quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ninguém vive sem um pouco de poesia...- João Cabral de Melo Neto

A viagem


Quem é alguém que caminha
toda a manhã com tristeza
dentro de minhas roupas, perdido
além do sonho e da rua?

Das roupas que vão crescendo
como se levassem nos bolsos
doces geografias, pensamentos
de além do sonho e da rua?

Alguém a cada momento
vem morrer no longe horizonte
de meu quarto, onde esse alguém
é vento, barco, continente.

Alguém me diz toda a noite
coisas em voz que não ouço.
_Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.
(João Cabral de Melo Neto)

Persona -João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto (Recife, 9 de Janeiro de 1920 – Rio de Janeiro, 9 de Outubro de 1999)

Pátria Minas - Minas: Um modo de ser e de estar

Minas: Um modo de ser e de estar

A riqueza de Minas está inscrita no seu próprio nome – é um estado plural. Plural de montanhas, plural de minérios e mineiros.
Certa vez em Diamantina reuniram-se vários economistas, historiadores e escritores para tentarem definir Minas. Onde? Quem? Quando? Como é Minas? Lá estavam Antônio Cândido, Otto Lara Rezende, Francisco Iglésias, eu e outros. Cada um deu a sua visão. Eram várias e complementares. Assim como existem 10 regiões econômicas, Minas são muitas em uma. Há um mineiro mais paulista, um mineiro mais carioca, um mineiro mais baiano, um mineiro mais capixaba, um mineiro mais goiano. E eis o mistério: todos convergem para a mesma identidade.
Na verdade, como numa concha barroca, voltados psicologicamente para dentro, os mineiros também estão tecnologicamente virados para fora. E o fato é que os mineiros se divertem a si mesmos e aos demais falando da "mineiridade" (sabedoria) e da "mineirice" (esperteza). Na política, Benedito, Alckmin e Tancredo ilustram esse anedotário. E outros se especializaram nesta irônica interpretação, como Guimarães Rosa, Drummond e Fernando Sabino. Já Eduardo Frieiro lembrou que existe até o "mineiro hipotético". Nessa categoria podemos incluir Rubem Braga, capixaba, que nos anos 20 veio trabalhar nos Diários Associados de Minas.
Seja como for, a física nos ensina que há duas forças regendo nosso estado: uma centrífuga – nos remetendo para fora, outra centrípeta – nos puxando para o centro. Assim os da fronteira e os do núcleo fazem um todo. E daquelas forças da física passa-se à saborosa metafísica dos mineiros: eles estão aquém e além, são excêntricos mas estão centrados. Reúnem a tradição e a modernidade indo do líquido do leite à solidez do minério.
Ser mineiro é um modo sólido e líquido de ser e de estar.
(Affonso Romano de Sant´Anna)

sábado, 8 de outubro de 2011

Aviso aos navegantes - Cristo 80 anos

Especial no site do GLOBO comemora as oito décadas do Cristo Redentor com exposição virtual de fotos

Quem acha que já viu o Cristo Redentor de todos os ângulos pode se surpreender com a exposição virtual no ambiente especial do site do GLOBO em comemoração aos 80 anos do monumento. O hotsite Cristo 80 anos apresenta um pacote multimídia que inclui a galeria com 80 imagens de fotógrafos do jornal feitas em diferentes épocas.
- A estátua do Cristo Redentor é sempre referência para as imagens da cidade. É lá de cima que a cidade se mostra grande, partida, silenciosa, às vezes até feia, mas sempre maravilhosa. Acordar cedo e olhar para o Corcovado é a minha oração de todo dia - diz Márcia Foletto.
A relação do fotógrafo Custódio Coimbra com o Cristo é uma história de vários capítulos:
- Eu acompanho o Cristo há pelo menos 30 anos. Para este aniversário, estou participando da equipe que prepara um caderno especial sobre o monumento. Há alguns dias, me dediquei a fotografar o interior da estátua por duas horas. Eu me senti energizado por estar ali dentro. Fiz isso 20 anos depois de fotografar a cidade pela primeira vez do ponto de vista dele, quando subi ao braço da estátua. Embora eu não seja católico, o Cristo tem um grande significado para mim - diz Custódio.
No hotsite, o internauta encontra ainda uma ferramenta que permite ver o Rio em 360 graus, com imagens feitas a partir da cabeça da estátua. O trabalho, da produção das fotos à montagem da animação panorâmica, foi feito pelo coordenador multimídia do GLOBO, Leonardo Dresch. Numa visita ao monumento, ele subiu ao último platô da estátua, de onde alcançou a cabeça do Cristo. Com parte do corpo para fora, fotografou a cidade, girando a máquina para todos os lados.
- Foi um dia muito emocionante, tanto por estar dentro da estátua quanto pelo visual do Rio - conta Dresch, que achou mais tranquilo encarar a altura para fotografar do alto da estátua do que experiências anteriores de voar de helicóptero.
(Fonte: O Globo em 01/10/2011)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Dica de leitura - O amor, as mulheres e a vida

Outro dia, dei-me de presente o livro “O amor, as mulheres e a vida” de Mario Benedetti que reúne os melhores poemas de amor escritos por esse poeta uruguaio. A cada página me surpreendo com poemas que gostaria de ter escrito.
Mario Benedetti é um dos poetas mais inovadores, suaves, divertidos, ambiciosos e modernos da literatura de língua espanhola. Estes poemas demonstram a força das mulheres e deste antídoto contra a morte que só elas possuem: o amor.
O escritor Mario Benedetti foi um dos raros poetas da atualidade que estabeleceram uma relação com os leitores, emprestando-lhes palavras para expressar o que sentem. Diversos de seus livros se tornaram sucesso de público, e seus poemas se converteram em canções ou permanecem vivos na memória das pessoas.

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Mario Benedetti

Balada do mau gênio


Tem dias que sinto um desinteresse
de mim, de ti, de tudo o que insiste em acreditar-se
e me sinto solidariamente cretino
apto para que em mim vacilem os rancores
e nada me pareça um aceitável presságio.

Dias em que abro o jornal com o coração na boca
como se aguardasse com certeza que meu nome
fosse aparecer nos avisos fúnebres
seguido da lista de parentes e amigos
e de todo o indócil pessoal às minhas ordens.

Tem dias que nem sequer são escuros
dias em que perco o rastro da minha pena
e resolvo as palavras cruzadas
com uma raiva feita para outra ocasião
digamos, por exemplo, para as noites de insônia.

Dias em que a gente sabe que há muito era bom
bem talvez não faz tanto que aparecia a lua
limpa como depois de um sabonete perfumado
e aquilo sim era autêntica melancolia
e não esse insano, doce tédio.
Bem, esta balada é só para te avisar
que nesses poucos dias não me leves a serio.
(Mario Benedetti)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Na vitrola aqui de casa - Todo sentimento

As várias Canções do Exílio - 8 - Sousândrade

Joaquim de Sousa Andrade, conhecido como Sousândrade, pertenceu ao período romântico da Literatura Brasileira. Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde também estudou Engenharia, permanecendo na Europa por muitos anos. Embora vivendo na mesma época de Casimiro de Abreu, foi um autor além de seu tempo, devido à ousadia de suas obras, que apresentavam características precursoras do Simbolismo e do Modernismo.
As canções de Casimiro remetem explicitamente ao texto de Gonçalves Dias, enquanto a de Sousândrade parece não remeter ao texto da Canção do Exílio. Porém o fato de estar em um país estrangeiro (França - Paris), o desejo de voltar a sua terra natal; o uso dos advérbios aqui e lá como elemento de comparação entre os dois locais, são a marca da reescritura de Sousândrade.
Como Gonçalves Dias em sua Canção do Exílio, também vemos Sousândrade exaltar a natureza nacional, numa forma impregnada de sentimento saudosista de suas raízes, por estar longe de sua terra natal. E como no texto-matriz, o poeta deseja voltar para que possa dar seu último suspiro em sua terra natal.
No poema Harpa XLV, escrito em 1859, o poeta não utiliza as imagens da palmeira e do sabiá e nem apresenta versos simples como Gonçalves Dias, mas através dos mesmos advérbios aqui e lá faz sua Canção do Exílio particular.

Harpa XLV

Eu careço de amar, viver careço
Nos montes do Brasil, no Maranhão,
Dormir aos berros da arenosa praia
Da ruinosa Alcântara, evocando
Amor... Pericuman!... morrer... meu Deus!
Quero fugir d'Europa, nem meus ossos
Descansar em Paris, não quero, não!
Oh! por que a vida desprezei dos lares,
Onde minh'alma sempre forças tinha
Para elevar-se à natureza e os astros?
Aqui tenho somente uma janela
E uma jeira de céu, que uma só nuvem
A seu grado me tira; e o sol me passa
Ave rápida, ou como um cavaleiro:
E lá! a terra toda, este sol todo -
E num céu anilado eu m'envolvia,
Como a água se perde dentro dele.

Ingrato o filho que não ama os berços
Do seu primeiro sol. Eu se algum dia
Tiver de descansar a vida errante,
Caminhos de Paris não me verão:
Através os meus vales solitários
Eu irei me assentar, e as brisas tépidas
Que os meus cabelos pretos perfumavam,
Dos meus cabelos velhos a asa trêmula
Embranquecerão: quando eu nascia
Meu primeiro suspiro elas me deram;
Meu último suspiro lhes darei.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dica de diversão - Trio Amadeus

Click na imagem para ver em tamanho maior.

Já tive a oportunidade de ver o Trio Amadeus. É muito bom!!!

domingo, 2 de outubro de 2011

Persona - Mahatma Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi (Mahatma Gandhi ) (Porbandar, 2 de Outubro de 1869 – Nova Déli, 30 de Janeiro de 1948)
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