quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Lya Luft

Dança lenta


Não somos nem bons nem maus:
somos tristes. Plantados entre chão
e estrelas, lutamos com sangue,
pedras e paus, sonho
e arte.


Nem vida nem morte:
somos lúcida vertigem,
glória e danação. Somos gente:
dura tarefa.
Com sorte, aqui e ali a ternura
faz parte.
(Lya Luft)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dica de leitura - O Lado Fatal

O Lado Fatal

Outro dia comprei o livro O Lado Fatal de Lya Luft. Li-o todo, num fôlego só, em poucas horas, mas O lado Fatal é livro para vida toda. É para ser redescoberto, novo, a cada leitura. Estou lendo-o novamente. Agora com calma, quando vem a vontade, leio um poema. Não marco a página onde parei. Abro e sinto o que leio.
O livro foi lançado em 1988, no mesmo ano da morte de Hélio Pellegrino, seu amor e companheiro. A obra foi retirada de circulação a pedidos da própria autora depois de receber várias edições. Agora, 23 anos após, Lya resolveu acatar aos pedidos dos leitores e o livro volta pela Editora Record, com algumas revisões.
São 40 poemas dedicados ao psicanalista Pellegrino que a escritora perdeu para um enfarto fulminante. Escrevê-los foi a forma que Lya encontrou para conviver com a dor da perda. Através deles ela conseguiu perpetuar a vida conjunta bruscamente interrompida.
Hoje, li na página 91 este trecho:

“Tu, que tanto me ensinaste
de mim a mim mesma, e do mundo
a quem o conhecia pouco:

quando se desfizer a noite desta perda,
quero enxergar pelos teus olhos,
e amar através do teu amor
as coisas que me restaram.”

Não é imperdível?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aviso aos navegantes - Google Art Project

Google Art Project

Faça uma viagem maravilhosa.
O Google lançou hoje (03/04/2012) a segunda fase do Google Art Project. O número de museus participantes passou de 17 para 151 com cerca de 30.000 obras digitalizadas. Você pode ver as obras e também fazer um passeio virtual pelas instituições.
No Brasil, a Pinacoteca do Estado de São Paulo (98 obras) e o MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo, 89 obras) fazem parte do projeto.
Cada instituição escolheu uma obra a ser digitalizada em altíssima resolução (7 bilhões de megapixel): o painel da dupla os gêmeos no MAM-SP, e o quadro "Saudade", de Almeida Júnior, do acervo da Pinacoteca.
Entre os museus disponíveis estão o MoMA (Museu de Arte Moderna), em Nova York, e o Museu Reina Sofía, em Madri (Espanha), o Museu D'Orsay, de Paris (França), o Museu da Acrópole, em Atenas (Grécia) e o museu de arte islâmica do Qatar.
Na América Latina, dez museus estão no projeto, como o Museu Nacional de Antropologia e Museu Frida Kahlo, no México, e o Museu Botero, na Colômbia.

Na vitrola aqui de casa - Nem um dia

Truques e quebra-galhos - Como pregar pregos em superfície dura

A arte do Origami - Coelhinho para a Páscoa

Coelhinho para a Páscoa

Este coelhinho é bem simples e fácil de fazer. Você pode usá-lo para enfeitar sua mesa de Páscoa ou pode também colá-lo em seus presentes.
1 – Dobre o papel na diagonal, formando um triângulo e vinque bem e desdobre.
2 – Dobre novamente na diagonal utilizando as outras duas pontas. Desdobre. Você deverá ter o papel marcado com um X.
3 – Volte a dobrar a diagonal. Você tem agora um triângulo grande como na figura acima.
4 – Dobre a base do triângulo para cima na medida de ¼ da altura. Pressione bem.
5 – Eleve a base esquerda do triângulo até ao meio do trabalho como na figura acima.
6 – Repita a operação com a base direita do triângulo.
7 – Vire o trabalho e dobre as pontas superiores para baixo. A medida deverá ser observada pela lateral da orelha do coelho que está sendo formado.
8 – Desdobre e vire para trás a dobra feita. Vinque bem.
9 – Vire o trabalho novamente. Dobre a ponta inferior até o nível das pontas laterais.
10 – Vire o trabalho e faça os detalhes da carinha do coelho. Ajeite a última dobra que você fez para que o coelhinho pare em pé.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Comercial legal - Forth Estate

O vídeo é uma animação feita pela editora Forth Estate para comemoração de seu 25º aniversário.

Na vitrola aqui de casa - Raindrops keep falling on my head

Santa Rita é notícia - Desindustrialização passa longe do Vale da Eletrônica

Desindustrialização passa longe do Vale da Eletrônica

Santa Rita do Sapucaí. Uma combinação entre a enxurrada de importados asiáticos, a valorização do real frente ao dólar e a alta carga tributária tem sido apontada como receita infalível para a desindustrialização do país. Mas esse cenário não se aplica a todos. Mesmo com crise internacional e com câmbio desvalorizado, as indústrias do Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, região Sul de Minas, tiveram crescimento no faturamento e nas exportações em 2011.
As exportações das empresas da região passaram de R$ 27 milhões, em 2008, para R$ 40 milhões, em 2011, crescimento de 48%. Na pauta, nada de grãos ou minerais, mas produtos de automação, equipamentos para radiodifusão, energia, telecomunicações e segurança eletrônica. Tudo com alto valor agregado e alta tecnologia aplicada. "A meta é aumentar em 25% o faturamento com exportações em 2012", diz o presidente do sindicato das empresas do Vale, Roberto de Souza Pinto.
Ele conta que as 142 empresas sindicalizadas são integrantes do Projeto Setorial Integrado (PSI), iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e recebem apoio nos processos de certificação, pesquisa, prospecções de mercado, missões empresariais, feiras e eventos.
"Meu maior desafio é globalizar a minha marca", diz o diretor de desenvolvimento da Sense, fabricante de sensores, Sérgio Augusto Berttoni. Do faturamento anual de R$ 60 milhões, 10% vêm das exportações.
Questionado sobre o impacto negativo da desvalorização do dólar, Bertonni respondeu de forma surpreendente. "Nenhum. Importamos vários componentes que não são fabricados no Brasil. Com o dólar baixo, importamos mais. Com o dólar alto, ganhamos na venda. Uma coisa compensa a outra". Ele diz que, como a empresa concorre com "gigantes multinacionais", o desafio é fortalecer a sua marca. "Ainda assim conseguimos ser competitivos, porque temos muito mais flexibilidade e agilidade para pensar novos processos e novos produtos, o que se faz lentamente em uma empresa grande".
O diretor de relações institucionais da Hitachi Kaokusai Linear, Carlos Frutuoso, diz que as mesmas características que dificultam a atuação da sua empresa, única fabricante brasileira de transmissores de TV Digital, também garantem seu sucesso. "Nem os chineses concorrem conosco, porque não é um mercado com demanda grande. Há meses em que fazemos uma única venda de R$ 2 milhões para um cliente. Não há produção em massa", explica. "Nenhum fabricante chinês iria vender uma peça no interior do Mato Grosso como fazemos. É um trabalho difícil, mas não temos concorrência", diz. A empresa, fundada em Santa Rita do Sapucaí na década de 1980, foi visitada em 2008 pelos japoneses da Hitachi. No ano passado, a multinacional comprou a Linear por cerca de US$ 13 milhões. Hoje, 80% da produção da empresa é voltada para a exportação.

MINIENTREVISTA com Roberto S. Pinto – Presidente do Sindvel

"Ninguém compra tecnologia pelo preço"

Como explicar o crescimento da exportação em Santa Rita do Sapucaí enquanto ela tem caído em todo o país?
Temos alguns diferenciais importantes. Ninguém compra o produto de tecnologia pelo preço. A maioria dos produtos exportados aqui na região tem fabricação sob encomenda. A gente não ganha na escala, ganha na inovação e no atendimento.

A China e o câmbio também são vilões da indústria local?
Não. A China se preocupa com volume de produção. Temos muitos produtos de baixíssima demanda que nem outras empresas brasileiras têm interesse em produzir. Trabalhamos sob encomenda. Sobre o dólar, uma média de 40% dos nossos insumos são importados. Quanto mais baixo o dólar, mais barato nosso insumo. Na venda, como eu falei, o preço não é o mais importante. Conseguimos competir pela qualidade.

Se você pudesse fazer um pedido para a presidente Dilma, qual seria?
Precisamos de mais acesso a crédito. Nossos empreendedores são jovens e não têm patrimônio para capital de giro ou para avalizar empréstimos. A única garantia que eles podem dar é o plano de negócios das futuras empresas. Seria ótimo um financiamento menos burocrático.
(Pedro Grossi – O Tempo em 26/03/2012)

sexta-feira, 30 de março de 2012

A cena que acena - As Pontes de Madison

As Pontes de Madison

O cinema é capaz de nos proporcionar momentos memoráveis. Na fantástica mistura de cores, música, movimento e diálogos, algumas cenas marcam as nossas vidas.
A gente não costuma contar, mas assistimos a muitos filmes durante nossa vida. Detestamos alguns, amamos uns poucos, nem nos lembramos de outros. Tem sempre aqueles que já vimos e veremos várias vezes. “Sob o céu de Toscana” parece que me persegue. Vira e mexe, quando estou sem sono e procurando alguma coisa para ver na TV, me deparo com este filme já começado. Paro para ver só aquela cena e acabo indo até o final. Hoje vai passar novamente, às 22 horas, em não sei qual canal. Certamente o acharei ou ele me achará.
Há também as cenas que sempre acenam para nós, as inesquecíveis. Marcaram-nos pela beleza, sensibilidade, às vezes pela música, outras nem sabemos o porquê, mas não saem de nossa memória. Ficam lá, guardadinhas, prontas para aflorar a qualquer hora. E a gente sabe que vai ser como se estivéssemos novamente no cinema, diante da telona, vendo tudo pela primeira vez.
Nesta cena do filme “AS Pontes de Madison”, suspirei junto com a Meryl Streep e torci muito, romântica que sou, para que ela girasse a maçaneta e corresse para os braços do Clint. Que pena que não foi assim! Que pena que as coisas não são simples assim.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Bão dimais - Ovo de Páscoa recheado na travessa

Ovo de Páscoa Recheado na Travessa

Ingredientes: 3 latas de leite condensado * 2 colheres (sopa) de maisena * 2 latas de leite (use a lata de leite condensado para medir) * 6 gemas * 1/2 colher (sopa) de essência de baunilha * 400 gramas de creme de leite * 2 xícaras (chá) de chocolate meio amargo picado * 1/2 xícara (chá) de castanha de caju picada * 2 xícaras (chá) de chocolate ao leite picado
Modo de fazer: Em uma panela, coloque o leite condensado, a maisena dissolvida no leite, as gemas e leve ao fogo médio, mexendo até engrossar. Desligue e acrescente a essência de baunilha. Espere esfriar e misture o creme de leite. Separe 1/3 da mistura e reserve. No creme restante, misture o chocolate amargo derretido. Em um refratário médio, coloque metade do creme de chocolate no fundo. Leve ao congelador por 15 minutos, retire e cubra com o creme branco. Distribua a castanha de caju, volte mais 10 minutos ao congelador e cubra com o creme de chocolate restante. Derreta o chocolate ao leite, em banho-maria, e espalhe sobre o creme. Leve à geladeira por 2 horas antes de servir.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Persona - Millôr Fernandes

Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 1923 - Rio de Janeiro, 27 de Março de 2012)

Algumas das frases fantásticas do Millôr:

-“O cadáver é que é o produto final. Nós somos apenas a matéria prima.”
-“O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.”
-“Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem.”
-“O otimista não sabe o que o espera.”
-“O dedo do destino não deixa impressão digital.”
-“Sabemos que VOCÊ, aí de cima, não tem mais como evitar o nascimento e a morte. Mas não pode, pelo menos, melhorar um pouco o intervalo?”
-"A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho."

Fragmentos - "Arroz de Palma"

“Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema - principalmente no Natal e no Ano-Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Ás vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida - azeitona verde no palito - sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano - quem diria? - solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este, o mais gordo e generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero ou do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e a cebola. Não se envergonhe se chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, essas especiarias - que quase sempre vêm da África e do oriente e nos parecem estranhas ao paladar - tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe "Família à Oswaldo Aranha", "Família à Rossini", "Família à Belle Meunière" ou "Família ao Molho Pardo" - em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é "À Moda da Casa". E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras, apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada - seriam assim um tipo de "Família Diet", que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Há famílias, por exemplo, que levam muito tempo para serem preparadas. Fica aquela receita cheia de recomendações de se fazer assim ou assado - uma chatice! Outras, ao contrário, se fazem de repente, de uma hora para outra, por atração física incontrolável - quase sempre de noite. Você acorda de manhã, feliz da vida, e quando vai ver já está com a família feita. Por isso é bom saber a hora certa de abaixar o fogo. Já vi famílias inteiras abortadas por causa de fogo alto.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia-a-dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente, na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.”
(Francisco Azevedo , em "Arroz de Palma ")

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dica de Leitura - O deserto dos tártaros

Leitura instigante. Você não para enquanto não chega ao final. Narra a história de Giovanni Drogo, um soldado à espera de uma batalha que nunca acontece. Verdadeira alegoria da condição humana numa história comovente e misteriosa. É considerada a obra-prima do escritor italiano Dino Buzzati, que em suas obras usa e abusa do jogo dos símbolos, da viagem para o desconhecido como busca do conhecimento. Imperdível!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Você sabia? - Dia Mundial da Poesia

Dia Mundial da Poesia
Outro dia, 14 de Março, foi o Dia Nacional da Poesia, hoje é o Dia Mundial (Internacional) da Poesia.
O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de Março, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999. O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.
Sabe quem me contou? Clique na imagem abaixo e veja.

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