do século XX. A monocultura cafeeira foi a primeira grande responsável pelo desenvolvimento econômico do município. O progresso da nova localidade foi constante, principalmente a partir de 1886, data da inauguração da Estação da Estrada de Ferro Leopoldina que ligaria, diariamente, Muriaé à Capital da República (Rio de Janeiro). Os coronéis, proprietários das grandes fazendas produtoras, representavam não só a elite econômica da região, como também sua expressão política, com forte influência em Minas Gerais e no país.
A cidade é por esse tempo o segundo produtor de café em Minas Gerais.
A euforia permanece até o crash de 1929, quando se instaura grave crise econômica que afetou profundamente o município, mas a economia voltaria a crescer durante a fase getulista, principalmente após a abertura da estrada Rio-Bahia. O grande fluxo de veículos trazido pela nova rodovia inseriu Muriaé entre as cidades de maior progresso da região. A monocultura cafeeira passou a ceder espaço para outras atividades econômicas. Na década de 1960, a mecânica automotiva começou a atingir grande expressão, graças ao asfaltamento da rodovia Rio-Bahia, e o município passou a ser referência no ramo da retífica de motores.
Origem do nome
O nome da cidade é provavelmente de origem indígena. Embora não exista consenso sobre o significado da palavra “Muriaé”, a maioria das hipóteses aponta para a relação com a existência de mosquitos. Por esta ótica, a evolução etimológica pode ter acontecido a partir de “Meru-aé” (mosquito diferente e mau) ou “Meruim-hu” (rio dos mosquitos). A informação do Almanaque das Casas Americanas, de 1914, de que 15% das crianças nascidas no município no ano de 1876 morreram em razão da febre amarela - doença provocada pela picada de mosquitos - faz essas versões ganharem força.
Datas Históricas
1852- Criado o Distrito criado com a denominação de São Paulo do Muriaé, subordinado ao município de Rio Branco.
1855 - Elevado à categoria de vila com a denominação de São Paulo do Muriaé e desmembrado de Rio Branco.
1859 - Transfere a sede do município da povoação de São Paulo do Muriaé para a de Patrocínio do Muriaé.
1860 – A sede do município volta denominar-se São Paulo do Muriaé.
1865 - Elevado à condição de cidade com a denominação de São Paulo do Muriaé.
1911 – O município de São Paulo do Muriaé passou a denominar-se simplesmente Muriaé.
O município
Muriaé é um município do estado de Minas Gerais. Sua população, em 2010, era de 100.765 habitantes. Ocupa uma área de 841,69 Km².
A indústria do município tem papel de destaque, principalmente a indústria da moda- confecção de artigos do vestuário e acessórios. O polo de moda de Muriaé é composto por 550 empresas formais. Nos últimos anos, o polo vem se consolidando como importante referência do setor confeccionista brasileiro, investindo em máquinas e equipamentos modernos, no desenvolvimento de produtos, em pesquisa, utilização de tecidos inovadores e, principalmente, em design.
Outras indústrias, como as de produção de alimentos e bebidas e montagem de veículos, completam o parque industrial muriaeense.
“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)
Itumirim
Igreja Matriz de São José (Foto do Miguel)
Região: Sul
Padroeiro: São José
Festa do Padroeiro: 19 de Março
Localização
História
A atual cidade de Itumirim deve a sua existência ao antigo povoado do Coruja, que fazia parte do então distrito de Rosário de Lavras, que por sua vez, teve os seus fundamentos na antiga capela de “Nossa Senhora da Cachoeira do Rio Grande”, construída em 1730 e cujo administrador foi o capitão Francisco Bueno da Fonseca, paulista de Taubaté, tendo como colaboradores os sitiantes Antônio Nunes Cardoso, Diogo Bueno da Fonseca, Ângelo Pinto e Pascoal Leite.
A origem da história de Itumirim é conhecida somente após o drama amoroso de uma das filhas do bandeirante Amador Bueno da Fonseca com um comerciante de nome Goulart Brum.
Na atual fazenda do Sr. Augusto Pinto residiu um dos filhos do intrépido bandeirante. Como naqueles dias o socorro e a agressão se faziam mutuamente, tinha este povoador de Minas a missão de garantir a passagem do Rio Capivari, vedando-a, a quem que fosse quando ouvisse um estampido de arma de fogo em determinado lugar, conforme a combinação que tinha com seus parentes residentes nas margens do Rio Grande.
Tronco de numerosa família mineira, Goulart Brum que negociava com gêneros da Campanha para o norte se enamorou de uma das filhas do bandeirante Bueno. Este amor nas selvas teve contra si a vontade do velho pai de sua enamorada. Os jovens enamorados não se desiludiram e dominaram dificuldades incríveis criadas pelas asseclas da fazenda.
Fugiu a mimosa mineira descendo despida por uma das janelas, por sua família lhe ter apreendido a roupa como meio de evitar a fuga. Brum que a esperava com roupas, cavalo para a viagem e homens corajosos para a luta talvez inevitável, partiu com a noiva ao trotar acelerado dos cavalos para se casarem em Campanha. Descobertos e perseguidos quando soou o estampido, avisando a guarda da ponte, já os fugitivos estavam a grande distância.
Pode-se acentuar de passagem que passado poucos dias, apesar dos avisos, das ordens e ameaças do seu sogro, Brum penetrava com sua esposa nos currais da fazenda demonstrando tal bravura que a oposição da família se transformou em aliança indissolúvel.
Desse incidente em diante foi o lugar se desenvolvendo, aperfeiçoada a guarda da ponte, por ser uma passagem forçada do Sul de Minas para as minas de ouro de São João Del Rei e construídas as primeiras casas que serviam de alojamento a policiadores e que hoje já não mais existem.
Somente mais tarde foi construída pelos Srs. Antônio Coelho, João Pereira, capitão Geraldo Teodoro de Resende e Antônio Teodoro de Resende uma capela na qual se rezou a primeira missa em 1891, pelo Monsenhor Aureliano Deodato Brasileiro.
Foi este o marco inicial para o progresso, pois logo após a construção da capela, se foram agrupando outras construções e em pouco tempo estava constituída a povoação com o nome de Coruja. Com o avançamento dos trilhos da então Estrada de Ferro Oeste de Minas, de Lavras para Barra Mansa, foi construída no Coruja a primeira estação, além de Lavras, que recebeu o nome de Francisco Sales.
Com o surto de progresso do povoado, foi transferida a sede distrital de Rosário para Coruja. Em janeiro de 1924 foi então o arraial iluminado à luz elétrica, tendo, neste mesmo ano, o seu nome mudado para Itumirim. Foi o distrito elevado à categoria de município em 1943.
Datas Históricas
1870 – Criado o Distrito com a denominação de Rosário, subordinado ao município de Lavras.
1923 – O distrito de Rosário tomou a denominação de Coruja.
1924 – O distrito de Coruja (ex-Rosário) tomou o nome de Itumirim.
1943 - Elevado à categoria de município com a denominação de Itumirim e desmembrado de Lavras.
O município
Itumirim é um município do estado de Minas Gerais. Sua população, em 2010, era de 6.139 habitantes. Sua área é de 234,80 km².
Itumirim possui grande potencial para se tornar referência em turismo de aventura no estado. Seu território é montanhoso, a cidade é entrecortada pelas serras do Campestre e da Estância sendo a última a mais alta e extensa do município e entre elas está situado o Canyon da Pirambeira, no Rio Capivari, considerado o segundo melhor rio em Minas, para a prática de esportes radicais. Este canyon possui mais de 1 km de extensão e é um dos mais belos espetáculos na natureza na região, com paredões de mais de 100 metros de altura e inúmeras corredeiras.
Dentre outras atrações, pode-se destacar a Cachoeira do Engenho, que possui uma grande queda d'água, propícia para tomar um delicioso banho de cachoeira e relaxar vendo a paisagem montanhosa do local.
Outra cachoeira que merece destaque é a Cachoeira das Aranhas. Localizada à aproximadamente 16 km do centro da cidade, esta cachoeira reserva várias particularidades para os turistas. Primeiramente, vale destacar que esta cachoeira se localiza no meio de um complexo de serras, portanto, a paisagem já compensa a viagem. Possui, basicamente, três locais onde se pode tomar um bom banho de cachoeira, são eles: o poço de cima, o poço do meio, e o poço de baixo. No poço de baixo, há uma pedra onde os turistas podem saltar a uma altura de aproximadamente 5 metros até a água.
"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda." (Clarice Lispector em “Felicidade Clandestina” - "Perdoando Deus")
Meus antepassados, assim como eu, nascemos em Santa Rita do Sapucaí. Foi onde passei minha infância, estudei, trabalhei durante 10 anos e me casei. Fui levada para outra paragem, mas nunca consegui esquecer minha terra. Agora que me aposentei, as lembranças teimam em passear, toda hora, por meus pensamentos. Assim, resolvi dividir com meus amigos, um pouco da minha história, do amor pela minha cidade natal e das minhas preferências poéticas e musicais. Neste blog, mato um pouco da saudade e realimento o coração com coisas que não ouso esquecer.
"Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho!" (Quintana)
Se você ou sua família tem origem no Sul de Minas, entre no site http://www.arvore.net.br. Escolha um casal tronco (minha família aparece em Antônio José Rosa e Maria Joaquina Fortunata e também em Francisco da Costa Pereira Requião e Antônia Maria de Jesus Lima). Depois entre na Lista de sobrenomes e procure o de sua família. Este site é um trabalho de pesquisa genealógica feito por Wilton Xavier Furtado e sua esposa.