domingo, 30 de junho de 2013

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Nuno Júdice

Tarde com sol
As coisas simples dizem-se depressa; tão depressa
que nem conseguimos que as ouçam. As coisas
simples murmuram-se; um murmúrio
tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.

As coisas simples escorrem pela prateleira
da loja; tão ao de leve que ninguém
as compra. As coisas simples flutuam com
o vento; tão alto, que não se vêm.

São assim as coisas simples: tão simples
como o sol que bate nos teus olhos, para
que os feches, e as coisas simples passem
como sombra sobre as tuas pálpebras.
(Nuno Júdice)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Persona - Anne Frank

Annelies Marie Frank - Anne Frank (Frankfurt, 12 de Junho de 1929 – Bergen-Belsen, Março de 1945)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Mia Couto

Anseios
Só quero lembrar
se o tempo for todo meu.

Só anseio lembrança
se não houver passado.

Bruma e espuma,
apagam o tempo em que não amei.

E eu amei
para ser tudo, todos, sempre.

Para te visitar
esquecerei a terra
e apagarei as estrelas.

E irei pelos teus olhos,
até o mundo voltar a ter princípio.

Sou eu, dirás,
E o tempo será lembrado.
(Mia Couto)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Que vaca não ficaria louca?

Alemanha abandona uso de sua palavra mais longa

O idioma alemão perdeu sua mais longa palavra graças a uma mudança numa lei de conformidade da União Europeia (UE).
"Rindfleischetikettierungsueberwachungsaufgabenuebertragungsgesetz", que significa "lei que delega monitoramento de rotulação de carne", foi introduzida em 1999 no Estado de Mecklenburg-Oeste Pomerania.
A palavra perdeu razão para ser usada após mudanças na regulamentação de testes em gado de corte.
Na Alemanha é notório o uso de palavras compostas (sem hifens ou espaços), frequentemente para descrever termos da área científica ou do meio jurídico.
A palavra de 64 caracteres foi criada para ser usada no contexto dos esforços para combater a chamada "doença da vaca louca" ou BSE (do acrônimo inglês bovine spongiform encephalopathy).
Mas depois que a UE pediu o fim dos testes em gado saudável nos abatedouros europeus, a palavra saiu de uso.
A imprensa alemã busca agora outras candidatos a palavra mais longa do idioma.
Entre as concorrentes, está "Donaudampfschifffahrtsgesellschaftskapitaenswitwe", que significa "viúva de um capitão da companhia Donau de navios a vapor".
Entretanto, especialistas dizem que palavras tão longas como estas são raramente utilizadas e dificilmente entrarão no dicionário alemão.
A mais longa palavra que já foi incorporada no dicionário alemão é a "Kraftfahrzeughaftpflichtversicherung", que significa "seguro obrigatório de automóvel".
(Fonte: BBC Brasil em 04/06/2013 )

domingo, 19 de maio de 2013

Coisas que um bom mineiro não pode deixar de fazer - 23 - Comer o Pão Cheio de Santa Rita do Sapucaí.


23 - Comer o Pão Cheio de Santa Rita do Sapucaí.
Se no nosso dia a dia, o pãozinho com manteiga já é uma tradição deliciosa, imagine pôr na mesa um pão bem recheado. O quadro ‘Todo Sabor’ mostra uma especialidade mineira, ensinada por uma família de padeiros de Santa Rita do Sapucaí, o Pão Cheio.

Pão cheio
500 ml de água em temperatura ambiente
500 ml de leite em temperatura ambiente
300 ml de óleo de soja
200g de margarina em temperatura ambiente
5 ovos
1 colher (sopa) de sal (25g)
40g de fermento biológico (para pão)
1 kg de farinha de trigo
Gema para pincelar
Preparo:
- Em uma bacia ou vasilha bem funda, misture o leite, a água, os ovos, o óleo, o fermento, o sal e a margarina, misturando bem com um batedor, mas sem bater a massa.
- Vá juntando a farinha aos poucos, sempre misturando bem, até obter uma massa mole e homogênea, que lembra uma massa de bolo, só que mais firme. Deixe descansar por 15 minutos.
- Unte com margarina duas formas redondas, de 30cm de diâmetro, e reserve.
- Coloque o equivalente de duas conchas e meia de massa nas bases das assadeiras; recheie a gosto (calabresa defumada, frango refogado, presunto e queijo, escarola, carnes variadas), cuidando para que o recheio não encoste nas laterais da forma.
- Cubra com mais duas medidas e meia de massa (sempre usando a mão como concha/medida), alise delicadamente a superfície e pincele as gemas para corar a massa.
- Leve ao forno a 150 graus e deixe assar bem devagar, para que cozinhe por igual.
- Retire do forno, deixe amornar e vire sobre um prato grande na hora de servir.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Maria do Rosário Pedreira

Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti. 

Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis 
que alagamos de beijos quando eram outras horas 
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse 
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa 
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia 
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu 
tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa 

que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu, 
trazem entre as penas a saudades de um verão carregado 
de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas 
brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores 
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara 
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre 
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes 
a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me 

a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem 
toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me 
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos 
como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois 
os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar 
para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando 
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu, estrelas 
que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol, 
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor. 

(Maria do Rosário Pedreira)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Antonio Cícero

Canção da alma caiada

Aprendi desde criança
Que é melhor me calar
E dançar conforme a dança
Do que jamais ousar

Mas às vezes pressinto
Que não me enquadro na lei:
Minto sobre o que sinto
E esqueço tudo o que sei.

Só comigo ouso lutar,
Sem me poder vencer:
Tento afogar no mar
O fogo em que quero arder.

De dia caio minh'alma
Só à noite caio em mim
por isso me falta calma
e vivo inquieto assim.
(Antonio Cicero)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Caio Fernando Abreu

Faz anos navego o incerto.
Não há roteiros nem portos.
Os mares são de enganos
e o prévio medo dos rochedos
nos prende em falsas calmarias.
As ilhas no horizonte, miragens verdes.
Eu não queria nada além
de olhar estrelas
como quem nada sabe
para trocar palavras, quem sabe um toque
com o surdo camarote ao lado
mas tenho medo do navio fantasma
perdido em pontas sobre o tombadilho
dou a face e forma a vultos embaçados.
A lua cheia diminui a cada dia.
Não há respostas.
Queria só um amigo onde pudesse jogar o coração
como uma âncora. 
(Caio Fernando Abreu)

Persona - Frank Sinatra

Francis Albert "Frank" Sinatra, (Hoboken, 12 de Dezembro de 1915 – Los Angeles, 14 de Maio de 1998) 

Na vitrola aqui de casa - Imagine

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