sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Santa Rita é notícia - Aparelho que contribui para agilidade na doação de órgãos

Preocupados com as constantes perdas de órgãos, os quais poderiam ajudar a salvar milhares de vidas, estudantes do 6º período de Engenharia do Instituto Nacional de Telecomunicações - Inatel, criaram um novo equipamento que vai contribuir para o transporte e conservação de órgãos. O equipamento, que promete diminuir o percentual de 27% dos órgãos que são descartados por falta de transporte adequado é um dos muitos projetos que começam a ser apresentados hoje, dia 29, durante a 28ª Feira Tecnológica do Inatel - FETIN.
Aproximadamente 80 projetos, criados pelos alunos dos cursos de Engenharia do Inatel, irão apresentar novas propostas nas áreas de Telecomunicações, Informática, Eletrônica, Automação e Engenharia Biomédica.
O Translife, projeto criado pelos alunos Marina Dias, Reinaldo Rodrigues e Rômulo Silva, atua no transporte adequado de órgãos, do momento da sua retirada até a remoção para o complexo hospitalar, onde será feita a doação. Atualmente, o transporte é feito através de caixas térmicas, onde o órgão é depositado em soro e coberto por embalagens de gelo.
"Com o controle de um sistema específico da temperatura, o Translife irá permitir que a temperatura seja regulada para cada tipo de órgão e, por conseguinte, aumentando o seu tempo de sobrevida", afirma Reinaldo Rodrigues.
Segundo ele, o produto atua no transporte de seis órgãos catalogados (coração, rim, pâncreas, pulmão, fígado e córneas) e com investimento de novos recursos, será de mais fácil manuseio. "Durante a feira, apresentaremos a simulação com um protótipo de órgão, o que facilitará a compreensão dos visitantes", ressalta.
Pesquisas realizadas recentemente apontam que mais de 69 mil pacientes brasileiros aguardam em uma lista de espera. Com esse produto, que possui um menu interativo, no qual é possível regular a temperatura correta, será possível ajudar milhares de pessoas", explica a estudante Marina Dias.
O evento, realizado entre os dias 29 e 31 de outubro, no campus do Instituto, desafia os estudantes a projetarem inovações tecnológicas que poderão se transformar em produtos, além de criar um ambiente para a geração de novos negócios.
Além de conhecer os projetos, os visitantes também podem participar de workshops gratuitos realizados no ambiente da feira que abordam temas ligados à Tecnologia e são ministrados por alunos e especialistas do Inatel.
De acordo com o coordenador da FETIN, professor Bruno de Oliveira Monteiro, 'a feira é um excelente momento para os alunos apresentarem suas ideias e o todo o conhecimento adquirido ao longo do ano letivo, bem como uma nova oportunidade de desenvolverem o espírito de empreendedorismo', conclui.
28ª Feira Tecnológica do Inatel – FETIN
De 29 a 31/10/2009
Horário: Qui (18h às 22h), Sex (16h às 22h) e Sab (9h às 12h)
Inatel - Av. João de Camargo, 510 - Santa Rita do Sapucaí - MG
Entrada gratuita
(Daniel Cortez - Inatel em 29/10/2009)

Polícia desbarata quadrilha que roubava fazendas

A operação Sentinela, realizada pela Polícia Civil do Sul do Estado para prender integrantes de uma quadrilha de roubo de gado e produtos agropecuários que agia em fazendas de 16 municípios do Sul de Minas, terminou com um saldo de 41 prisões. Entre as pessoas detidas por envolvimento com a quadrilha estão o ex-prefeito de Ibitiúra de Minas, no Sul do Estado, Donizeu Bergain, o filho dele, o vereador Eduardo Bergaín, conhecido como Juninho, e um o homem apontado como o chefe da quadrilha, sua mulher e o filho, que não tiveram o nome divulgado.
Segundo o delegado Sérgio Elias Dias, de Andradas, também no Sul do Estado, as investigações duraram cerca de nove meses. Ainda de acordo com o delegado, o grupo geralmente praticava os furtos durante a noite e a madrugada.
Segundo o titular da Delegacia Regional de Alfenas, na mesma região, João Simões, a quadrilha invadia as fazendas, rendia os ocupantes das casas, roubava equipamentos agrícolas, gado e café.
No caso do envolvimento do ex-prefeito de Ibitiúra de Minas e o filho dele, o delegado regional de Pouso Alegre, no Sul de Minas, Carlos Eduardo Pinto, informou que eles não participavam diretamente dos roubos, mas guardavam e negociavam os materiais roubados.
Todos os suspeitos foram encaminhados para as cadeias públicas de Ouro Fino e Santa Rita do Sapucaí, ambas na região Sul.
(Kenia Soares – jornal O Tempo em 30/10/2009)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dica de onde ir - Para você que mora em Santa Rita do Sapucaí














Você sabia que na Igreja de Santa Luzia na Avenida Francisco Bilac Moreira Pinto, atrás do INATEL, são ministradas aulas gratuitas de pintura em tecido utilizando a técnica de moldes vasados e bordado?
Terça-feira - Pintura em tecido - das 14:00 às 16:30 - Professoras Délzia Siécola e Fátima Teles

Quarta-feira - bordado - das 14:00 às 16:30 - Professora Andréa Telles

Na vitrola aqui de casa - Diariamente

Fiquei muito triste quando li isso - Prefeitura de Santa Rita é condenada a indenizar BPS em R$20 milhões

E chegou ao fim uma disputa judicial iniciada em meados 1988, entre a Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí e a empresa BPS Terraplanagem Ltda., do ex-prefeito BPS. Após recursos e mais recursos, o STJ (Supermo Tribunal de Justiça) recusou um novo recurso interposto pela Prefeitura da cidade vizinha, o que encerrou o caso, após quase 22 anos. O processo em questão envolve a desapropriação de uma área que abriga atualmente os bairros Margaridas e Baracat, segundo informações do jornal Gazeta do Vale. O total que o município terá que desembolsar para indenizar BPS e arcar com os honorários advocatícios de Dr. Gilberto Faria de Azevedo chegaria a R$25 milhões, o equivalente a quase 60% da arrecadação anual da Prefeitura santarritense. (Itajubá Notícias em 28/10/2009)

Santa Rita é notícia - Sectes promove inclusão com curso profissionalizante

O Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Santa Rita do Sapucaí, vinculado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), firmou parceria com a Associação dos Pais e Amigos Excepcionais (Apae) daquele município para oferecer, junto a nove empresas, cursos profissionalizantes. O objetivo é qualificar pessoas portadoras de necessidades especiais e criar oportunidades de ingresso no mercado de trabalho.
“É uma iniciativa inédita e de muita importância. Um grande passo para superar os preconceitos neste caminho cheio de espinhos”, diz o coordenador do CVT de Santa Rita do Sapucaí, José Alfredo.
O primeiro curso oferecido - já em andamento - é o de solda. José Alfredo explica que a escolha se deu pela fato da cidade ser polo tecnológico. “Santa Rita é conhecida como o Vale da Eletrônica. Das 140 empresas instaladas no município, 97% são de eletro-eletrônica e demandam soldadores. Há uma grande procura do mercado por esse profissional.” O coordenador completa que está ansioso para formar a primeira turma e ver os alunos no mercado de trabalho. “Será gratificante ver a superação de pessoas até então desacreditadas. Poder contribuir para a inclusão social, o resgate da auto-estima e exercício da cidadania.”
José Alfredo adianta que o CVT está negociando com uma cooperativa local a realização de um curso de degustação para deficientes visuais, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater). “A proposta é ampliar o leque e oferecer diversas opções de qualificação.” (Agencia Minas em 29/10/2009)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Adélia Prado


Solar

Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.

Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Leva uma vidinha pacata naquela cidade do interior: inicia seus estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e mora na rua Ceará.
No ano de 1950 falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos. Nessa época conclui o curso ginasial no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração, naquela cidade.
No ano seguinte inicia o curso de Magistério na Escola Normal Mário Casassanta, que conclui em 1953. Começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho em 1955.
Em 1958 casa-se, em Divinópolis, com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A. Dessa união nasceriam cinco filhos: Eugênio (em 1959), Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966).
Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciam o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis.
Em 1972 morre seu pai e, em 1973, forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.
"Moça feita, li Drummond a primeira vez em prosa. Muitos anos mais tarde, Guimarães Rosa, Clarisse. Esta é a minha turma, pensei. Gostam do que eu gosto. Minha felicidade foi imensa.Continuava a escrever, mas enfadara-me do meu próprio tom, haurido de fontes que não a minha. Até que um dia, propriamente após a morte do meu pai, começo a escrever torrencialmente e percebo uma fala minha, diversa da dos autores que amava. É isto, é a minha fala."
Em 1975, Drummond sugere a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia, cujos poemas lhe pareciam "fenomenais". O poeta envia os originais ao editor daquele que viria a ser Bagagem. No dia 09 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Na vitrola aqui de casa - Wonderful world

Sam Cooke (22/01/1931 - 11/12/1964) começou sua carreira como cantor de música gospel e foi um dos responsáveis por pegar elementos desse gênero musical totalmente ligado à religiosidade, misturá-lo com rock e rhythm and blues e trazê-lo para a música popular. Ele foi criticado pelos artistas gospel mas acabou mostrando que tinha razão.
Entre outros sucessos, Sam Cooke escreveu e gravou Twistin' The Night Away, Have a Party, You Send Me e Bring It On Home To Me. A Change is Gonna Come, que foi lançada pouco após a sua morte, em 1964, virou hino do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Entre os artistas que se inspiraram nele figuram Rod Stewart e os Rolling Stones, além dos brasileiros Tim Maia, Cassiano e Sandra de Sá.


Santa Rita é notícia - Corpo docente capacitado garante melhora na leitura dos alunos

A Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, tem muito do que se orgulhar. A alfabetização é tema importante na escola e todos os alunos participam dos projetos de leitura. Prova disto é a movimentação da biblioteca que, segundo a diretora Mônica Flores Carvalho Ribeiro, é enorme. A escola conta também com outros ambientes voltados exclusivamente para a leitura e tem o apoio da comunidade.
Segundo a diretora, o corpo docente é extremamente capacitado. Na biblioteca, um estímulo a mais. Um professor é contador de histórias e fica todos os dias à disposição dos alunos. E para aqueles que necessitam de reforço escolar, são oferecidas aulas com uma alfabetizadora voluntária, com experiência de 35 anos, após as aulas.
Por meio de maneiras simples, mas muito eficientes, os alunos se encantam pela leitura. “Os alunos ficam mais motivados, produzem mais”, afirma a diretora.

(blog.educação.mg.gov.br em 28/10/2009)

Santa Rita é notícia - Micro e pequenas empresas de olho nos lucros do pré-sal

Em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, a expectativa gira em torno da ampliação dos negócios, aumento da diversidade de produtos e geração de postos de trabalho. Segundo Roberto Souza Pinto, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), a demanda gerada pela Petrobras pode multiplicar por quatro o faturamento anual de R$ 1 bilhão e gerar mais de 5 mil vagas no mercado de trabalho. "Hoje, empregamos 9,5 mil pessoas, mas esse número poderia chegar a 15 mil. Tudo isso no auge da produção local, quando cerca de 40 das 141 empresas da região estiverem habilitadas a fornecer para a Petrobras, o que vai acontecer em três ou quatro anos", afirma.
A partir de novembro, cerca de 15 empresas de Santa Rita do Sapucaí já começam a fornecer para a companhia. "Temos plena condição de produzir peças como sensores de automação, válvulas, placas de comandos e equipamentos utilizados em sistemas pela estatal. Podemos, também, desenvolver produtos específicos para o setor em centros de inovação tecnológica instalados no Vale da Eletrônica", observa Roberto.
Esse tipo de iniciativa, na avaliação da coordenadora nacional da carteira de Petróleo e Gás do Sebrae, Eliane Borges, será fundamental para garantir espaço nos projetos do pré-sal. "As demandas tecnológicas das unidades da estatal vão requerer desenvolvimento das micro e pequenas empresas", acredita. Na avaliação dela, a província petrolífera configura mais uma grande oportunidade para aumentar a inserção de micro e pequenas empresas como fornecedoras da cadeia de petróleo, gás e energia. "Para isso será necessário investir em qualificação. É isso que oferecemos a essas empresas por meio de um convênio com a Petrobras", lembra.
Tudo começa com um diagnóstico da organização. A partir daí, o Sebrae estabelece os pontos a serem desenvolvidos para que, além de terem condições de se cadastrar como fornecedores da Petrobras, as organizações também se habilitem junto à Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) para se tornarem aptas a vender para qualquer empresa da cadeia.
(Paola de Carvalho – Jornal Estado de Minas em 27/10/2009

Gostei...- De volta à sala de aula

Pessoas com mais de 60 anos voltam para a sala de aula

Mestre de obras de 82 anos passa no vestibular da PUC Minas e aceita o desafio de conquistar o diploma





O velho ditado “nunca é tarde para estudar” já virou lugar-comum. Mas, às vezes, o conteúdo dessas palavras ganha força surpreendente diante da determinação e da vontade de certos alunos. Aos 82 anos, João José Luiz levou essa máxima a sério e aceitou o desafio de encarar, pela primeira vez, um vestibular. Hoje, calouro do curso de arquitetura e urbanismo da PUC Minas, o mestre de obras aposentado integra o seleto grupo de 1,4% dos brasileiros com mais de 60 anos que frequentam escolas no país, segundo o IBGE. Mais que engrossar estatísticas, o mineiro de Abaeté, na Região Central do estado, faz parte de um percentual ainda mais restrito de cidadãos que tiveram a coragem de mandar a aposentadoria às favas, dar asas ao sonho de chegar à universidade e conquistar uma nova profissão.
Filho de uma família de nove irmãos, seu João, como é chamado pelos colegas de sala, foi obrigado a abandonar os estudos aos 9 anos para ajudar o pai nos trabalhos na roça. “Parei no 3º ano do grupo escolar (atual ensino fundamental). Já sabia ler e escrever e adorava a escola, mas tive que deixar tudo para trabalhar na lavoura”, conta ele. O reencontro de João com os cadernos só ocorreu cerca de 15 anos depois, quando ele se casou e mudou para o Centro da cidade de Abaeté para aprender o ofício de alfaiate. “Frequentei a escola por alguns meses, mas essa tentativa de estudar também fracassou. Eu tive uma discussão com um professor e nunca mais voltei ao ginásio. Mas, para compensar, virei um ‘rato’ de biblioteca. Também fiz a assinatura de um jornal e não abri mão de ficar sempre bem informado.
”Na década de 1960, João se mudou para Belo Horizonte com a mulher e os seis filhos pequenos para montar uma alfaiataria. Mas o crescimento das confecções na capital logo ameaçou os negócios da família e ele foi obrigado a buscar uma nova profissão. Matriculado no curso de mestre de obras da Escola Federal de Engenharia, João passou a ganhar a vida no ramo da construção civil. “Nessa época, minha mulher e os filhos brigavam comigo por causa dos estudos. Se faltasse qualquer coisa em casa, eles diziam que a culpa era da escola. Só quando consegui o diploma e montei a minha empresa é que eles me respeitaram”, diz.
Depois de 20 anos como empreiteiro, João ficou viúvo e decidiu fechar a firma. Aos 66 anos, ele apostou num segundo casamento e teve mais um filho. Mas a separação veio logo em seguida e, aposentado, ele foi morar sozinho numa chácara em Betim, na Grande BH. Para driblar a solidão, o antigo mestre de obras voltou a estudar e, em 2006, terminou o ensino fundamental. Dois anos mais tarde, fez um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e concluiu o nível médio. “Já estava satisfeito com minha formação, mas minha filha Isabel me fez uma surpresa. No fim do ano passado, ela chegou em casa com o comprovante de inscrição no vestibular e disse que, no dia seguinte, eu teria que fazer a prova. Não estudei um minuto sequer e não tinha esperanças de ser aprovado”, conta.

DESAFIOS: Católico fervoroso, João acredita que foi agraciado com um milagre para conseguir vencer a concorrência e garantir a vaga em arquitetura e urbanismo na PUC Minas, no câmpus Coração Eucarístico. Hoje, matriculado no 1º período do curso, ele enfrenta, sem desanimar, desafios maiores que qualquer outro calouro da sala dele. “Eu me misturo com os jovens e juro que me sinto como um deles. Mas a maior dificuldade é o que depende da informática. Eles nasceram conectados à internet e fazem, no computador, coisas que nunca imaginei na vida. E eu ainda estou trabalhando para perder o medo da tecnologia e sei que não vai ser fácil”, diz.
Outro obstáculo que tem tirado o sono do estudante são as mensalidades da faculdade. João já enviou cartas até para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo uma bolsa de estudo, pois, segundo ele, “não é fácil bancar tanta despesa apenas com a aposentadoria”. Mas as dificuldades não são barreiras para os sonhos desse homem, que mantém o espírito jovem e uma memória infalível dos seus mais de 80 anos de história.
“Tenho fé de que vou conseguir me formar e, modéstia à parte, vai ter poucos arquitetos melhores que eu no mercado. Tenho experiência de vida, de profissão e agora estou na universidade adquirindo outro tipo de conhecimento. Mas acredito que meus colegas podem aprender muito comigo também. O que mais quero transmitir para essa mocidade é um bom exemplo de vida e a lição de que um homem de bem corre atrás dos seus ideais, sem se perder no mundo das drogas e da malandragem”, conclui João, que tem dois filhos e oito sobrinhos matriculados na mesma universidade.
(Glória Tupinambás – Jornal Estado de Minas em 27/10/2009)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Lya Luft


Canção na plenitude


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
(Lya Luft)

Lya Luft nasceu em Santa Cruz do Sul, uma colônia germânica do Rio Grande do Sul, em 1938. Criança, estudou numa escola de língua alemã. Apaixonada por livros desde menina, aos 11 anos, decorava versos de Goethe e Schiller. Mais tarde, foi para Porto Alegre, onde se formou em Pedagogia e Letras Anglo-germânicas. Professora universitária, mestre em Lingüística Aplicada e Literatura Portuguesa e Brasileira, traduziu obras de Virginia Wolf, Rilke, Hermann Hesse, Günter Grass e Thomas Mann, entre outros. Poeta, cronista, contista, romancista e ensaísta, é uma das mais prestigiadas autoras da literatura brasileira contemporânea, alia sucesso de crítica e público e é considerada o maior fenômeno editorial brasileiro dos últimos anos.

“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que, na correria da época atual, a gente pudesse se permitir criar uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer.' Lya Luft

Na vitrola aqui de casa - Resposta ao tempo

Que pena que não existe mais....

Doce de banana da venda do seu Elias

Quando menina, de vez em quando ganhava, do pai ou da bisavó ou da madrinha, uma nota de 5 cruzeiros, como essa aí de cima, com o Barão do Rio Branco bem bigodudo. Mais que depressa dava um jeito de usá-la para saciar algum desejo reprimido.
Na esquina da Avenida João de Camargo com Rua Coronel Erasmo Cabral (onde hoje é o Tonhão), havia uma casa de um rosa antigo. Com cara de passado também era a venda do Sr. Elias Murad. Lá vendia um doce de banana que era um verdadeiro “manjar dos deuses”. Eu que nem sou lá muito de banana, adorava o doce. Tinha a forma de um retângulo de 5X8 centímetros, marronzinho, macio e um leve toque de canela misturado com o sabor da banana cozida com açúcar e, quando comido em pedacinhos (para economizar), derretia na boca. Custava 2 cruzeiros.
Eu ia lá e comprava um doce. Seu Elias pegava meu dinheiro e dizia com um sotaque diferente:
_ Três, cinco cruzeiros, enquanto colocava, em minha mão, duas notas (um Almirante Tamandaré e um Duque de Caxias) ou três Tamandarés.
Como ainda não era versada nessa coisa de economia prática, recebia o troco e saía toda feliz achando que tinha comprado o doce e ainda continuava com 5 cruzeiros, só que agora com mais cédulas. Como eu era inocente e tolinha.
Até hoje gosto de quem volta troco dessa forma, contando até chegar ao valor da nota dada em pagamento. Não dá idéia de que a gente não gastou nada?

Dica de onde ir - Se você aparecer por aqui em BH



Inhotim

O Instituto Inhotim é um complexo museológico original, constituído por uma seqüência não linear de pavilhões em meio a um parque ambiental. Suas ações incluem, além da arte contemporânea e do meio ambiente, iniciativas nas áreas de pesquisa e de educação. É um lugar de produção de conhecimento, gerado a partir do acervo artístico e botânico.
Criado em 2005, Inhotim é uma entidade privada, sem fins lucrativos e qualificada pelo Governo do Estado de Minas Gerais como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Localizado em Brumadinho, a 60 quilômetros da capital mineira, possui um importante acervo de arte contemporânea e uma extensa coleção botânica. Em Inhotim, o meio ambiente convive em interação com a arte, e são o ponto de partida para o desenvolvimento de ações de caráter socioeducativo nas mais diversas áreas.
O representativo acervo de arte contemporânea de Inhotim vem sendo formado desde meados da década de 1980, e tem como foco obras criadas a partir dos anos 1960. Possui pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações de artistas brasileiros e internacionais.
O Parque Tropical possui áreas que seguiram conceitos sugeridos pelo paisagista Roberto Burle Marx. A enorme variedade de plantas faz de Inhotim um local onde se encontra uma das maiores coleções botânicas do mundo, com espécies tropicais raras e uma reserva florestal que faz parte do bioma da Mata Atlântica.
Tudo isso fornece de base para o desenvolvimento de pesquisa, inovação científica e educação.
Entre no site e veja que maravilha :

Eu sou da lira não posso negar...

Só nas cidades do interior, principalmente de Minas Gerais, podemos ver bandinhas tocando na praça. Foi o que encontrei em um passeio em Santa Rita, em abril de 2009. Era um domingo, depois da missa das 10 horas. Fui atrás daquele som bem interiorano e me deparei com uma bandinha, com maestro e tudo. Fiquei encantada com a simplicidade e o orgulho, características tão comuns nas pessoas do interior. Acho que ela se chama Lira Santa Rita. Minha memória foi logo ativada. Eram as mesmas músicas tocadas, talvez por outras pessoas, no coreto pela bandinha chamada carinhosamente por todos de “Furiosa”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Santa Rita é notícia - Escola Técnica de Santa Rita do Sapucaí é homenageada pela ALMG

Escola Técnica de Santa Rita do Sapucaí é homenageada pela ALMG


A Assembleia Legislativa de Minas Gerais comemorou na noite dessa quinta-feira, dia 22, o cinquentenário da Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE FMC), localizada em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas). Durante Reunião Especial realizada no Plenário, o deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB MG), autor do requerimento para a homenagem, destacou que a importância da escola ultrapassou as fronteiras de Minas e do Brasil para se tornar referência em ensino técnico também para diversos países.
O deputado ressaltou que a ETE de Santa Rita do Sapucaí foi a primeira escola de nível médio da América Latina voltada para o ensino da eletrônica, hoje oferecendo cursos noturnos e diurnos, com vagas para bolsistas, funcionando em modernas instalações e dispondo de 14 laboratórios de última geração em diversas áreas, além de auditório com capacidade para mil pessoas, anfiteatro, espaço para a prática esportiva e contando com 55 professores experientes em sua equipe.
Segundo Dalmo Ribeiro, a criação da escola gerou um desenvolvimento grande na região, onde mais de 130 empresas, de pequeno e médio porte, faturam um bilhão de reais nos ramos eletrônico e de telecomunicações, integrando um arranjo produtivo impulsionado por meio de lei que teve origem em projeto de sua autoria.
Qualidade e compromisso social – Representando o presidente da Assembleia, deputado Alberto Pinto Coelho (PP), o 1º vice-presidente, deputado Doutor Viana (DEM), também destacou que a escola é motivo de orgulho para o município por sua importância não só para a cidade mas para toda a sua região de influência, tendo conquistado a credibilidade e o reconhecimento da comunidade.
Doutor Viana lembrou de momentos da trajetória da escola destacando, sobretudo, o idealismo e o espírito empreendedor de sua fundadora, Luzia Rennó Moreira, conhecida por dona Sinhá, e ainda o comprometimento social e o ensino de qualidade que marcam o trabalho dos jesuítas, aos quais a fundadora confiou a direção da escola.
“Ousada e moderna para a época, a escola se estruturou e se expandiu, criou mecanismos de integração com as empresas, estimulou a pesquisa e o desenvolvimento de projetos tecnológicos, abriu campo para o surgimento de outras instituições de ensino nessa área e contribuiu para a formação do Vale da Eletrônica, que transformou a pequena cidade do Sul de Minas em uma das principais referências do país em tecnologia”, afirmou o deputado após entregar placa comemorativa ao diretor-geral da ETE FMC, padre Guy Jorge Ruffier.
Destaque nacional“Formamos técnicos que fazem da técnica um instrumento para humanizar a sociedade, o que é para nós motivo de orgulho e uma responsabilidade”, disse o diretor da ETE ao agradecer a homenagem. “Sem o apoio do Legislativo ficamos desamparados”, registrou. Padre Guy Jorge Ruffier também destacou que a instituição “tem objetivos claros e alunos que entram para vencer”. Vídeo institucional apresentado durante a comemoração destaca, entre outros, que o pólo eletrônico de Santa Rita do Sapucaí responde hoje por mais de 20 mil produtos ligados à tecnologia e pela formação de mais de 40% dos engenheiros de telecomunicações do País.
Também compondo a mesa e representando na solenidade o deputado federal Bilac Pinto, Izabela Freitas Moreira Pinto leu mensagem do parlamentar justificando sua ausência por motivo de viagem a trabalho ao exterior, na qual também destaca a importância da escola e de sua fundadora, que, segundo ele, realizou o sonho de criar a escola após ter retornado do Japão, onde se impressionou com o desenvolvimento tecnológico.
Compuseram a mesa ainda o vereador Hudson Carvalho, representando o prefeito de Santa Rita do Sapucaí, Paulo Cândido da Silva; o presidente da Câmara Municipal de Santa Rita do Sapucaí, vereador Magno Magalhães Pinto; o presidente da Finatel, Adonias Costa da Silveira, e o diretor científico da Fapemig, José Policarpo.
Fonte: Assessoria de Imprensa do deputado Dalmo Ribeiro

Na vitrola aqui de casa - Dream a little dream

O CD "A wonderful world" com Tony Bennett & K.D.Lang é um dos melhores que já ouvi. Já comprei muitos para dar de presente para amigos.

Assassinato duplo

Tita, minha madrinha e tia-avó, não era uma costureira: era modista. Do corte ao chuleado, tudo era perfeito. Para fazer a bainha, ela criou uma régua com furinhos eqüidistantes por onde passava a agulha e o pé-de-galinha virava um verdadeiro bordado. Costurava sedas e rendas para as pessoas mais elegantes da cidade.
Como eu não saía da casa da minha bisavó, fui designada a entregadora oficial das costuras. Os vestidos eram passados e delicadamente dobrados. Depois eram envoltos em toalhas brancas de linho engomado com as pontas presas por alfinetes de costura. Não podiam ser amassados. E eu ficava com os braços adormecidos, quando tinha que atravessar a cidade para entregar as encomendas.
Eu brincava sempre no quarto de costura, folheando umas revistas lindíssimas chamadas Burda, tudo escrito em alemão. Não entendia nada, mas as roupas e as manequins eram lindas: loiras, olhos azuis e sorrisos perfeitos. Eu sempre perguntava:
_Tita, de quem é esse vestido?
E adorava quando ela respondia:
_Da Reneda Bageta.
Eu achava esse nome lindo, diferente e pensava que quando tivesse uma filha iria chamá-la RENADA BAGETA. Para mim, parecia nome de princesa de outras terras, não sabia bem de onde.
Um dia, estava tudo preparado para fazer uma entrega e eu perguntei:
-É para a Reneda?
-Que Reneda?
-Reneda Bageta, que mora lá perto da Escola Normal.
Minha madrinha quase morreu de rir e me explicou:
_ O nome da mulher é Renê e ela é filha da dona Bageta (na verdade é Baget).
Que decepção! Minha madrinha, numa só frase matou duas pessoas: minha princesa estrangeira e minha filha que ainda nem tinha nascido.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Santa Rita é notícia - O maravilhoso Brasil de Maria das Graças

Para quebrar o silêncio, perguntei ao motorista que me levava a Santa Rita do Sapucaí, sul de Minas, quais eram os problemas daquela cidade, em que ele morava. "Ah, doutor, lá tem um problema danado de falta de trabalhador." Como era muito cedo e eu estava sonolento, pensei que não tinha ouvido direito a resposta, que certamente seria "falta de trabalho".
Em instantes, percebi que não era engano. O motorista queixava-se de que Santa Rita não progredia mais porque os empresários não dispunham de mão-de-obra suficiente para ampliar seus negócios.
Aquela pequena cidade de 35 mil habitantes vem investindo, há cinco décadas, no ensino de eletrônica e, depois, telecomunicações. Projetaram-se empresas de alta tecnologia, que demandam trabalhadores mais sofisticados. Uma única empresa, criada em parceira com um grupo asiático, precisava, naquele mês da minha visita, 400 funcionários e encontrava dificuldade de recrutá-los.
Foi naquele cenário bucólico de alta tecnologia que se produziu, por exemplo, a urna eletrônica, admirada mundialmente.
Existem espalhados pelo país centros de inovação, a exemplo do pólo de tecnologia de Santa Rita, que aprenderam a driblar juros altos, carga de tributos pornográfica, burocracia lerda, falta de verbas oficiais. Alguns desses centros remodelam, a partir do conhecimento, comunidades inteiras. É o país longe de Brasília.
Na quinta-feira passada, o país de Brasília estava tomado pelas intrigas do poder, com a queda de Carlos Lessa da direção do BNDES. Falava-se das brigas entre ministros e assessores, alguns deles voltando para casa; falava-se também de uma nova reforma no primeiro escalão do governo. Como pano de fundo, claro, a sucessão presidencial de 2006.
Naquele mesmo dia, ficamos conhecendo a até então anônima Maria das Graças Pomaceno. Vítima de um derrame, submeteu-se a uma experiência com células-tronco conduzida por cientistas e médicos da Universidade Federal de Rio de Janeiro. Vimos como muitos de seus movimentos puderam ser recuperados pelo efeito do transplante das células, que refizeram parte de seu cérebro danificado.
Quem se liga apenas no Brasil oficial deve ter achado que as mudanças no governo eram as notícias mais relevantes do dia, talvez do mês ou do ano. Mas não se comparam em importância, o que é óbvio, ao andar de Maria das Graças, que trouxe atenção mundial à medicina brasileira. Sabe-se da falta de verbas que os cientistas e médicos que conduziram a experiência enfrentaram.
A chance de o país ter um futuro inovador depende mais da capacidade de se disseminarem as ilhas de inovação que fazem Maria das Graças andar ou Santa Rita inventar um jeito de fazer uma eleição melhor do que dos acordos ou desacordos dos gabinetes oficiais. O ímpeto inovador é sufocado justamente pelo peso do poder público, com seus impostos, burocracias e falta de continuidade dos programas.
A crise do petróleo está criando no país uma monumental chance de geração de riquezas -e, de novo, surgem ilhas de inovação. Inventou-se no país um carro capaz de usar vários tipos de combustível. Isso implica a possibilidade de usarmos mais gás, aproveitando de gigantescas reservas recém-descobertas, mais álcool ou até, no futuro, apenas biodiesel. Isso significa ao mesmo tempo empregos, divisas e, para completar, menos poluição.
Já existem ônibus rodando apenas com óleos vegetais (mamona, soja, dendê), cujos motores foram criados em universidades.
Há no pais 460 cidades que se especializaram na produção de determinados produtos e, para continuar se expandido e ganhando mercados, fazem parcerias com o setor público e estimulam a geração de conhecimento. É o que se chama de "arranjos produtivos locais". É assim que muitas cidades, como Franca (calçados), São José dos Campos (aviação) e Nova Friburgo (moda íntima), entram em disputados mercados internacionais.
Em Santa Rita, existe a seguinte química: a prefeitura oferece galpões para incubadoras, entidades empresariais (Sebrae, por exemplo) dão consultorias de gestão e o governo federal, através do Ministério das Comunicações, e o governo estadual apóiam com dinheiro.
Quando o governo está a serviço do empreendedorismo e da inovação, não há possibilidade de erro. É quando ficamos mais para as maravilhas de Maria das Graças do que para intrigas da corte.
(Artigo do jornalista Gilberto Dimenstein - Portal Aprendiz - 21/11/2004)

Parece que ele gostou mesmo do que viu por aí. Citou a experiência de Santa Rita em outros artigos:

Já sabemos como os arranjos produtivos locais conseguem fazer pequenos milagres econômicos. Um bairro abandonado do Recife torna-se exportador de software; Piracicaba e Sertãozinho, em São Paulo, recebem romarias de estrangeiros para aprender sobre etanol; uma pequena e bucólica cidade mineira (Santa Rita do Sapucaí) produz invenções como a urna eletrônica. (Folha de São Paulo – 05/08/2007)


Temos aí alguns exemplos de arranjos produtivos locais que produzem bons e abundantes empregos, como São José dos Campos, Piracicaba ou Santa Rita do Sapucaí (MG), onde se montaram pólos de tecnologia em torno de suas vocações, respectivamente, aeronáutica, álcool e telecomunicações (Portal Aprendiz – 11/08/2008)
Adoro quando vejo alguém falando bem da terrinha.

Na vitrola aqui de casa - Poema do Menino Jesus

Preservar é moderno

(Praça Vista Alegre)

Li no blog do Jonas Costa que o prefeito de Santa Rita do Sapucaí decretou o tombamento da fachada do Cine Teatro Santa Rita, no dia 21 de setembro. Graças a Deus.
É muito triste assistir sua cidade ser modificada sempre para pior.
A Igreja Matriz, hoje Santuário, internamente foi tão desvirtuada que se transformou em um grande galpão disfarçado de templo. Vendo uma foto aérea, dá vontade de chorar. O telhado é metálico. Lembro que, antes de colocarem o forro com revestimento acústico, qualquer chuvisco se transformava em dilúvio. Antes existiam harmoniosos arcos apoiados em colunas jônicas. Os altares, tanto o principal quanto os laterais, eram em mármore, com detalhes esculpidos. E as imagens sacras? Onde estão? Eu nunca mais ouvi falar delas.
Na praça central, a degradação é tanta que já se pode contar nos dedos da mão os casarios antigos restantes. Será que também já foram tombados? Se não, tombem, por favor, antes que seja construído mais um prédio de apartamentos.
Não sei que prefeito teve a infeliz idéia de demolir quatro casarões que dividiam a praça em duas. Em frente ao Clube Santarritense havia uma pequena praça, muito aconchegante, com uma estátua do Rui Barbosa. Onde colocaram o pobre do homem? Sem contar que a fonte quase piramidal, construída no local, é de gosto prá lá de duvidoso.
Eu não consigo entender porque todo mundo quer morar na praça. Antes, era para ver o desfile de carnaval. Agora, será que é chique?
No meu tempo de criança, a pracinha da Vista Alegre era uma graça. A entrada principal era ladeada por dois anjinhos brancos segurando flores. Havia também uma fonte em forma de um leão, de bronze, que derramava água potável pela boca. Muitas vezes, foi lá que matei minha sede, nos intervalos das brincadeiras. Onde está tudo isso? Será que ornamentando algum jardim alheio? Não sei.
Povo de minha terra, gritem, briguem, exijam a preservação do patrimônio de nossa cidade.
PRESERVAR É MODERNO.

Que pena que não existe mais....


Presépio da dona Helena

Quando ainda estudava no Grupo Escolar Sanico Telles, adorava a chegada do final do ano. Quase todo dia, antes de subir para minha casa, na Vista Alegre, dava uma passadinha na Igreja de São Benedito para conferir se o presépio já estava armado. Era o presépio da dona Helena.
Dona Helena, (acho que Reseck), era uma senhora que morava na última casinha da pequena rua à esquerda da igreja. Era mais conhecida como dona Helena turca. Era ela quem limpava e cuidava de tudo.
Para meus olhos de criança era o presépio mais lindo do mundo. Todo ano aumentava de tamanho e eu ia lá para conferir seu crescimento. Havia vários lagos formados por cacos de espelho, estrela brilhante disputando espaço com o galo e o anjo em cima da gruta, grama feita com um musgo chamado “barba-de-pau” e outros tantos adereços. Bichos, não era só vaca, ovelha, camelo e burro. Tinha tigre, girafa, leão, hipopótamo, rinoceronte, um verdadeiro zoológico. E os meios de transporte? Tinha Jipe, ônibus, transatlântico nos lagos e até avião estacionado no gramado. Era uma maravilha!
Acho que ela, durante todo o ano, ia comprando umas caixinhas de surpresa que existia naquele tempo para tornar seu presépio mais bonito.
E sempre estava lá, parada ao lado, vigiando para que nós não pegássemos nada.

A História do Presépio de Natal

Ao lado do pinheirinho e dos presentes, o presépio é talvez uma das mais antigas formas de caracterização do Natal. A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o gado; curral, estábulo”. Porém, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo.
Os cristãos já celebravam a memória do nascimento de Jesus desde finais do séc. III, mas a tradição do presépio, na sua forma atual, tem as suas origens no século XVI. Antes dessa época, o nascimento e a adoração ao Menino Jesus eram representadas de outras maneiras. As primeiras imagens do que hoje conhecemos como presépio de natal foram criadas em mosaicos no interior de igrejas e templos no século VI e, no século seguinte, a primeira réplica da gruta no Ocidente foi construída em Roma.

Presépio de Natal: o início da tradição

No ano de 1223, no lugar da tradicional celebração do natal na igreja, São Francisco, tentando reviver a ocasião do nascimento do Menino Jesus, festejou a véspera do Natal com os seus irmãos e cidadãos de Assis na floresta de Greccio. São Francisco começou então a divulgar a idéia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus.
De lá pra cá, não há dúvidas que a tradição do presépio natalino se difundiu pelo mundo criando uma ligação com a festa do Natal. Já no século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica.Neste mesmo século, vindo de Nápoles, o hábito de manter o presépio nas salas dos lares com figuras de barro ou madeira difundiu-se por toda a Europa e de lá chegou ao Brasil. Hoje, nas igrejas e nos lares cristãos de todo o mundo são montados presépios recordando o nascimento do Menino Jesus, com imagens, de madeira, barro ou plástico, em tamanhos diversos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Primeira professora


Existem pessoas que surgem em nossas vidas várias vezes como para confirmar o quanto serão importantes para nós. Quando estão quase se apagando de nossa memória, ressurgem e reavivam lembranças guardadas numa gaveta que tem escrito pelo lado de fora “Pessoas Inesquecíveis”.
Uma dessas pessoas é sempre nossa primeira professora. A minha foi dona Darlene Vono, tinha uma paciência de Jó e um amor infindo pela educação. Brincava de pique com os alunos na hora do recreio e o que eu achava mais lindo – tocava acordeão (na minha terra, acordeom). Ensaiou quatro alunas (Lelé, Maria Rita, Maria Vitória e eu) para uma coreografia com a música Bigorrilho. Lembro-me até hoje: saia vermelha, blusa branca e lenço também vermelho nos cabelos. Sou capaz de dançar, agora um tanto desajeitadamente, alguns passos da coreografia. Foi um sucesso santa-ritense (ou santarritense?). Viramos arroz-doce de festa. Apresentávamos em todas as solenidades, de homenagem a padres até formaturas.
No aniversário dela, levei um vidro de esmalte, do rosa mais lindo que existia. Coitada, certamente pensou que era uma jóia, aquele embrulho tão pequeno. Que pena que não conservei o quebra-cabeça com cenas da Branca de Neve que ganhei dela no final do ano.
Quando estava no terceiro ano do ginasial (sétima série), ela surge novamente em minha vida. Agora, como professora de Francês. Entre fricotes e biquinhos (mon nom c´est Nidia, Je suis brasilienne) aprendi a gostar de aprender outras línguas.
Vou estudar na Escola Técnica de Eletrônica e outra vez, aparece a Darlene. Professora de Língua Portuguesa durante todo o curso. Depois, quando comecei a lecionar na ETE, se tornou minha colega de trabalho.
Faz algum tempo que não a vejo e tenho saudades.
Acho que estamos sempre juntas, mesmo quando separadas.


(Lelé, Maria Rita, Maria Vitória e eu)

Bigorrilho é um coco da autoria de Paquito, Romeu Gentil e Sebastião Gomes, composto em 1963, inspirado remotamente no lundu "Isto é bom" de Xisto Bahia, e no samba "O Malhador", de Pixinguinha, o qual já havia usado o tema folclórico "Trepa, Antônio, siri tá no pau". Foi gravado originalmente por Jorge Veiga, e regravado por vários outros artistas, entre eles, Renato e Seus Blue Caps, Jair Rodrigues e Lulu Santos.

Bigorrilho

Lá em casa tinha um bigorrilho
Bigorrilho fazia mingau
Bigorrilho foi quem me ensinou
A tirar o cavaco do pau.
Trepa Antônio
O siri tá no pau
Eu também sei tirar o cavaco do pau.
Dona Dadá, Dona Didi
Seu marido entrou aí
Ele tem que sair,
ele tem que sair.

Amor eterno

(vô Sanico e vó Quininha)
No inverno, minha bisavó plantava um canteiro de amor-perfeito. Quando floria, toda manhã ela colhia dois. Ajeitava-os numa jarrinha roxa e a colocava perto do retrato de meu bisavô que já tinha partido.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Coroação de Nossa Senhora

O sonho de toda menina do interior era se vestir de anjo e coroar Nossa Senhora. O meu não era diferente, mas também - como todas as meninas - queria colocar a coroa. Era mais nobre e os cânticos mais bonitos. Minha parceira chorou, fez birra, minha mãe me obrigou a ceder e eu acabei tendo que colocar a palma. Uma injustiça, já que quem era maior colocava a coroa e eu era a maior.
Essa solenidade sempre acontecia no mês de Maio e a gente acabava coroando só uma vez, porque as pessoas de minha cidade eram muito religiosas e a procura por vagas, muito grande. Enfim, cantei bem alto e coloquei lá minha palma. Achei que fiz muito bonito.
Depois vieram as férias de Julho. Como sempre, lá fui eu para a fazenda de minha prima. Éramos vizinhas na cidade, tínhamos a mesma idade e éramos parceiras em muitas brincadeiras.
Durante o dia, apanhávamos flores para retirar as pétalas e preparar nossa própria coroação. Juntávamos tudo em pratinhos esmaltados de branco e ficávamos esperando a noite chegar. Sob a luz de lampiões e lamparinas, entrávamos na cozinha, vestidas com roupas longas emprestadas por minha tia, na maior cantoria. Repetíamos isso várias vezes por noite. Cada vez, uma colocava a coroa. Nossa santa ficava parada, imóvel com as mãos postas para poder enfiar a palma. Era ninguém menos que meu tio Antônio, um verdadeiro santo.

Histórias de minha filha - Dilisga

(Essa sou eu, num trabalhinho feito pela minha filha, quando bem pequena.)


Na minha memória há também histórias gostosas de minha filha. São fatos que nos acompanharão pela vida toda, que serão contados quando a família inteira se reunir na sala da casa de minha mãe, em Santa Rita, para passar a vida a limpo.
Ela aprendeu a falar ainda muito novinha, acho que de tanto escutar a mãe, que fala demais. Às vezes trocava algumas sílabas e nos divertia muito.
Falava: _Mamãe, deixa eu tocar a pancainha?(campainha)
_ Quero calçar minha tampufa. (pantufa)
_ Papai, o senhor me potrege? (protege).
Uma das estórias inesquecíveis foi com a palavra desligar.
_ Mamãe, dilisga a luz.
_ Filhinha, não é dilisga. É des-li-ga.
_ Dilisga a luz, mamãe.
_ Vamos, filha. Repete com a mamãe: des-li-ga.
_ Di-lis-ga.
_ Não, filha. Des-li-ga. Repete. Des-li-ga.
_ Mamãe, apague a luz e pronto!

Pessoas - Hélio do ataque



Sou do tempo em que se usava fazer “footing” na praça. As meninas ficavam dando voltas, geralmente em grupo de três, pelo lado mais interno da praça e os rapazes pelo lado externo, em sentido contrário. Era assim: as mulheres na mão e os homens na contramão. Quando se cruzavam, lançavam olhares apaixonados, o coração disparava e o rosto corava.

No coreto, havia um serviço de som para enviar músicas, tipo correio elegante musical. Muitas vezes o locutor dizia:

_ Alguém oferece a alguém, só esse alguém sabe quem.

E tocava uma música da moda, que todas nós gostávamos e cada uma ficava se achando a recebedora da homenagem tão especial.

Nesse tempo tão bom, havia um rapaz chamado por todos de “Hélio do ataque”. Era um rapaz com algum problema de cabeça. Os meninos davam algum dinheiro para ele e indicavam as vítimas que deveriam sofrer o ataque. Ele se aproximava, dava um grito apavorante, sacudindo as mãos e fazendo caretas. Eram garotas correndo desesperadas para todos os lados e os meninos dando gostosas risadas. Também fui, várias vezes, alvo dessa brincadeira desagradável.

Um dia, não corri e resolvi contra-atacar. Quando o Hélio deu seu ataque costumeiro, olhei bem para ele, emiti um grito estridente, balancei as mãos desordenadamente e fiz mil caretas. Ele ficou sem reação.

Depois disso, nunca mais ele aceitou dar susto em mim. Mas a minha maior vitória foi, nesse dia, ter conseguido preservar o salto do meu primeiro sapato de mocinha.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aprendi a ler com Os Três Porquinhos, um livro que a gente recebia a conta-gotas, página por página, o que me dava uma raiva danada. Achava aquilo uma judiação com as crianças. Queria ler a história toda de uma só vez. Na verdade, eu já sabia ler quando entrei no Grupo Escolar “Sanico Telles”, meu bisavô. A escola era novinha em folha e eu ficava danada da vida quando minhas irmãs (que estudavam na Escola Normal Oficial Sinhá Moreira - quer nome mais pomposo?) a chamavam de grupinho de lata. Era 1964 e foram feitos muitos iguais a ele pelo país. Era de lata por fora e de Eucatex por dentro. Um verdadeiro forninho de assar criança, mas como eu tinha orgulho dele.
A meninada nem dava conta de que era um tempo sombrio. Para nós o que importava era a merenda doada pela Aliança para o Progresso. Dona Francisca (que saudade) conseguia transformar o fubá, o trigo e outros ingredientes em sopas de sabores inesquecíveis. Minha merenda (de menina, filha de pai funcionário público com sete filhos) acompanhava o cardápio dela. As segundas, quartas e sextas – pão com manteiga para acompanhar a caneca de leite fumegante. Terças e quintas – pão com goiabada ou doce de leite feito em casa que era comido como sobremesa depois do prato de sopa.
Mas tomei gosto mesmo pela leitura quando foi adotado o livro “As mais belas histórias” de Lúcia Casasanta. Viajei muito por aquelas páginas, convivi com príncipes e princesas e principalmente me diverti a valer com as histórias e poemas engraçados (Menino Luxento, João Felpudo, João Jiló, etc.). Quem não fica com saudades?

Historinhas - Caderno de receitas

Caderno de receitas

Como eram lindos os cadernos de receitas de antigamente... O de minha madrinha Tita (Cilencina Telles) era objeto de admiração e desejo. Grosso, de capa dura com as receitas escritas em letras bordadas, com caneta tinteiro. É verdade que tinha, aqui e acolá, uns respingos de massa ou de gema de ovo, mas isso era sinal de uso e de mais quitutes saindo do forno para o café da tarde.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Santa Rita é notícia - Vamos torcer !!!

Escola Estadual de Santa Rita do Sapucaí é finalista do Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar

A Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, é uma das seis escolas no país finalistas que concorrem ao Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar – Destaque Brasil (ano base 2008). A informação foi divulgada na tarde de ontem (20), pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O objetivo do prêmio é estimular e apoiar o desenvolvimento de uma cultura de auto-avaliação escolar, assim como incentivar o processo de melhoria contínua das escolas.

Hoje é dia de festa na escola, segundo a diretora Mônica Flores de Carvalho Ribeiro. “Toda a comunidade escolar se reuniu no pátio da escola para comemorar e as crianças choraram de emoção. Até soltamos foguetes”, disse. Para ela, os fatores que mais contribuíram foram a gestão compartilhada e o comprometimento de toda a equipe.
A escola conta com 1230 alunos do Ensino Fundamental e participa de vários projetos da Secretaria de Estado de Educação, como o Escola de Tempo Integral, projeto que tem como objetivo elevar a qualidade do ensino, ampliar a área de conhecimento do aluno, reduzir a possibilidade de reprovação e promover o atendimento do aluno com defasagem de aprendizagem, visando a ampliação do universo de experiências artísticas, culturais e esportivas, com extensão do tempo de permanência do aluno no ambiente escolar. E participa também dos projetos Escola Referência, Formação Inicial para o Trabalho (FIT), Projeto de Desenvolvimento Profissional (PDP) e conta com Grupos de Desenvolvimento Profissionais do Programa Educacional de Atenção ao Jovem (GDPeas).
“Todos os nossos alunos com idade até oito anos já sabem ler”, orgulha-se. Além de integrar diversos projetos, a escola tem o apoio de várias instituições no município, como a Escola Técnica de Eletrônica de Santa Rita do Sapuicaí (ETE).
Premiação – A escola referência nacional em gestão escolar – Destaque Brasil – será conhecida no dia 11 de novembro em solenidade que acontece durante o Seminário de Gestão Escolar, em Brasília. O Jornal Futura Especial do Canal Futura vai transmitir a votação ao vivo.
Nesta 10ª edição, a novidade fica por conta da escolha do Coordenador Estadual Destaque, que ganhará uma viagem de intercâmbio para os Estados Unidos, oferecida pela Embaixada Americana. O nome do vencedor será divulgado ainda neste mês de agosto.Os diretores dessas escolas são contemplados com o diploma Liderança em Gestão Escolar e recebem como prêmio a participação em viagem de intercâmbio no Brasil e/ou no exterior. Dentre essas escolas, a que for selecionada para o primeiro lugar recebe o prêmio de R$ 10 mil, concedido pela Fundação Roberto Marinho e também o diploma Destaque Brasil.
O Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar é uma iniciativa do Consed, em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Fundação Roberto Marinho, e conta com o apoio da Embaixada Americana, Movimento Brasil Competitivo, Gerdau e Todos pela Educação.
Também são finalistas: Escola Luíza Batista de Souza (Rio Branco, Acre); Escola Estadual Dom Bosco (Lucas do Rio Verde, Mato Grosso); Escola Estadual Professora Ada Teixeira dos Santos Pereira (Campo Grande, Mato Grosso do Sul); Escola Tomé Francisco da Silva (Quixada, Pernambuco); e Escola Estadual Joca Costa (Dianópolis, Tocantins).
(Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Consed)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Nidia Tellesembranças



(Casa do meu bisavô Sanico e minha bisavó Quininha. Já foi salão de beleza e agora é pensão, mas tenho certeza de que, à noite, por todos os cômodos ainda ecoa o barulhinho dos chinelos de minha bisa.)
Lembranças

Estou velha...
Gosto de coisas antigas que me lembram a infância.
Do cheiro de doce fervendo no tacho na casa na avó;
Das dálias, hortênsias, suspiros e rosas
plantadas no jardim da memória.
Do gosto da fruta colhida na hora...
Não tenho mais nada disso,
Nem as pessoas, nem os lugares.
Mas que bom!!!
(Eram tão firmes e fortes,
que eu não consigo esquecer.)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Fernando Pessoaa aldeia


O rio da minha aldeia

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Fernando Pessoa - Alberto Caeiro
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