quarta-feira, 24 de junho de 2015

Santa Rita é notícia - Entenda por que Santa Rita do Sapucaí é uma potência tecnológica em Minas

Entenda por que Santa Rita do Sapucaí é uma potência tecnológica em Minas 

Santa Rita do Sapucaí, no Sul de MG, tem 40 mil habitantes e 153 empresas inovadoras. Ali, união entre academia, indústria e governo é a receita para a fórmula do sucesso

Cidade encrustrada entre montanhas teve incentivo de criar polo de tecnologia nos idos de 1950, assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos 

 Todo dia, em média, três novas tecnologias de ponta saem do forno de indústrias da pequena Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, prontas para entrar no mercado mundial. Lá, a tranquilidade típica do interior contrasta com o ritmo acelerado das inovações. O município de apenas 40 mil habitantes abriga o Vale da Eletrônica, formado por três instituições de ensino e 153 empresas de setores que vão da informática à telecomunicação. Não por acaso, o lugar é comparado ao Vale do Silício, polo tecnológico na Califórnia, nos Estados Unidos, criado na mesma época, nos anos 1950. Mais de 13 mil produtos são fabricados na cidade mineira, que deixou parte da tradição do café e do leite para se enveredar no universo dos fios, placas e softwares. Desde então, Santa Rita criou filhos ilustres, como a urna eletrônica, o chip do passaporte eletrônico e o transmissor de TV digital nacional, para citar apenas três deles. Somente no ano passado, o Vale da Eletrônica, situado entre as montanhas que cercam o Rio Sapucaí, faturou R$ 3 bilhões. “Somos o maior polo tecnológico de eletroeletrônica do Brasil e único cluster maduro da área no país”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto. Significa dizer que Santa Rita do Sapucaí reúne toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa, o desenvolvimento até a fabricação do produto.

 
E o Vale da Eletrônica não para de lançar equipamentos e tecnologias de olho nas demandas do mercado nacional e internacional – a região exporta produtos para 41 países. No mês passado, empresas santa-ritenses apresentaram em São Paulo, na Exposec, maior feira da América Latina do setor de segurança eletrônica e patrimonial, as mais modernas tecnologias do setor desenvolvidas no Sul de Minas. Estão entre elas uma central de alarmes em miniatura com 400 sensores e um filtro de linha que elimina o consumo stand-by de aparelhos eletrônicos e chega a economizar até 15% de energia. A precursora desse processo de inovação foi a santa-ritense Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira. Mulher viajada e à frente de seu tempo, ela fundou no município, em 1959, a Escola Técnica de Eletrônica (ETE), primeira de nível médio da América Latina. Seis anos depois, foi criado o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), primeiro centro de ensino e pesquisa a oferecer curso superior na área de telecomunicação. Para completar, também se estabeleceu na cidade a FAI, centro de ensino superior em gestão, tecnologia e educação.

 
A formação de estudantes empreendedores, ligados à área de tecnologia e inovação, foi passo decisivo para impulsionar o polo eletroeletrônico em Santa Rita do Sapucaí. Atualmente, o Vale da Eletrônica emprega 14 mil trabalhadores, muitos formados pelas instituições de ensino do município. “A expansão da educação plantou uma semente em Santa Rita que permitiu a transformação da realidade”, afirma o diretor do Inatel, Marcelo de Oliveira Marques, que comemora os 50 anos da instituição. Roberto Souza Pinto reforça que a primeira empresa da cidade, que atualmente pertence a uma multinacional japonesa, surgiu dentro da escola técnica. “Isso quando nem se falava em incubadora de empresas. Santa Rita é uma fábrica de fábricas”, afirma. “Hoje, Santa Rita é a menina dos olhos do Brasil. Os empresários são técnicos, têm mestrado, doutorado. A empresa tem mercado, produto, gestão”, diz. O presidente do Sindvel atribui o sucesso da região a uma “tríplice hélice”, formada por academia, indústria e governo. “Esses grandes diferenciais do vale só são possíveis e viáveis por meio dos benefícios oferecidos pelo governo e, caso eles se extirpem, a geração de renda, de emprego e os ganhos serão repassados para outros países que detiverem uma tecnologia parecida e mais competitividade. Se não há incentivo fiscal, não há competitividade”, afirma.

Fonte: Flávia Ayer – Estado de Minas em 22/06/2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

Santa Rita é notícia - Com R$ 160, estudantes criam projeto que monitora gasto de água

Com R$ 160, estudantes criam projeto que monitora gasto de água 

Com aplicativo, usuários podem determinar quanto pretendem gastar. 
Ideia foi criada na ETE de Santa Rita do Sapucaí e já recebeu prêmios. 

Veja vídeo aqui.

Com apenas R$ 160, três estudantes da Escola Técnica de Eletrônica (ETE) de Santa Rita do Sapucaí (MG) criaram um projeto que facilita o monitoramento de consumo de água e auxilia a população durante os tempos de escassez. O equipamento criado por eles é capaz de controlar os gastos e ainda gerar pequenas quantidades de energia elétrica para ajudar na iluminação da casa. 
 O mecanismo é simples: ele pode ser implantado na tubulação de água das casas e mede o consumo. Em seguida, gera energia. Uma facilidade do projeto é a criação de um aplicativo, onde por meio do celular, o usuário pode determinar a quantidade de água que quer gastar durante o mês. Caso o gasto seja maior que o esperado, o hidrômetro é zerado, indicando que é preciso economizar. 
“Existe um sensor que é acoplado na saída da caixa e emite alguns sinais elétricos, que passam em uma unidade de controle e depois são convertidos para a quantidade de litros circulados naquele momento”, disse o aluno Fernando Costa. 
A ideia, segundo os estudantes, surgiu quando os professores pediram projetos inovadores para uma feira da escola. O equipamento é capaz de gerar 3,5 watts por hora e se for utilizado por quatro horas, consegue manter uma lâmpada de led acesa durante todo o dia. 
“Ele também consegue gerar energia com esse fluxo de água que está entrando na residência através de uma conexão, que pode alimentar a iluminação noturna de uma casa”, explicou o professor de eletrônica Fábio Carli Rodrigues.
Projeto pretende economizar água e gerar energia elétrica em Santa Rita do Sapucaí (Foto: Reprodução EPTV) 

E quem conferiu o projeto, gostou. A faxineira Márcia Maria Dias Vilela está disposta a implantar na própria casa. “Na crise que estamos hoje, todos deveriam ter em casa para economizar água”, comentou. 
Contudo, ainda não há previsão de produção para a venda, embora o projeto já tenha sido premiado pela Associação Brasileira de Incentivo à Ciência. Na próxima semana ele será apresentado na 13ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, em São Paulo (SP).
Fonte: G1 Sul de Minas

Santa Rita é notícia - Sistema reduz até 40% do consumo de água em plantações

Sistema reduz até 40% do consumo de água em plantações 

Solução já recebeu prêmios e ganhou destaque na Campus Party 2015 


 Com a crise hídrica, soluções de economia são sempre bem-vindas e a empresa SPIn - Sistemas de Plantações Inteligentes, incubada no Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, desenvolve um produto que possibilita uma economia de até 40% de água em irrigações no campo. Os empreendedores da startup marcaram presença na Campus Party, em São Paulo. Eles foram selecionados pelo Sebrae entre 200 startups do Brasil e puderam apresentar o produto para um público diversificado, que podia votar nas ideias mais interessantes. Entre 200 projetos apresentados, eles foram o 24º melhor votado. Durante a feira, foram destaque em uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre a crise hídrica, exibida no domingo, dia 8. "A Campus Party possibilitou uma aproximação com investidores. Fomos pra lá focados em fazer parcerias e apresentar nossa ideia para pessoas que tem interesse em investir," afirma o estudante de Engenharia da Computação do Inatel e sócio da SPIn, Luiz Claudio de Andrade. 
 O sistema de monitoramento online, denominado SPInAPP, automatiza a plantação, oferece melhor utilização dos recursos naturais e matéria prima, além de reduzir também o consumo de energia. "Cerca de 80% da água gasta no mundo é com a irrigação. O SPInAPP tem um cálculo do quanto de água a planta perde por dia. Ligando o cálculo ao sistema de irrigação é possível irrigar a quantidade necessária que a planta precisa por dia, nem mais nem menos", afirma o sócio da SPIn, Wellington Faria. O SPInAPP está em fase de teste e a previsão é que chegue ao mercado no final deste ano. Contudo, já tem atraído a atenção de produtores rurais e investidores. 

 O início e o reconhecimento 


 O projeto do SPInAPP começou a ser desenvolvido em 2013, depois que produtores de morango da região do sul de Minas Gerais sofreram uma perda de 80% da produção, decorrente de problemas climáticos. Na época, os alunos do Inatel Luiz Cláudio de Andrade Junior, Pedro Lúcio Leoni de Andrade Junior, Vitor Ivan D'Angelo e Wellington Faria decidiram criar um projeto voltado para o agronegócio. O projeto foi apresentado pela primeira vez na Feira Tecnológica do Inatel - Fetin - em 2013, e ficou em primeiro lugar. No mesmo ano, ganharam o prêmio de Projeto Mais Empreendedor, da Angels Club e, em 2014, faturaram o prêmio Inovação da Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí e entraram para a Incubadora de Empresas do Inatel. A SPIn também é finalista este ano da Telit Cup Brasil, da empresa Telit Wireless Solution. 

 Incubadora do Inatel 

 A Incubadora de Empresas e Projetos do Inatel é considerada a melhor do país para desenvolvimento local e setorial pela Anprotec - Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores. Localizada no campus do Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, a Incubadora possui oito empresas residentes e 57 empresas graduadas, que juntas geram cerca de 750 empregos diretos e uma receita superior a R$ 110 milhões por ano. 
Fonte:  http://www.segs.com.br em 20/03/2015

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Santa Rita é notícia - 50 coisas que você não pode deixar de fazer em Santa Rita do Sapucaí


50 coisas que você não pode deixar de fazer em Santa Rita do Sapucaí 

Esteja de passagem ou more nesta surpreendente cidade de 40 mil habitantes do Sul de Minas, seguem dicas preciosas para usufruir o melhor que Santa Rita do Sapucaí tem a oferecer.

Santa Rita é notícia - 23 indícios de que uma cidade no Sul de Minas Gerais pode se tornar a Austin brasileira

23 indícios de que uma cidade no Sul de Minas Gerais pode se tornar a Austin brasileira.


Santa Rita é notícia - Cidades do Sul de MG estão entre as 10 mais desenvolvidas de MG

Cidades do Sul de MG estão entre as 10 mais desenvolvidas de MG

Santa Rita do Sapucaí é a melhor colocada da região, diz índice do Firjan. 
Varginha, Pouso Alegre, Poços de Caldas e Itajubá completam a lista. 

Cinco cidades do Sul de Minas estão entre as 10 mais desenvolvidas de Minas Gerais, de acordo com o índice Firjan de desenvolvimento municipal, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Compõem a lista Santa Rita do Sapucaí (3º), Varginha (4º), Pouso Alegre (5º), Poços de Caldas (9º) e Itajubá (10º). 

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal é um estudo do Sistema FIRJAN que acompanha anualmente o desenvolvimento socioeconômico de mais de 5 mil municípios brasileiros em áreas como emprego e renda, educação e saúde. Criado em 2008, ele é feito, exclusivamente, com base em estatísticas públicas oficiais, disponibilizadas pelos ministérios do Trabalho, Educação e Saúde. 

Além das cinco cidades da região, outros 22 municípios do Sul de Minas estão entre as 100 mais desenvolvidas do Estado. Clique aqui para conferir a lista completa. 

Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal

Fonte: G1 Sul de Minas em 05/11/2014 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Carpinejar

Pulo frutas
para roubar muros. 
Eu me seco
quando levo susto. 
Sempre nos momentos 
em que nada acontece, 
tudo é possível. 
(Carpinejar em “Como no céu”)

Santa Rita é notícia - Inspirado pelo pai, estudante cria cadeira especial no Sul de Minas

Inspirado pelo pai, estudante cria cadeira especial no Sul de Minas 

Invenção promete deixar corpo em pé e dar movimentos a paraplégicos. 
Aos 18 anos, jovem já conseguiu reconhecimento pelo projeto.
Cadeira permite que pessoas com deficiência física possam ficar de pé e se locomover (Foto: Daniela Ayres) 

Os olhos de Walef Ivo Carvalho, de 18 anos, brilham ao mostrar a evolução de seu famoso invento na garagem no Centro de Santa Rita do Sapucaí (MG), na casa onde mora pai, parte importante nesse trabalho. Walef mesmo testa o aparelho. Arruma os cintos em volta das pernas e do corpo, simulando estar preso a uma cadeira de rodas. Aos poucos, o projeto de nome complicado, “cadeira ortostática dinâmica”, o deixa em pé de novo. Com o toque em um botão, o aparelho vai para frente, para trás, para os lados. Promete o movimento que um acidente tirou da vida de muitos. “Você tem uma vida sem dificuldades e, de uma hora para outra, você se vê limitado”, comenta em um tom reflexivo. “A minha ideia é ver isso aqui em um supermercado, para que o cadeirante tenha liberdade de pegar um produto em uma prateleira mais alta se ele quiser. Um professor nessas condições poderia se levantar para escrever no quadro. Essas pequenas conquistas mudam a qualidade de vida, fazem diferença para a autoestima”, diz e abre um sorriso de canto a canto do rosto novamente. Walef sabe do que está falando. Há oito anos, o pai, Leandro Aparecido de Carvalho, chegou a perder todos os movimentos do corpo. Quem vê o serralheiro de 35 anos mal acredita que ele teve a tetraplegia como prognóstico.
Walef simula como cadeira seria usada por um deficiente físico (Foto: Daniela Ayres) 

“Era véspera do Natal de 2006”, recorda-se Leandro, hoje com 35 anos. “A gente tinha chegado da missa. Estava quente e eu fui dar um mergulho na piscina. Caí de cabeça e daí por diante não me lembro de mais nada.”
Pai de inventor de cadeira ortostática dinâmica chegou a perder todos os movimentos do corpo (Foto: Daniela Ayres) 

Segundo o pai de Walef, o acidente lhe deixou apenas os movimentos da cabeça. Os médicos pareciam pouco otimistas. Depois de uma semana internado, a possibilidade de uma cirurgia lhe trouxe a chance de, pelo menos, conseguir se sentar. “O médico disse que minhas chances eram de 3% a 10%. Eu decidi lutar para ficar muito além disso. Coloquei na cabeça que se quisesse voltar a andar, teria que ficar de pé”, conta. Na época, ajudado pelos três irmãos, também serralheiros, uma estrutura com roldanas foi improvisada para que Leandro conseguisse ficar alguns momentos fora da cadeira. Na sequência vieram as sessões de fisioterapia no Centro de Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia Assistiva (CDTTA), pertencente ao Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e a recuperação gradativa dos movimentos que hoje lhe permitem circular pela cidade com a ajuda de um andador. Se um provável tetraplégico não acreditou em limites, por que Walef acreditaria? É esse sentimento que move as pesquisas do jovem. “Eu fui para a ETE (escola com ensino profissionalizante da cidade) mais para conhecer. Lá, a gente tem que desenvolver algum projeto na área tecnológica e foi nesse momento que pensei na primeira versão dessa cadeira”, conta o hoje estudante de Engenharia Biomédica.
Estudante pretende tornar cadeira independente de botões (Foto: Daniela Ayres) 

Projeto em evolução 

A cadeira ortostática, construída em 2012, lembra uma balança daquelas de inox usadas para pesar sacos de batata. A estrutura rústica, no entanto, se mostrou bastante eficiente para o propósito inicial do estudante: garantir uma postura ereta para o cadeirante. Mas, a exemplo do pai, Walef queria vencer novos limites. No projeto apresentado em uma feira da ETE, Walef trabalhou com uma equipe de colegas de sala. A proposta rendeu prêmios ao grupo durante todo o ano seguinte e preparou o terreno criativo para os avanços que chegariam em 2014. “No Inatel, eu tive acesso ao CDTTA e comecei a investir em melhorias na cadeira ortostática até chegar na cadeira ortostática dinâmica, que permite que o paraplégico se levante e se movimente”, explica. Essa segunda etapa do projeto foi desenvolvida a partir de junho deste ano e chegou a ser apresentada ao Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica. Com a inovação, Walef também obteve reconhecimento internacional e da Sociedade Brasileira com Deficiência. Mesmo sem a equipe que o auxiliou na primeira versão da cadeira, não foi uma conquista solitária. “Eu entendo muito pouco da parte mecânica. Quem me ajuda mesmo nessa parte é meu tio Luciano, é ele que encontra as soluções para as ideias que eu tenho e me ajuda a por em prática”, revela o estudante, que já se prepara para uma terceira evolução da cadeira. “Agora eu quero que ela acompanhe o movimento da cabeça, o que vai ajudar as pessoas tetraplégicas”, imagina o futuro engenheiro de biomedicina.
Walef, em primeiro plano, com o pai: troca de experiência para inovação na biomedicina (Foto: Daniela Ayres)

 Fonte: Daniela Ayres - G1 Sul de Minas em 02/11/2014

Santa Rita é notícia - Jovem cria produtos ortopédicos mais baratos e ecológicos em MG

Jovem cria produtos ortopédicos mais baratos e ecológicos em MG 

Projeto é uma alternativa para o tratamento de luxações e quebraduras.
Método se utiliza de tecnologia 3D para a produção de órteses.
Órteses de material biodegradável já podem ser feitas com impressora 3D (Foto: Daniela Ayres/ G1) 

O trabalho de pesquisa de um estudante de Santa Rita do Sapucaí (MG) pode trazer um grande avanço para o mercado de produtos ortopédicos. Aos 22 anos, Leonardo Amaral é o criador do bio-replicador, uma impressora 3D que fabrica órteses. Os primeiros testes, em um modelo de impressora construída por ele mesmo, mostram o quanto a proposta é promissora. De fácil manipulação, as peças têm baixo custo e são totalmente biodegradáveis.
Leonardo Amaral desenvolveu bio-replicador de órteses em Santa Rita do Sapucaí, MG (Foto: Daniela Ayres/ G1)

"O custo de produção fica, pelos menos, 100 vezes menor", calcula o estudante de Engenharia de Controle e Automação. "O material que eu uso já é aplicado em algumas áreas da medicina, mas não ainda nesse tipo de proposta. Como a minha impressora é pequena, eu comecei testando a ideia na fabricação de órtese para punho. Precisamos de novas pesquisas para padronizar o produto e ampliar as possibilidades dessa tecnologia", diz. Como uma caneta, a impressora traça linhas que se cruzam em várias direções. O processo é lento. Camada por camada, a peça, desenhada inicialmente em um programa de computador, vai ganhando a forma de uma tala. Para o G1, Leonardo reproduziu seu primeiro teste: a munhequeira. "Cada traço é gerado por um comando específico do computador. Para essa órtese de punho, foram necessários mais de 40 mil comandos", conta. Em média, uma órtese pequena - como a reproduzida, que serve para tratar tendinite - leva cerca de 2h para ficar pronta e, enquanto um peça tradicional sai por pelo menos R$ 30 para o paciente, a versão biodegradável de Leonardo tem custo inicial de R$ 5 a R$ 10. "Para o consumidor, custaria cerca de R$ 15", estima.
Órtese de punho tem custo de produção estimado entre R$ 5 e R$ 10 (Foto: Daniela Ayres/ G1)

Projeto 

A descoberta de Leonardo surgiu por caso. Ele conta que há dois anos se interessou pela fabricação de drones. A dificuldade em conseguir as peças para esses veículos aéreos não tripulados o levou a iniciar uma produção própria. O sucesso do empreendimento foi a base do bio-replicador. Curiosidade A matéria-prima das órteses do bio-replicador é o PLA, um plástico biodegradável à base de fontes renováveis, como milho, beterraba e cana-de-açúcar. As órteses fabricadas no Sul de Minas têm aparência sólida, mas amolecem ao serem mergulhadas em água a 60°C para que possam ser moldadas no formato do corpo. Quando mergulhadas novamente em água quente, retornam à forma original. "Eu tinha que importar peças e pagar um imposto muito alto para conseguir material para o drone. Aí comecei a ler sobre a impressora 3D, que já é usada há muito tempo para confeccionar materiais diversos e descobri que existiam projetos de código aberto, que permitiam às pessoas construírem suas próprias impressoras, e me interessei", conta. Para testar o equipamento, Leonardo fez de apito a suporte para celular. Vendia tudo a preço de custo. Em dois dias no novo empreendimento, ele ganhou R$ 550, mas o estudante queria mais. "Eu queria produzir algo que fosse diferente e tivesse a ver com a minha área de formação. Procurei um professor meu e ele me ajudou a chegar na proposta bio-replicador", diz. Leonardo é aluno do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, e foi quem desenvolveu todo o projeto da impressora 3D para fabricação de órteses. Seu orientador é o professor Francisco de Carvalho Costa, doutor em biotecnologia e que tem nos biomateriais uma de suas áreas de pesquisa. Futuro A parceria entre a engenhosidade do aluno e o estímulo do professor resultou em uma proposta que, para Leonardo, ainda está em fase embrionária. "Aperfeiçoando a tecnologia, podemos pensar na produção de próteses. Não é nada em grande escala, porque uma pessoa não vai quebrar um dedo e esperar uma impressão de três horas para obter uma tala. Mas o material pode tornar um tratamento mais rápido e acessível em situações emergenciais", avalia o estudante.
Da esq. para a dir.: Órtese em estado sólido é colocada em água quente para ser moldada ao punho (Foto: Daniela Ayres/ G1) 

Fonte: Daniela Ayres - G1 Sul de Minas em 01/11/2014

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Santa Rita é notícia - Cidades campeãs no índice de desenvolvimento priorizam educação

Cidades campeãs no índice de desenvolvimento priorizam educação

A aposta em educação foi decisiva para dez cidades mineiras alcançarem o topo no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) no Estado. Nesse quesito, Minas congrega, na região Sudeste, o maior número de municípios com alto grau de desenvolvimento: 255 (29,9% do total).
 Com base nos indicadores de educação, saúde, emprego e renda, o IFDM monitora o desenvolvimento socioeconômico nos 5.565 municípios do país a cada ano.
 Em relação a emprego e renda, no entanto, as cidades mineiras obtiveram desempenho inferior, com classificações intermediárias (regular e moderado). 
 O estudo, relativo a 2011 e divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), mostra também que Minas é o único Estado do Sudeste com cidades que apresentaram baixo IFDM Saúde: 34. Água Boa, de 15 mil habitantes, no Vale do Rio Doce, foi a única do Sudeste com baixo desenvolvimento (0,3957).
 Nova Lima liderou o IFDM em 2011, depois de ocupar a 4ª posição no ano anterior. Uberlândia (Triângulo), porém, trocou o topo do ranking pela 6ª colocação. 
 Segundo o economista Jonathas Goulart, um dos autores do estudo, Nova Lima elevou o número de consultas do pré-natal e registrou significativa melhora no percentual de docentes com diploma superior no ensino fundamental. 
 O prefeito Cássio Magnani diz que a cidade de 83 mil habitantes tem o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na Região Metropolitana de Belo Horizonte e que o Programa Saúde da Família conta com 16 equipes e abrange 85% da população. 
 Já Uberlândia, com 612 mil habitantes, apresentou recuo no índice de emprego e renda, apesar de ter avançado em educação e saúde. Foi a única cidade com queda no IFDM (-1,2%) no cômputo das dez melhores do ranking no Estado. “Mesmo assim, está em alto desenvolvimento”, acrescenta Goulart. 
 Para ele, a análise da evolução e do nível de desenvolvimento das regiões mineiras revela as particularidades da desigualdade. O Norte do Estado e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri concentram a maioria dos municípios com IFDM regular e baixo.

Economia dinâmica alavanca índices de saúde, emprego e renda

Presidente da Associação dos Municípios do Vale do Mucuri e prefeito de Nanuque, Ramon Miranda justifica a inclusão de quatro cidades da região na lista dos piores índices de desenvolvimento à total dependência do FPM e da ausência dos governos estadual e federal.
 Por outro lado, o crescimento puxado pelo dinamismo econômico se transfere às áreas de educação e saúde, como se nota em regiões de maior desenvolvimento, explica o economista da Firjan, Jonathas Goulart. 
 Um exemplo é Patos de Minas, no Alto Paranaíba, que saiu do 13º lugar para a vice-liderança no IFDM estadual. Além de manter o nível de atividade econômica, reduziu os percentuais de óbitos por causas não definidas e de internações sensíveis à atenção básica. A oferta de ensino infantil e a elevação da nota do Ideb também contribuíram.
Santa Rita do Sapucaí, no Sul do Estado, pulou do 15º para o 3º lugar. Ampliou o atendimento à educação infantil, o percentual de professores com diploma de ensino superior e a nota do Ideb. Na saúde, reduziu a taxa de óbitos de menores de 5 anos por causas evitáveis.
 Para o prefeito Jefferson Mendes, esse avanço se deve à cidade que valoriza o diálogo e interação das culturas para melhorar a vida das pessoas. Em especial, à inovação tecnológica e ao empreendedorismo nas áreas do IFDM. 
 Em 4º lugar no ranking (antes era o 33º), Varginha comprova “a estrutura de sustentabilidade, que passa por educação e saúde”, diz o prefeito Antônio Silva. São mais de 10 mil estudantes na rede pública municipal. 

(Fonte: Ricardo Rodrigues - Hoje em Dia em 01/06/2014)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Lya Luft

Reverberação
O destino trama os dias
e desfaz o sonho: demarca
meus contornos, partes
disso que sou e serei.

Quem sabe desejei demais:
milagres não me bastaram,
mas quando eu quis ser rainha
fui simplesmente humana.

A voz da vida insiste,
chama para o que salva
ou desatina:
nem sempre a entendi.

Palavras buscam sentido
para o que fiz, falhei,
conquistei e perdi
- ou que me abandonou
nalguma esquina.

(Talvez eu precisasse é dos silêncios.)
(Lya Luft)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Lya Luft

Quem sou
Do pai, a retidão e certa melancolia:
o olhar sobre o que vem atrás
do espelho. Da mãe,
a alegria. Da remota linhagem,
o novelo de fios que tramam
alma e imagem,
ninguém sabe quando e onde.

Mais os trabalhos e a dor, a fantasia,
a obstinada procura, alguma sorte,
muita esperança na bagagem.

(Dissabores fazem parte: maior
foi a celebração da vida.)

Entre o começo e a morte,
mar e miragem:
não há muito de mim
na personagem que contemplas.

(Há que buscar o que ela esconde.)
(Lya Luft)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

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