terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dica de onde ir - 31a. FETIN

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Santa Rita é notícia - Conheça 10 cidades brasileiras para abrir empresas de tecnologia

Conheça 10 cidades brasileiras para abrir empresas de tecnologia


Abrir uma empresa de tecnologia é o sonho de muitos jovens. Mas nem todo lugar oferece o ambiente ideal para começar esse tipo de negócio negócio. O UOL consultou especialistas que listaram dez cidades brasileiras para investir em empresas de tecnologia.
Para a escolha, o analista Athos Vinícius Valladares Ribeiro, do Sebrae Nacional, e os consultores de negócios Cláudio Marinho e Sidney Severini Júnior levaram em conta cidades que unem oportunidades, incentivo e infraestrutura por abrigarem universidades, institutos de pesquisa, incubadoras de negócios e grandes empresas. Foram destacados novos polos, como Campina Grande (PB), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Itajubá (MG), que tem um parque tecnológico em implantação, e polos tradicionais como o de São José dos Campos (SP) e Florianópolis (SC).

Belo Horizonte (MG)
A capital mineira, que tem um escritório do Google, está investindo em tecnologia. No campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), funciona o parque tecnológico, cujo foco de atuação são softwares e biotecnologia.

Campina Grande (PB)
A cidade tem um parque tecnológico, três universidades públicas e uma incubadora de empresas. Lá, está o TecOut Center, centro criado em parceria com a China para internacionalização de tecnologia. As áreas de atuação são software, hardware e comunicação digital.

Florianópolis (SC)
A cidade abriga mais de 600 empresas de tecnologia, quatro fundos de venture capital (capital de risco), duas incubadoras de negócios e um parque tecnológico. As principais áreas são: software, hardware e serviços de tecnologia.

Itajubá (MG)
A prefeitura concede benefícios fiscais para empresas se instalarem. Conta com a Unifei (Universidade Federal de Itajubá) e uma incubadora de empresa. Um parque tecnológico está em fase de implantação. Destacam-se as áreas eletroeletrônica, mecânica e informática.

Recife (PE)
A capital pernambucana tem o maior parque tecnológico do país, o Porto Digital, com uma incubadora de negócios e mais de 200 empresas instaladas. Atua nas áreas de softwares, games, multimídia e tecnologia ligada à comunicação.

Rio de Janeiro (RJ)
A “Cidade Maravilhosa” tem um parque tecnológico e duas grandes universidades com incubadoras: a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Energia e combustíveis são as principais atividades.

São Carlos (SP)
Possui um parque tecnológico – o Science Park – com duas incubadoras de empresas, duas universidades: USP e UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e dois centros de pesquisa ligados à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Os setores de destaques são: óptica, química fina e tecnologia para a agropecuária.

São José dos Campos (SP)
A cidade conta com um parque tecnológico, um campus da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e a Embraer. Destaca-se nas áreas de aeronáutica, energia e tecnologia para saúde e meio ambiente.

São Paulo (SP)
Maior cidade brasileira e principal destino dos escritórios empresariais. Conta com universidades e incubadoras de negócios, com destaque para USP (Universidade de São Paulo). Tem potencial de atuação em todas as áreas.

Santa Rita do Sapucaí
Conhecida como “Vale da Eletrônica”, o município de apenas 37,7 mil habitantes conta com duas incubadoras de empresas, o Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações). As áreas mais promissoras são de eletroeletrônicos e informática.
(Fonte: Afonso Ferreira – UOL em 04/10/2012)

Minas são muitas - Simão Pereira

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa) 

Simão Pereira

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória - Foto do Miguel

Região: Zona da Mata
Padroeira: Nossa Senhora da Glória
Festa da Padroeira: 15 de Agosto


Localização


História

A origem da formação do Município nos remete ao ano de 1699, com o início da abertura do Caminho Novo ou Caminho Novo de Garcia Rodrigues Paes que é uma das Estradas Reais surgidas no século XVIII.
Este caminho só foi concretizado por volta de 1707, por Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes, estendendo-se da cidade do Rio de Janeiro até à região mineradora, passando por Vila Rica, e de lá até ao Arraial do Tijuco, atual Diamantina.
Dessa forma, a Coroa tentava combater o contrabando e o tráfico deste produto por outros caminhos e encurtar o caminho até a Corte.
O nome da cidade é uma homenagem ao apontador de campo de Garcia Paes, Simão Pereira de Sá, a quem foi dada a posse da primeira sesmaria concedida por Carta Régia.
A antiga Freguesia de Nossa Senhora da Glória foi criada e o primeiro arraial estava situado em terras da atual Fazenda Boa Sorte, à margem do então Caminho Novo.
Este nome permaneceu até 1858 quando foi substituído por São Pedro de Alcântara, numa homenagem ao desembargador Pedro de Alcântara de Cerqueira Leite, o Barão de São João Nepomuceno.
Integrou o município de Juiz de Fora e, posteriormente, o de Matias Barbosa. Emancipou-se em dezembro de 1962.

Datas Históricas

1852 – Criado o Distrito com a denominação de São Pedro de Alcântara, subordinado ao município de Juiz de Fora.
1923 - O distrito de São Pedro de Alcântara foi transferido do município de Juiz de Fora para constituir o novo município Matias Barbosa.  
1943 - O distrito de São Pedro de Alcântara tomou a denominação de Simão Pereira. 
1962 - Elevado á categoria de município com a denominação de Simão Pereira e desmembrado de Matias Barbosa.

O município

Simão Pereira é um município do estado de Minas Gerais. O município tem uma área de 135,68 km2 e uma população, em 2010, de 2.537 habitantes.
A sua atividade econômica baseia-se na agropecuária. 

Blog: Faltam 778 municípios.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dica de diversão - III Encontro de ex-alunos da ETE

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Minas são muitas - Santa Rita de Jacutinga


“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa) 

Santa Rita de Jacutinga

Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia - Foto do Miguel

Região: Zona da Mata
Padroeira: Santa Rita de Cássia
Festa da Padroeira: 22 de Maio


Localização


História

O local onde está situada a cidade de Santa Rita de Jacutinga pertencia às antigas Áreas Proibidas do Sertão da Mantiqueira. Seus primitivos habitantes foram os índios tupinambás, localizados na cachoeira das Areias, no Pico do Papagaio, no Alto Monte Calvário, etc. 
A presença dos silvícolas na região foi diminuindo gradativamente até 1800, com o aparecimento do homem civilizado. Hoje existem alguns lugares com nomes indígenas: Itaboca e Pirapetinga.
Francisco Rodrigues Gomes é considerado o fundador do povoado que deu origem à atual cidade, tendo construído sua casa por volta de 1832, num dos claros da floresta que cobria os morros ali existentes. De sua residência se descortinava largo panorama e daí o nome Boa Vista dos Gomes, que ainda hoje designa as terras que a circundam.
Procedente de Santa Rita de Ibitipoca, sua terra natal, Francisco Rodrigues Gomes trouxera consigo, para a nova região em que se instalara, uma imagem de Santa Rita e sua presença na localidade fez com que seus moradores passassem a chama-la de Santa Rita.
Devido à existência de grande quantidade da ave denominada “Jacutinga”, os habitantes, mais tarde, ampliaram o nome do novo povoado, que passou a ser conhecido, então, como Santa Rita de Jacutinga.
Atraídos pelas notícias a respeito da riqueza da zona e pelos laços de amizade que as ligaram ao seu fundador, numerosas famílias como os Osórios, os Caetanos, os Ferreira, os Brandão e outras se dirigiram para o novo povoado e aí fixaram residência, tendo contribuído largamente, para o desbravamento do município. Dedicaram-se, inicialmente, à extração de ouro e, mais tarde, à agricultura, com o emprego de processos rudimentares de trabalho.
Francisco Tereziano Fortes, instalando a fazenda Santa Clara, abria novos rumos à região, melhorando os processos de exploração agrícola e pecuária. A cidade foi então, crescendo rapidamente, foram fundadas várias fazendas e Francisco Rodrigues Gomes obteve diversas terras por intermédio de Francisco Dionísio Fortes, guardamor do Rio Preto. Com o passar do tempo a agropecuária foi ganhando força no município, porém a população da zona rural passou a concentrar-se no perímetro urbano em busca de melhores condições de vida e renda.

Datas Históricas

1859 – Criado o Distrito com a denominação de Jacutinga, subordinado ao município de Rio Preto.
1923 – O distrito de Jacutinga tomou o nome de Santa Rita de Jacutinga.
1943 - Elevado à categoria de município com a denominação de Santa Rita de Jacutinga e desmembrado de Rio Preto. 

O município

Santa Rita de Jacutinga é um município do estado de Minas Gerais. Ocupa uma área de 420,94  km² e tinha, em 2010, uma população de 4.993 habitantes.  
Na divisa de Minas com o Rio de Janeiro, Santa Rita de Jacutinga começa a ser descoberta pelos fãs do turismo rural e da aventura. Emoldurada por montanhas, construções históricas e quedas d'água, briga com razão pelo título de Cidade das Cachoeiras. São 72 cadastradas.
A profusão está diretamente ligada ao Rio Preto, o principal a banhar Santa Rita e responsável pela beleza do cartão-postal da região: o cânion do Boqueirão. Uma fenda de mais de 40 metros de altura esculpida ao longo de milhões de anos pelas águas do Rio Pirapetinga. É a Cachoeira do Boqueirão, uma das mais bonitas de todo o estado.
Nas estradas da região é possível ver as fazendas centenárias da época do café. A Fazenda Santa Clara é uma das mais tradicionais que melhor retratam a época dos barões do café. São seis mil metros de área construída. Tudo lá tem relação com os números do calendário: 365 janelas (um terço delas é apenas pintura), 52 quartos, 12 salões que são a quantidade de dias, semanas e meses do calendário.
A fazenda chegou a ter 2.400 escravos. Os rebeldes eram castigados na masmorra, embaixo da casa. Durante boa parte do século XIX toda essa região cercada por fazendas centenárias era chamada pela coroa portuguesa de sertão proibido. Isso porque era proibido caçar, extrair ouro ou madeira.
Várias lendas cercam a fazenda. Uma delas dizia que embaixo de uma construção havia uma imensa jazida de ouro. A fazenda, que foi construída há em 1750, hoje é aberta somente à visitação.
"É a única fazenda da América Latina que tem um terceiro andar de obra, porque os angolanos quando vieram pro Brasil trazendo uma cultura francesa muito boa de obra. Então essa parte desligada do chão foi feita pelos angolanos. Feita não, orientada pelos angolanos. É a única fazenda que tem um terceiro andar, ar condicionado natural e uma usina hidrelétrica", conta Adélia Nogueira, dona da fazenda.
A culinária segue a tradição mineira com algumas adaptações como o frango com palmito. Quem visita a cidade não pode deixar de experimentar a torta de queijo minas.

Blog: Faltam 779 municípios.

Na vitrola aqui de casa - A thousand kisses deep

Santa Rita é notícia - Crescimento surpreende no Vale da Eletrônica


Crescimento surpreende no Vale da Eletrônica

Faturamento deve subir 23% em 2012. 

A substituição de componentes eletrônicos importados por similares nacionais deverá garantir um crescimento acima das expectativas para as empresas do Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. As projeções são de incremento de 23% no faturamento na comparação com o ano passado, de acordo com o presidente Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto.
No início deste ano, as projeções da entidade apontavam para a manutenção no ritmo de crescimento verificado em 2011, quando as empresas instaladas na região registraram aumento de 13% no faturamento em relação ao ano anterior.
Entre os fatores que estão impulsionando os negócios das empresas do Vale da Eletrônica está a valorização do dólar frente ao real. O presidente da entidade explica que a alta cambial inibe as compras externas dos produtos eletrônicos, além de gerar receio por parte de importadores em formar estoques para atender à demanda interna. Isto se dá em função do risco de prejuízo com o produto estocado diante de uma provável queda na cotação da moeda norte-americana.
Dessa forma, com baixo volume de componentes importados no estoque, alguns importadores não estão atendendo aos pedidos das indústrias que acabam por optar pelos produtos fabricados no Vale da Eletrônica. De acordo com Souza Pinto, a tendência é a continuidade desta substituição, pois há também a conscientização que os produtos nacionais são seguros e a produção interna pode atender à demanda.
Segundo o dirigente, é verificado um aumento na qualidade dos produtos fabricados no Sul de Minas. Com a maior demanda, as empresas estão buscando a homologação de seus componentes nos órgãos competentes.

Empregos - Sem revelar números, Souza Pinto afirma que também há um crescimento significativo na contratação de trabalhadores por parte das empresas do Vale da Eletrônica. Ele lembra que o aumento é registrado mesmo em meio ao cenário adverso na economia internacional.
O Vale da Eletrônica deverá se tornar nos próximos anos também em um fornecedor da indústria bélica nacional. De acordo com o presidente do Sindivel, as empresas estão se preparando para atuar no segmento. "Entre 15 meses e 24 meses vamos nos tornar potenciais fornecedores das Forças Armadas", prevê.
Em março deste ano, representantes do Ministério da Defesa, a convite da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), estiveram no município para prospectar novos fornecedores. Em função do processo de reestruturação, fortalecimento e expansão do sistema de defesa nacional, que envolve uma série de medidas governamentais, como, por exemplo, o plano Brasil Maior, lançado no ano passado, que concede benefícios à indústria de defesa, oportunidades devem ser criadas.
Entre os componentes produzidos no Vale da Eletrônica e que podem ser utilizadas pela Forças Armadas estão sensores e sistemas de segurança. Um exemplo, é um sistema de guiamento a laser que é desenvolvido por um empresa de Santa Rita do Sapucaí.
Conforme já publicado, no ano passado, o faturamento do Vale da Eletrônica chegou a R$ 1,7 bilhão. O resultado superou em 13% o do ano anterior, que havia sido de R$ 1,5 bilhão.
(Rafael Tomaz – Diário do Comércio em 05/10/2012)

Persona - John Lennon

John Winston Lennon (Liverpool, 9 de Outubro de 1940 – Nova Iorque,8 de Dezembro de 1980) 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Na vitrola aqui de casa - Coração ateu

Historinhas - Mestras Queridas

Mestras Queridas

“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais...”
(Rubem Alves Em “A alegria de ensinar”)


Existem pessoas que passam pela nossa vida e ficam para sempre. Se na nossa caminhada dermos uma olhadinha para trás, certamente veremos seus passos marcados na nossa estrada. Na minha estrada, com partes em linha reta e sem emoções e outras cheias de curvas e sobressaltos, estão lá, sempre ao meu lado, as pegadas firmes e as mãos amigas de minhas professoras. Elas me ajudaram a descobrir o mundo, a me encantar diante dele e a não ter a pretensão de querer entendê-lo completamente. Antes de mais nada, ensinaram-me a viver e a conviver.
Ainda menina, se me perguntavam o que queria ser quando crescesse, eu sempre respondia:
_Quero me casar e depois ser professora.
Todo mundo achava graça, mas minha resposta era fruto de muito pensar e deduzir. Até o final do antigo curso primário, todas as minhas professoras eram solteiras. Então, para mim esta era a lei: professora não se casava. Passado algum tempo, minha lógica infantil caiu por terra - todas elas se tornaram esposas e mães dedicadas. Acabei não levando a teoria em conta e fui professora durante alguns dos melhores anos de minha vida e só depois me casei.
Esta não foi a primeira vez que criei lógicas ilógicas. Um dia, brincando na casa de uma colega, olhei para o relógio e disse:
_ São quinze para as três. Tenho que ir. Minha mãe marcou que devo chegar às três horas.
_ Mas nós estamos no horário de verão. Três horas, na verdade são duas horas. – explicou minha colega.
Como tinha ouvido falar no tal horário de verão, logo deduzi: se três horas são duas, duas é uma hora, uma são meio-dia e assim por diante. Fiquei maravilhada! Fui dando ré no meu pensamento e achando a ideia fantástica. Por que não tinham pensado nisto antes? Tinham inventado o “não-tempo”, o fundo sem fundo do mundo. Agora todo mundo era livre, sem as amarras do tempo.    Eu já nem precisava mais sonhar em ter um relógio. Pra que? Se sempre que eu olhasse para ele, não era o que eu pensava. Fiquei lá brincando até a hora que me deu vontade. Quando voltei para casa, levei umas boas palmadas pelo atraso. Tentei explicar minha teoria, mas mãe com raiva não aceita explicação.
Aos poucos, fui percebendo que minha lógica nem sempre tinha lógica e até hoje tenho o pé atrás com a dita cuja.
Voltemos à caminhada.
Na minha estrada, os passinhos e a companhia de Dona Darlene Vono aparecem repetidos várias vezes. Foi minha primeira e inesquecível mestra. Era uma jovem baixinha com óculos de gatinho, iniciante no magistério. Cheia de sonhos e de um amor infindável pela educação.
No meu primeiro dia de aula, detestei tudo. Como já sabia ler e escrever, fruto das brincadeiras de escolinha com as irmãs mais velhas, pensava que, no grupo escolar, iria ter contato com mil coisas ainda não vistas. Que decepção! Os exercícios de controle motor eram monótonos e sem atrativo algum. Foi ela quem conseguiu transformar tudo aquilo em prazer. Além de ensinar as primeiras letras, tinha um grande trunfo que tirava da cartola e a tornava a mais apaixonante das mestras: sabia tocar acordeão (em Santa Rita sempre falávamos acordeom). E as músicas infantis eram acompanhadas pelo som dos seus dedos correndo pelo teclado de um lado e por aquelas bolinhas do outro. Que mágica! Quem neste mundo tinha professora mais interessante que eu? Claro que ninguém!
Ensaiou quatro alunas (Lelé, Maria Rita, Maria Vitória e eu) para uma coreografia com a música Bigorrilho. Lembro-me até hoje: saia vermelha, blusa branca e lenço também vermelho nos cabelos. Até hoje sei a coreografia. Foi um sucesso santa-ritense. Viramos arroz-doce de festa. Apresentávamos em todas as solenidades, de homenagem a padres até formaturas. Havia festa? Lá estava o quarteto Bigorrilho ao som de Darlene e seu acordeom.
Aparecem agora, por dois anos seguidos, os passos de Dona Vilma Pivoto com seus óculos de lentes verde e uma paciência de fazer inveja a Jó. Tinha uma tática sábia para manter-nos calados: colocava sempre um menino sentado junto com uma menina na carteira para dois lugares. Foi com ela que tomei gosto pela Matemática. Conseguia tornar tudo simples e claro utilizando o nosso cotidiano. Nos problemas, hoje chamados de situações matemáticas, encenávamos compras de cinco doces de banana na venda do Sr. Elias, de dois quilos de arroz na mercearia do Sr. Urbano.  Pagávamos com dinheiro de papel recortado, recebíamos o troco e aprendíamos a “matéria terrível” brincando.  Só depois fiquei sabendo que isto se chamava didática.
No último ano do curso primário, fui aluna da Dona Neide Constanti. Calma, tranquila. Até hoje, lembro-me de seus olhos e suas olheiras. Acho que é porque foi minha primeira professora que não usava óculos.
Agora era estudar, estudar e estudar para o Exame de Admissão. Era como se fosse um vestibular para ingressar no ginásio. As matérias vinham num livro muito grosso e aterrorizante. Era difícil, tínhamos que saber de cor e salteado as capitais de todos os países do mundo, História do Brasil de cabo a rabo, Português, Matemática e Ciências.  Tia Marita salvou os sobrinhos reunindo todos em sua casa para seus ensinamentos preciosos. Foi uma mestra extra classe, mas mesmo assim inesquecível e por quem tenho grande admiração e respeito.
Cheguei ao ginásio! Mudei de escola. Deixei, com saudades, o Grupo Escolar Sanico Telles, que minhas irmãs mais velhas chamavam pejorativamente de “grupinho de lata” e entrei na Escola Normal Oficial Sinhá Moreira. Tudo novo, tudo em dimensões imensas (até no nome pomposo) para meus olhos ainda muito pequenos.
Vejo passos de duas pessoas que caminham juntas. São Dona Didi Gaudino e Dona Maria José Souza. Duas “feras”. Eram pintadas pelas alunas mais velhas do colégio como duas personagens terríveis. E não eram. Sabiam TUDO que ensinavam e cobravam TUDO que haviam ensinado. Apenas isto.
Passei por elas sem grandes traumas, mas com muitas lembranças.
Recordo como minhas pernas tremiam quando Dona Didi balançava uma sacolinha com números de víspora para sortear as quatro “vítimas” para a temida arguição oral. Não importava qual fosse meu número de chamada, parecia que havia um imã – o disco com meu número “pulava” para a mão dela, enquanto as outras meninas respiravam aliviadas.
Sua primeira prova foi-nos entregue, depois de corrigida, com a seguinte recomendação:
_ Confiram as notas. Não aceito reclamações posteriores.
Somei, “resomei”, “milisomei” os pontos e não consegui chegar aos 8,5. E agora?
_ Professora, minha nota não é 8,5.
_ Como não?
_ É 7,5.
Gargalhadas e mais gargalhadas. Deve ser por isso que outro dia, depois de mais de trinta anos sem vê-la, me chamou pelo nome. Como poderia esquecer esta maluca?
De Dona Maria José Souza, também, as lembranças são muitas. Na nossa juventude não existiam as famosas chapinhas de hoje, mas a moda eram os cabelos lisos, esticados sem nenhuma ameaça de onda. Quem não se lembra da mão de obra que era para quem não teve a graça divina de ter nascido com eles assim? Costumávamos fazer um penteado que era chamado “touca” para deixá-los esticados. Depois de enrolá-los ao redor da cabeça, colocávamos um pedaço de meia de seda, herdada da mãe, ou um saquinho de rede rosa que servia de invólucro para maçãs. Para ir ao colégio tínhamos que colocar, por cima, um lenço preto. Antes da aula da Dona Maria José Souza era um deus nos acuda. Todo mundo soltando os cabelos, porque ela adorava mandar ao quadro quem estivesse usando lenço. Consigo ouvir sua voz um tanto grave:
_ Pula violeta! Você de lenço, vá ao quadro.
Quem se arriscaria?
Além da Matemática, ela também gostava das palavras. Todos os dias, escrevia ou mandava que alguém escrevesse no alto do quadro negro um aforismo. No primeiro dia de cada ano, quem escrevia era ela, com sua letra linda: “Sê perfeito em tudo que fizeres” (Tales de Mileto). Nem sei se esta frase é mesmo dele, mas para mim ficou sendo. E, no meu caderno, entre fórmulas e teoremas, existiam frases lindas. Foi assim que comecei a gostar das palavras e vem daí minha mania de sublinhar o que gosto nos livros.
Olhando bem a minha estrada volto a ver Dona Darlene. Agora um pouco diferente, cheia de biquinhos e fricotes, me ensinando Francês. Acabo o ginásio e vou para a ETE e, lá, a reencontro lecionando Português.
Da faculdade, Univás, nunca vou me esquecer da professora Mírian dos Santos, de literatura brasileira. Foi quem me ensinou a ler além das palavras que estão escritas nos livros. Deu-me a clareza da vista, iluminou meu olhar e me despertou para a leitura feita com a alma e o coração. Fez-me ter memória e a admirar o passado e as marcas que o tempo faz em nós. Por isso, hoje, sou capaz de enxergar a importância que minhas mestras tiveram em minha formação e sentir, por elas, gratidão eterna.


domingo, 7 de outubro de 2012

Historinhas - 80 anos de minha mãe


O que é família senão uma ciranda?
Uma ciranda que começa com apenas duas pessoas. Aos poucos, outras pessoas vão entrando nesta roda. Todos sempre de mãos dadas, um apoiado no outro e também apoiando o outro. Assim vão sendo formados os elos de uma corrente, os elos do afeto e da união indispensáveis pela manutenção da família. 
Foi assim também na nossa família. Primeiro papai e a senhora com seus sonhos de juventude, planos e principalmente um grande amor a uni-los. Foram chegando os filhos e entrando na ciranda. Quando uma mãozinha ia se tornando mais firme, já entrava outra que mal sabia segurar na mão do lado. E a roda foi crescendo, até ter nove pessoas unidas por um amor cada vez maior. Com as bênçãos de Deus íamos girando na grande roda da vida. Palmadas? Foram necessárias muitas para nos colocar de volta no caminho certo. Lutas? Tiveram que ser constantes, para que conseguissem alimentar, vestir e estudar os filhos. Atropelos? Certamente existiram muitos, mas nenhum capaz de acabar com a nossa união.  
Depois foram chegando outros membros, os genros, a nora, os netos. Sem que esperássemos alguns, alheios a nossa vontade, se escaparam da nossa ciranda. Foram fazer parte da ciranda maior, da roda de Deus. E quando isto aconteceu, foi a senhora e papai quem conseguiram fazer a religação do elo rompido. Com a demonstração de fé nos mostraram que a vontade de Deus deve ser sempre respeitada e aceita sem desespero, mas com resignação. E de lá, da casa de Deus, certamente eles continuaram olhando e ajudando para que permanecêssemos sempre ligados. E nessas horas de dor, ficamos ainda mais unidos.

Mamãe, hoje, estamos aqui, juntos, para comemorar seus 80 anos. Mais do que comemorar, queremos agradecer. Agradecer porque a senhora e papai conseguiram fazer nós pessoas trabalhadoras e honradas. Agradecer porque conseguiram nos manter unidos, irmãos não apenas pelo sangue, mas pelo respeito e pelo afeto. Agradecer porque, principalmente, fizeram de nós uma grande família nesta grande ciranda da vida.

Blog: Texto que escrevi para minha mãe em 25/04/2012.

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