quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pátria Minas - Olhos d´água

Serviço - Proibida a venda de aparelhos elétricos com plugue antigo

Proibida a venda de aparelhos elétricos com plugue antigo

A partir de amanhã, aparelhos elétricos com tomadas fora do padrão estabelecido pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) não poderão ser comercializados. Lojistas flagrados oferecendo esses produtos poderão ser multados em até R$ 1,5 milhão.
A padronização das tomadas foi determinada pelo órgão em 2000, quando começou o prazo para que os fabricantes se adequassem.
"Até então não havia nenhuma regra, e cada fabricante usava o plugue que bem entendesse. O índice de acidentes, principalmente choques elétricos e incêndios, era muito alto", diz Alfredo Lobo, diretor da Qualidade do Inmetro.
Segundo o órgão, havia mais de 12 tipos de plugues e 8 tipos de tomadas diferentes. A partir de amanhã, só poderão ser vendidos plugues de dois tipos --com dois ou três pinos, conforme a necessidade de isolamento elétrico do aparelho-- e com pinos de duas espessuras distintas --4 ou 4,8 milímetros de diâmetro, conforme o aparelho opere com até 10 ampères ou entre 10 e 20 ampères, respectivamente.
"A fiscalização é feita pelo Ipem [Instituto de Pesos e Medidas] em cada Estado. Há cerca de 700 profissionais em ação", diz Lobo.

Clique na imagem para ver em tamanho grande.
Folhapress

PREÇOS CAEM 6%

A regra entrou em vigor primeiro para os fabricantes, e hoje é raro encontrar produtos fora da especificação, afirma Lobo.
Segundo o Inmetro, 741.464 tomadas foram fiscalizadas neste ano e 27.840 (3,75%) estavam irregulares. Dos 404.325 plugues fiscalizados, 7.634 (1,89%) também estavam fora do padrão. "Até 6% [de irregulares] é aceitável internacionalmente", diz.
Segundo Lobo, ao restringir a variedade de tomadas, a indústria reduziu os preços em 6%, em média, em relação aos de 2008.
Desde 2006, as novas construções de moradia só recebem o "Habite-se" se tiverem o novo padrão. Moradias anteriores a 2006 não serão fiscalizadas, mas o Inmetro recomenda trocar as tomadas. "Isso aumenta a segurança do morador."
Também é possível usar adaptadores, que foram certificados e não representam perigo.
Segundo o diretor, só há incompatibilidade entre os plugues novos e as tomadas antigas em cerca de 20% dos casos.
(Fonte: Fábio Grellet – Folha de São Paulo em 30/06/2011)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fragmentos - "Ovelhas Negras "

"Desde então, mesmo quando chove ou o céu tem nuvens, sabem sempre quando a lua é cheia. E quando míngua e some, sabem que se renova e cresce e torna a ser cheia outra vez e assim por todos os séculos e séculos porque é assim que é e sempre foi e será, se Deus quiser e os anjos disserem Amém.
E dizem, vão dizer, estão dizendo, já disseram!” (Caio Fernando Abreu em “Ovelhas Negras”)

Gostei... - Frio no sul de Minas

Fico imaginando o frio que deve estar fazendo na santa terrinha. Me lembra infância...

Na vitrola aqui de casa - Hallelujah

Amor também é...

“Dormir de conchinha”, todo dia, com quem a gente gosta. Quer coisa melhor?

Zenzando na rede

Bão dimais - Nhoque da Sorte

Nhoque da Sorte

Cada vez mais os brasileiros, particularmente paulistanos, procuram restaurantes de cozinha italiana, todo dia 29, em busca de nhoque. Acreditam ter sorte por 30 dias seguidos ao saborear o prato neste dia.
Os adeptos do “Nhoque da Sorte” informam que ele surgiu na Itália, terra natal do prato; os incrédulos afirmam que nasceu na América do Sul, como estratégia de restaurantes que precisavam aumentar a clientela. A origem do costume é explicada com uma lenda que possui variações.
Uma das histórias conta que um frade andarilho (São Pantaleão ou São Genaro), perambulava por um vilarejo na Itália, num dia 29 de dezembro. Com fome, bateu à porta de uma casa e pediu um prato de comida.
Um casal de idosos o recebeu com desconfiança, mas mesmo assim o convidou para sentar-se à mesa. Como eram pobres e os tempos eram difíceis, eles só tinham para comer: nhoque. Mesmo assim dividiram o alimento com o Santo: sete nhoques para cada um.
O andarilho comeu, agradeceu por ter sido recebido por eles e se foi.
Para grande surpresa, ao desfazer a mesa, o casal encontrou sob os pratos, moedas de ouro.
A partir daí, tornou-se tradição: todo dia 29 deve-se comer nhoque para atrair fortuna. Não se esqueça de colocar uma nota de qualquer valor sob o prato. Tempos atrás era recomendado o dólar. Hoje pode ser dólar, real ou qualquer outra moeda estrangeira.
Em seguida fique de pé e concentre-se para iniciar o ritual.
No prato, separe sete nhoques e coma um a um.
Para cada nhoque faça um pedido diferente ou 7 vezes o mesmo pedido que tanto deseja. Depois se sente e saboreie o restante do prato.
O dinheiro colocado sob o prato deve ficar guardado em sua carteira ou faça um patuá até o próximo dia 29, para garantir a fartura.
Outros dizem que deve ser doado a alguém que necessite.
Fica a critério de cada um, desde que faça o ritual com bastante fé.

Nhoque de Espinafre ao Molho de Ricota

Ingredientes: Molho: 1 cebola * 3 dentes de alho * 400 gramas de ricota fresca * 1 litro de creme de leite fresco * 100 gramas de parmesão ralado * 1 pitada de noz-moscada ralada * sal * pimenta * salsa picada a gosto
Nhoque: 1,5 quilos de batata * 30 gramas de manteiga * 2 maços de espinafre * 3 ovos * 200 gramas de parmesão ralado * 50 gramas de semolina * 30 gramas de maisena * 300 gramas de farinha de trigo * sal * pimenta a gosto
Modo de fazer: Molho: Passe a ricota em uma peneira e reserve. Refogue o alho e a cebola e adicione metade do creme de leite fresco. Bata no liquidificador a ricota com a outra metade do creme de leite fresco. Adicione à panela com a primeira metade do creme de leite. Tempere com sal, pimenta, salsinha, noz-moscada e parmesão.
Nhoque: Cozinhe a batata em água com sal. Esprema-a e adicione a manteiga. Reserve. Bata rapidamente o espinafre previamente cozido (retire o excesso de água) com os ovos. Adicione à batata. Adicione os secos (parmesão, semolina, maisena e farinha de trigo) e o sal e a pimenta, a gosto. Faça bolinhas de aproximadamente 2 cm e cozinhe em água salgada. Quando a massa boiar, vá escorrendo e colocando em uma travessa ou no prato. Sirva com o molho.
(receita do restaurante paulistano Villa Cioè)

Nhoque clássico

Ingredientes: 1quilo de batata * 1 pitada de noz-moscada ralada na hora * 150 gramas de farinha de trigo, mais um pouco para polvilhar * 2 ovos * sal * pimenta-do-reino a gosto
Modo de fazer: Coloque as batatas com casca em uma panela, cubra com água fria e tampe. Quando ferver, diminua o fogo e deixe as batatas por 20 minutos, até que estejam completamente cozidas. Escorra.
Descasque as batatas enquanto ainda estiverem mornas e passe-as no espremedor, fazendo uma massa leve e macia. Coloque em uma tigela grande, junte a noz-moscada e tempere. Acrescente 150 g de farinha peneirada, junte os ovos e misture delicadamente, mas rápido, com os dedos até adquirir uma consistência grumosa de casca de pão.
Amasse com cuidado sobre uma superfície limpa e forme uma massa suave e maleável. Acrescente farinha se a mistura estiver muito úmida. Cuidado para não trabalhar demais a massa, para que o nhoque não perca a leveza.
Divida a massa em três pedaços e faça rolos da largura de um dedo. Corte em pedaços de 2,5 cm com uma faca afiada. Passe para uma assadeira forrada com farinha e deixe descansar por 10-20 minutos.
Encha uma panela grande com água salgada e deixe ferver. Coloque os nhoques e deixe cozinhar por 3-4 minutos, até subirem à superfície. Retire com uma escumadeira e escorra. Sirva imediatamente com o molho de sua preferência.
(Receita do livro: 200 Receitas de Massas Deliciosas)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Fernando Pessoa

O meu olhar é nítido como um girassol


O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
( Pensar é estar doente dos olhos )
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
(Fernando Pessoa – Alberto Caieiro)

Minas são muitas - Santana do Deserto

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Santana do Deserto

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Santana (Foto do Miguel)

Região: Zona da Mata
Padroeira: Nossa Senhora de Santana
Festa da Padroeira: 26 de Julho

Localização


História

O início da povoação data de 1853, tendo o capitão Cândido Pereira da Fonseca desmembrado da fazenda Santana, de sua propriedade, cinco alqueires de terra necessários à construção da igreja, que tem como padroeira Nossa Senhora de Santana. A baronesa de Juiz de Fora fez doações à igreja para o seu patrimônio e doou um prédio para a escola pública.
Nessa época, as terras que hoje constituem o Município de Santana do Deserto, já eram ocupadas por fazendeiros, que oriundos de terras vizinhas, dedicavam à cultura de café e criação de gado bovino. A necessidade de novas terras para o cultivo de café e para o pastoreio do gado levaram para a região muitos agricultores e criadores, que antes de meros aventureiros, eram prósperos ruralistas de outras terras.
Duas importantes fazendas situavam na região: a Fazenda de Santana e a Fazenda do Deserto. Formado o Distrito, a princípio, com terras das duas fazendas, dando origem ao topônimo de Santana do Deserto.
O território de Santana do Deserto integrava, com várias outras localidades, o município de Juiz de Fora, até o ano de 1923, quando passa a distrito de Matias Barbosa. Em 12 de dezembro de 1953, emancipa-se deste.

Datas Históricas

1889 – Criado o distrito com a denominação de Santana do Deserto, subordinado ao município de Juiz de Fora.
1923 - O distrito é transferido do município de Juiz de Fora para o novo município de Matias Barbosa.
1953 - Elevado à categoria de município com a denominação de Santana do Deserto, desmembrado de Matias Barbosa.

O município

Santana do Deserto é um município do estado de Minas Gerais. Sua população em 2010 era de 3.860 habitantes, ocupando uma área de 182,65 km².
Do apogeu com a Cultura Cafeeira, até os dias de hoje, temos um longo processo.
Após ter vivido um período áureo durante o século XIX com a cultura do café, razão das inúmeras e belíssimas sedes de fazendas encontradas no município, atravessou um período de ostracismo econômico. O fim do ciclo do café, em decorrência do desaparecimento da mão de obra escrava e do desgaste do solo, acarretou o abandono das grandes fazendas do Vale do Paraíba. A partir do final da década de 80, com a abertura de rodovias e a facilidade de acesso a partir de centros urbanos importantes como o Rio de Janeiro e Juiz de Fora, o município volta a ser centro de interesse para o desenvolvimento do turismo rural, local de veraneio e o desenvolvimento de atividade pecuária de elite, notadamente gado Brahman.
Com um potencial considerável para o desenvolvimento do eco-turismo contando com fazendas do ciclo do café do século XlX, reservas vegetais que conservam espécies nativas da Mata Atlântica, além de cachoeiras visitáveis que compõem o sistema hídrico podendo portanto, servir como um refúgio do caos das grandes cidades. Além disso, a cidade faz parte da rota do caminho novo da estrada real.
Atividades como malharia, plantio e beneficiamento do maracujá para produção de sucos, farinha, polpa, pecuária, além do comércio e hospedagem contribuem para a economia do Município.
(Fontes: IBGE, ALMG)

Pátria Minas - Jeito Mineirin

terça-feira, 28 de junho de 2011

Serviço - Três cidades do Sul de Minas registram temperaturas negativas na madrugada

Três cidades do Sul de Minas registram temperaturas negativas na madrugada

Minas Gerais enfrenta frio várias regiões por causa de uma massa de ar que veio do Sul do Brasil e atingiu o estado. De acordo com o meteorologista Heriberto dos Anjos, do Centro de Climatologia da PUC Minas, três cidade mineiras registraram temperaturas negativas na madruga desta terça-feira, sendo que no distrito de Monte Verde, no Sul, os termômetros marcaram até 3.1 graus negativos. Na mesma região, Caldas registrou 1.3 negativos e Maria da Fé enfrentou 2.6 negativos.
Ainda segundo o meteorologista, a massa de ar fica no estado até quinta-feira, dia em que as temperaturas devem começar a subir.
De acordo com Heriberto dos Anjos, no Sul de Minas um nevoeiro tomou conta das cidades. Muita geada e neblina incomodaram moradores no início da manhã. A Serra da Mantiqueira registrou baixas temperaturas, seguindo a lógica das serras gaúchas durante o inverno.
(Fonte: Luana Cruz – Estado de Minas em 28/06/2011)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Gostei... - Morador de BH resiste à especulação imobiliária e cultiva mudas para doação

Morador de BH resiste à especulação imobiliária e cultiva mudas para doação

Bem que parece ter saído das telas do cinema, mais precisamente de UP – Altas aventuras, a história do advogado aposentado Ernani Façanha di Latella, morador do Bairro Anchieta, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Assim como o simpático protagonista da animação da Disney/Pixar, o paraense de 84 anos resiste bravamente, há tempos, à especulação imobiliária. Tudo para manter de pé a casa, erguida com o próprio suor nos anos 1960. “Daqui, só saio morto. Para o céu ou para o outro lugar. Quem vai saber?”, brinca.
A pressão é grande e a moradia de Ernani já está sufocada por edifícios no quarteirão da Rua Grajaú. “Chegaram a comprar a casa ao lado, mas precisavam da minha para o tamanho do prédio que pretendiam levantar. Não vendi. Não vendo. Então, eles tiveram que passar o imóvel”, conta, com orgulho. Mas não é só pela brava resistência que o descendente de italianos é assunto no bairro. Di Latella não só impede que novo arranha-céu desponte em seu lote como ainda, há seis meses, distribui, de graça, mudas de árvores e flores.
O versinho, em placa improvisada, fica à vista dos passantes: “Mudas, jardim e pomar. É sua. Pode levar.” Desde o fim do ano passado, Ernani cultiva mudas para doação. Um ritual de felicidade: passa as tardes trabalhando em pequeno vasos recortados, feitos de caixas vazias, potes de margarina e garrafas de plástico, para, na manhã seguinte, deixá-los sobre o muro que divide o lote da rua. “O pessoal pega. E quando não tem, eles tocam a campainha e pedem. Vem gente até de outras regiões da cidade. Já estão ficando acostumados”, conta, feliz com resultado da boa ação.
As mudas são, em grande maioria, de árvores frutíferas e de flores. No pequeno quintal, de poucos metros quadrados, há limão-capeta, graviola, pêssego, jabuticaba, acerola, manacá, beijinho, camarão (amarelo e vermelho), orquídea, antúrio e samambaia. Há até quem encomende. “Acabei de terminar aquele vaso de beijinhos. Uma senhora pediu que eu preparasse um buquê. Faço isso pelo prazer de ajudar. Gosto de fazer com que as pessoas tenham plantas em casa.”
Ernani fala com tristeza das árvores que não dão mais frutos por causa das sombras dos prédios. Especialmente, os pés de graviola e de figo. “O figo tive que arrancar. O espaço é pouco, tenho que aproveitá-lo da melhor maneira”. Dono de pedacinho do mundo, o jardineiro discorre com consciência sobre a importância da preservação da natureza. Mostra-se indignado com a devastação das matas: “Estão acabando com o planeta. O desmatamento na Amazônia é uma vergonha. E por que não tomam providências? Porque há muita gente se beneficiando disso. É uma roubalheira sem fim neste país. É corrupção para todos os lados”. Di Latella, advogado, se diz decepcionado com a Justiça, com as brechas e descumprimentos das leis. “É triste dizer isso, mas, neste país, os desonestos sempre levam vantagem.”
(Fonte: Jefferson da Fonseca Coutinho – Estado de Minas em 27/06/2011)
Blog: Ninguém vive sem um pouco de poesia...E cada um escreve poemas a sua maneira.

Persona - Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 - Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967)

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - João Cabral de Melo Neto

Os Três Mal-Amados


Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
(João Cabral de Melo Neto – As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados")

João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre. Passa a infância em engenhos de açúcar.
Em 1930, muda-se com a família para Recife.
Foi na Associação Comercial de Pernambuco, em 1937, que obteve seu primeiro emprego, tendo depois trabalhado no Departamento de Estatística do Estado.
Em 1940 viaja com a família para o Rio de Janeiro, onde conhece Murilo Mendes. Esse o apresenta a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de Jorge de Lima.
1942 marca a publicação de seu primeiro livro, Pedra do Sono. É aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público), no Rio de Janeiro. Freqüenta, então, os intelectuais que se reuniam no Café Amarelinho e Café Vermelhinho, no Centro do Rio de Janeiro. Publica Os três mal-amados na Revista do Brasil.
O engenheiro é publicado em 1945, em edição custeada por Augusto Frederico Schmidt. Faz concurso para a carreira diplomática, para a qual é nomeado em dezembro. Começa a trabalhar em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais.
É removido, em 1947, para o Consulado Geral em Barcelona, como vice-cônsul. Adquire uma pequena tipografia artesanal, com a qual publica livros de poetas brasileiros e espanhóis. Nessa prensa manual imprime Psicologia da composição.
Removido para o Consulado Geral em Londres, em 1950, publica O cão sem plumas. Dois anos depois retorna ao Brasil para responder por inquérito onde é acusado de subversão. Escreve o livro O rio, em 1953, com o qual recebe o Prêmio José de Anchieta do IV Centenário de São Paulo (em 1954). É colocado em disponibilidade pelo Itamaraty, sem rendimentos, enquanto responde ao inquérito, período em que trabalha como secretário de redação do Jornal A Vanguarda, dirigido por Joel Silveira. Arquivado o inquérito policial, a pedido do promotor público, vai para Pernambuco com a família. Lá, é recebido em sessão solene pela Câmara Municipal do Recife.
Em 1954 é convidado a participar do Congresso Internacional de Escritores, em São Paulo. Participa também do Congresso Brasileiro de Poesia, reunido na mesma época. A Editora Orfeu publica seus Poemas Reunidos. Reintegrado à carreira diplomática pelo Supremo Tribunal Federal, passa a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty.
A Editora José Olympio publica, em 1956, Duas águas, volume que reúne seus livros anteriores e os inéditos: Morte e vida severina, Paisagens com figuras e Uma faca só lâmina.Removido para Barcelona, como cônsul adjunto, vai com a missão de fazer pesquisas históricas no Arquivo das Índias de Sevilha, onde passa a residir.
Em 1958 é removido para o Consulado Geral em Marselha. Publica em Lisboa seu livro Quaderna, em 1960. É removido para Madri, como primeiro secretário da embaixada. Publica, em Madri, Dois parlamentos.
Em 1961 é nomeado chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Romero Cabral da Costa, e passa a residir em Brasília. Com o fim do governo Jânio Quadros, poucos meses depois, é removido outra vez para a embaixada em Madri. A Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica Terceira feira, livro que reúne Quaderna, Dois parlamentos, ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: Serial.
Com a mudança do consulado brasileiro de Cádiz para Sevilha, João Cabral muda-se para essa cidade, onde reside pela segunda vez. Continuando seu vai-e-vem pelo mundo, em 1964 é removido como conselheiro para a Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra.
Como ministro conselheiro, em 1966, muda-se para Berna. O Teatro da Universidade Católica de São Paulo produz o auto Morte e Vida Severina, com música de Chico Buarque de Holanda, primeiro encenado em várias cidades brasileiras e depois na França e Portugal. Publica A educação pela pedra.
1967 marca sua volta a Barcelona, como cônsul geral. No ano seguinte é publicada a primeira edição de Poesias completas. É eleito, em 15 de agosto de 1968, para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Assis Chateaubriand.
Toma posse na Academia em 06 de maio de 1969. A Companhia Paulo Autran encena Morte e vida severina em diversas cidades do Brasil. É removido para a embaixada de Assunção, no Paraguai, como ministro conselheiro.
Após três anos em Assunção, é nomeado embaixador em Dacar, no Senegal, cargo que exerce cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry.
Em 1975, publica Museu de Tudo.
Em 1976 é nomeado embaixador em Quito, Equador e publica A escola das facas.
Em 1981, vai para Honduras, como embaixador. Publica a antologia Poesia crítica.
Em 1982, vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Publica Auto do frade, escrito em Tegucigalpa.
Em 1985, publica os poemas de Agrestes. Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A indesejada das gentes"). Sua esposa, Stella Maria, falece no Rio de Janeiro. João Cabral reassume o Consulado Geral no Porto. Casa-se em segundas núpcias com a poeta Marly de Oliveira.
Em 1987 publica Crime na Calle Relator, poemas narrativos. É removido para o Rio de Janeiro.
Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia Poemas pernambucanos. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: Museu de tudo e depois.
Aposenta-se como embaixador em 1990 e publica Sevilha andando. A Faculdade Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro publica Primeiros Poemas.
João Cabral era atormentado por uma dor de cabeça que não o deixava de forma alguma. Ao saber, anos atrás, que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos, o poeta anunciou que ia parar de escrever. Já em 1990, com a finalidade de ajudá-lo a vencer os males físicos e a depressão, Marly, sua segunda esposa, passa a escrever alguns textos tidos como de autoria do biografado. Conforme declarações de amigos, escreveu o discurso de agradecimento feito pelo autor ao receber o Prêmio Luis de Camões, considerado o mais importante prêmio concedido a escritores da língua portuguesa, entre outros. Foi a forma encontrada para tentar tirá-lo do estado depressivo em que se encontrava. Como não admirava a música, o autor foi perdendo também a vontade de falar ("Não tenho muito o que dizer", argumentava). Era, sem dúvida, o nosso mais forte concorrente ao prêmio Nobel, com diversas indicações dos mais variados segmentos de nossa sociedade.
(Fonte: http://www.releituras.com)

domingo, 26 de junho de 2011

Amor também é...

Curtir o feriado com a família, sem fazer nada. Bom demais...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Na vitrola aqui de casa - Baioque

Um Chico diferente...

Dica de leitura - Chico Buarque - Análise poético-musical

Chico Buarque - Análise poético-musical

"Este livro foi escrito tendo como base algumas palestras feitas por mim sobre a obra de Chico Buarque, o compositor. Confesso que reescrevi o livro tantas vezes quantas foram as minhas perplexidades ao tentar investigar a obra e o artista. Cada vez que me detinha a analisar uma letra de música sua, mais riqueza descobria, mais detalhes sutis encontrava. Como a incrível capacidade de colocar em cada sentença, em cada frase, em cada contexto o que Flaubert chamava de le mot juste (a palavra certa)" - do autor Gilberto de Carvalho
Blog: Já li e reli esse livro inúmeras vezes. É um bom começo para “entender” o mestre Chico.

Minas são muitas - Miradouro

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Miradouro

Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia (Foto do Miguel)

Região: Zona da Mata
Padroeira: Santa Rita de Cássia
Festa da Padroeira: 22 de Maio

Localização


História

Região primitivamente habitada pelos índios Puris, por volta dos séculos XVIII e XIX, a região foi sendo desbravada com vistas à sua demarcação e povoamento.
Através do Brigadeiro Bacelar, enviado do Governo Provincial, que surge a história desse município. O primitivo nome, não só da região como do próprio município, foi Glória. Quanto à escolha do topônimo, registra a tradição que teria ele surgido da exclamação do brigadeiro Barcelar que, em viagem oficial, ao atingir as margens do rio Guarus, extasiado pela amplidão dos horizontes e riquezas da vegetação, só teria manifestado: - “Isto aqui é uma verdadeira glória”. Sem precisar a data em que tal episódio teria ocorrido, pode-se apenas informar que até então o rio chamava-se Guarus, denominação dos índios semicatequizados que habitavam a região.
Já no início do Século XIX, começa a povoação com o surgimento de fazendas de criação de gado e plantação de café, instaladas por famílias vindas da região das minas.
Assim como ocorreu na maioria dos municípios brasileiros, as primeiras povoações ocorreram em torno de capelas. Em Miradouro, a doação de terras para a construção de uma capela em homenagem a Santa Rita de Cássia, fez com que surgisse o povoado com o nome da santa.
Esse povoado pertenceu ao Município do Pomba até 1839, depois passando a integrar o município de São João Batista do Presídio, hoje Visconde do Rio Branco, até 1855, quando passou a pertencer ao recém-criado Município de São Paulo do Muriaé.
Em 1891, o povoado de Santa Rita do Glória deixou de fazer parte do Distrito de Nossa Senhora da Glória (hoje Itamuri), sendo elevado à condição de Distrito.
Em 1938, o povoado foi elevado à categoria de cidade com o nome de Glória, lembrando o nome do rio Glória. O nome foi mudado para Miradouro em 1943, em razão da existência de uma elevação de onde se tem esplêndida vista.

Datas Históricas

1882 – Criado o distrito com a denominação de Santa Rita do Glória, subordinado ao município de São Paulo do Muriaé.
1938 - Elevado à categoria de município com a denominação de Glória, desmembrado de Muriaé.
1943 – O município de Glória tomou a denominação de Miradouro.

O município

Miradouro é um município do Estado de Minas Gerais. Sua população em 2010 era de 10.251 habitantes e uma área de 301,67 km².
O município produz café e milho em destaque, mas também feijão, arroz e cana, além de gado leiteiro, cuja produção é comercializada pela indústria de laticínio local.
(Fontes: IBGE, ALMG)

Serviço - Vai viajar? Verifique o carro.

Persona - Mary Streep

Mary Louise Streep (Summit, 22 de Junho de 1949)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Em poucas palavras - Mahatma Gandhi

"Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível." (Mahatma Gandhi)

Serviço - ProUni vai oferecer 92 mil bolsas de estudo para o segundo semestre de 2011

ProUni vai oferecer 92 mil bolsas de estudo para o segundo semestre de 2011

Para o segundo semestre de 2011, o Programa Universidade para Todos (ProUni) oferecerá 92 mil bolsas de estudo em instituições privadas a estudantes que concluíram o ensino médio em escolas públicas. As inscrições começaram dia 20 de Junho e seguem até sexta-feira, exclusivamente pela internet.
Do total de bolsas oferecidas, 46.970 são integrais e 45.137 parciais, que custeiam 50% da mensalidade. O benefício integral pode ser pleiteado por candidatos que tenham renda familiar per capita mensal de até 1,5 salário mínimo. Já as parciais destinam-se a estudantes com renda familiar per capita de até três salário mínimos.
Para participar do ProUni o estudante também precisa ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, ter atingido o mínimo de 400 pontos na média das cinco provas e não ter tirado zero na redação.
Ao inscrever-se, o candidato pode escolher até três opções de curso e instituições diferentes. A divulgação da lista dos pré-selecionados em primeira chamada está prevista para o dia 27 de junho. Os aprovados deverão comparecer às instituições de ensino para as quais foram selecionados até o dia 6 de julho, a fim de comprovar as informações prestadas durante as inscrições. Haverá ainda mais duas chamadas, nos dias 12 e 25 de julho, para preencher as vagas remanescentes. O cronograma completo e a lista das vagas disponíveis podem ser consultados no site do programa.
(Fonte: Agencia Brasil)

Você sabia? - Solstício de Inverno

Solstício de Inverno

Hoje, dia 21 de junho, às 03h46m (madrugada) tivemos o Solstício de Inverno no Hemisfério Sul e o Solstício de Verão para o Hemisfério Norte.
Neste dia 21 de junho tivemos a noite mais longa do ano. O Solstício de Inverno é exatamente aquele dia que é mais curto e a noite é mais longa no ano. A partir daí os dias começam novamente a ficar mais longos até se igualarem no Equinócio de Primavera, ou seja, noite e dia iguais.
Solstício de inverno é um fenômeno astronômico usado para marcar o início do inverno. Ocorre normalmente por volta do dia 21 de Junho, no hemisfério sul, quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador.
Há pessoas que pensam que no Inverno o nosso planeta fica mais distante do Sol ou que o nosso hemisfério fica mais afastado. Isto não é verdade. A causa das estações do ano, Primavera, Verão, Outono e Inverno e o fato de serem diferentes em cada hemisfério, está relacionada ao eixo inclinado da Terra em relação ao plano da eclíptica e sua órbita ao redor do Sol.
A Terra translada em torno do Sol em uma órbita plana quase circular, com período definindo o ano. Enquanto isso ela vai girando em torno de si mesma, originando os dias.
O eixo de rotação da Terra possui uma inclinação constante e sempre na mesma direção de 23,5º em relação ao plano de sua órbita expondo hemisférios diferentes a diferentes incidências de raios solares. Não fosse por esta inclinação, não haveria estações do ano. O Equador seria a região que receberia a luz do sol em intensidade máxima durante o ano todo. A inclinação faz com que a cada seis meses um hemisfério esteja voltado para o Sol.
Essas posições da Terra em relação ao Sol são conhecidas como Solstícios: Solstício de Verão para o hemisfério voltado para o Sol; Solstício de Inverno para o hemisfério voltado contra o Sol.
Solstício é o momento em que o Sol, visto da Terra, se encontra o mais distante possível do equador celeste (23,5o para o norte ou para o sul); o que corresponde ao instante em que um hemisfério está o mais voltado possível para o Sol.
Entre os Solstícios, temos posições intermediárias, conhecidas como equinócios, onde os dois hemisférios estão simetricamente dispostos em relação ao Sol: Equinócio de Primavera e Equinócio de Outono. São os pontos onde a noite e o dia têm a mesma duração.
Esta data era de grande importância para diversas culturas antigas que a associavam simbolicamente a aspectos como o nascimento ou renascimento. As celebrações no Solstício de Inverno marcavam o retorno da luz, no sentido real e simbólico, já que os dias ficariam mais longos.

Figura obtida no Physical Geography

A imagem da esquerda se refere à posição de um Equinócio, ou seja, os dois hemisférios recebem a luz solar da mesma maneira, com ângulos iguais para as mesmas latitudes ao norte e ao sul do equador. A imagem da direita mostra como é o Solstício de Verão no hemisfério norte e o Solstício de Inverno no hemisfério sul.

Na vitrola aqui de casa - Everybody´s talkin´

Persona - Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de Junho de 1839 - Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 1908)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Zenzando na rede

Amor também é...

A família toda comendo brigadeiro de colher, na cama, debaixo das cobertas. Saboreando...

De onde vem? - Pé-rapado

Pé-rapado

Os dicionários esclarecem que o substantivo pé-rapado se trata de um brasileirismo cujo significado é o de indivíduo pobretão, de condição humilde, mas também dão a ele, por extensão, o sentido de pessoa sem caráter, de más qualidades, crápula e vagabundo. No entanto, a origem dessa expressão pode ser explicada de algumas formas diferentes: na primeira, a suposição é de que tenha sido criada na segunda metade do século 17 porque o poeta baiano Gregório de Matos Guerra (1633-1696) a utilizou em versos dirigidos a Anica, mulata por quem ele se interessava para determinados fins, e que lhe pedira dinheiro para comprar sapatos:
Se tens o cruzado, Anica, / manda tirar os sapatos, / e se não, lembre-te o tempo, / que andaste de pé rapado.
A segunda versão está ligada à Guerra dos Mascates, conflito surgido entre as vilas de Olinda e Recife, em Pernambuco, nos começos do século 18 (1710), provocado pelas desavenças e divergências de opiniões e interesses entre a aristocracia pernambucana que demonstrava aversão aos estrangeiros (nativismo), e os portugueses, na sua maioria comerciantes, aos quais os primeiros chamavam desdenhosamente de mascates. O conflito começou quando Recife foi elevada a vila, e o governador da colônia pernambucana, Sebastião de Castro Caldas, que se posicionara ao lado dos comerciantes, começou a proceder as delimitações com Olinda. Houve protestos que redundaram em prisões, o governador acabou sendo ferido por disparo de arma de fogo e por isso proibiu o seu uso pela população, e a consequência desse desencontro foi o início do motim em 5 de novembro daquele ano, cujo final só viria a acontecer em 1714. Durante o transcurso dessa revolta, os portugueses passaram a tratar seus adversários pelo apelido de pé-rapado porque, segundo o folclorista Luis da Câmara Cascudo, "os que compunham as tropas da aristocracia rural combatiam sem sapatos, ao contrário da cavalaria, arma nobre de gente de botas".
Já o professor Deonísio da Silva, em “De Onde Vem as Palavras II”, opina que “no Brasil colonial, pés-rapados eram os trabalhadores que produziam riqueza nas lavouras e nas minas. Com seu trabalho, o rei português dom João V (1689-1750) enchia as burras monárquicas de ouro e diamantes vindos do Brasil. Gastou fortunas em doações a ordens religiosas e foi gigantesco o esbanjamento que garantiu a vida luxuosa da corte, a ponto de o seu reino tornar-se a maior nação importadora europeia. Mas erigiu também museus, hospitais e a Casa da Moeda, além de providenciar a canalização do rio Tejo. Tudo pago pelos pés-rapados brasileiros”.
Já Reinaldo Pimenta, em “A Casa da Mãe Joana”, explica que “pé-rapado é o João Ninguém que nem sapato tem”. Depois de muito caminhar descalço, ele rapa (ra-par, no caso, é o mesmo que raspar) o pé com uma faca para retirar o grosso da sujeira, já que de nada adianta lavar o que, em seguida, vai se sujar.
(Fonte: Fernando Kitzinger Dannemann)

Minas são muitas - Barroso

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Barroso

Igreja Matriz de Santana (Foto do Miguel)

Região: Campo das Vertentes
Padroeira: Santana
Festa da Padroeira: 26 de Julho

Localização


História

A história do município de Barroso remonta ao século XVIII e está diretamente ligada aos viajantes e desbravadores da região, que percorriam a área em busca de ouro.
Segundo consta, o mais antigo proprietário do que veio a ser o arraial Barroso foi o alferes Joaquim Barroso, que possuía um sítio próximo à antiga Rua da Mina.
A região era ponto de passagem a Tiradentes e São João del-Rei e o alferes Joaquim Barroso oferecia “pouso” aos viajantes que iam às áreas mineradoras à procura de ouro. Viajantes e tropeiros, diziam fazer pouso no "Barroso" ou no "Sítio do Alferes", nascendo daí o nome Barroso que acabou servindo para denominar o município desde seus primórdios até os dias de hoje.
Posteriormente, o terreno do Barroso foi adquirido por Antônio da Costa Nogueira, responsável pela construção da primeira capela de Sant'Ana do Barroso, freguesia da Borda do Campo, por volta de 1729. Em torno dessa capela, elevada a freguesia em 1874, cresceu a povoação. O distrito de Barroso, criado no século XIX, pertenceu sucessivamente, aos municípios de Barbacena, Prados e Tiradentes. Em 1938, com a emancipação de Dores de Campos, o município de Barroso passou a integrar este novo município.
Em torno da capela cresceu a povoação, em 1843 era ali fundada a primeira associação religiosa, dedicada à Nossa Senhora do Rosário.
Até 1920 predominou a fisionomia agrária da comunidade. A partir de então, a extração e o beneficiamento da cal tomou notável incremento. Pouco depois eram instaladas no município duas grandes cerâmicas. O início da atividade industrial repercutiu também na economia tradicional, com o aparecimento de duas fábricas de laticínios e uma serraria.
No dia 12 de dezembro de 1953, após articulações políticas de representantes do município de Barroso, a localidade transformou-se em Município, emancipando-se de Dores de Campos. No dia 1º de janeiro de 1954 foi instalado o município e a Comissão de Emancipação erigiu um obelisco na Praça Gustavo Meireles, como marco da histórica data. O monumento, construído em cimento armado e medalhões de bronze, é a homenagem de gratidão aos componentes da Comissão Emancipadora.
A partir das décadas de 1950, 60 e 70, com o advento da indústria de cimento no município, o município observou um expressivo crescimento, atraindo pessoas de diversas áreas a Barroso, que buscavam oportunidades de emprego. O município passou a ter então, um perfil majoritariamente industrial.

Datas Históricas

1870 – Criado o distrito criado com a denominação de Barroso, subordinado ao município de Tiradentes.
1938 – O distrito de Barroso deixa de pertencer ao município de Tiradentes para ser anexado ao município de Dores de Campos.
1953 - Elevado à categoria de município com a denominação de Barroso e desmembrado de Dores de Campos.

O município

Barroso é um município do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo realizado pelo em 2010, sua população é de 19.599 habitantes e tem uma área de 82,07 km².
A localização de Barroso é estratégica; próxima dos corredores de exportação de Santos, Vitória e Rio de Janeiro.
Atrativos naturais: existem vários atrativos naturais em Barroso, cachoeiras, matas, cânions, trilhas, caminhos, rios e lagos de beleza inestimável.
Entre as cachoeiras estão a da Laginha, de incrível beleza em suas águas e no caminho até ela. A cachoeira do Padeiro, a mais alta das quedas do município, de água fria e limpa se encontra entre a mata do Morro da Telha de onde um lindo por do sol pode ser observado.
Nas lavouras, o destaque é para o milho e feijão. Outra atividade bem desenvolvida em Barroso é o artesanato. O município conta com uma cooperativa com mais de 40 artesãos, além de outros particulares, que participam de feiras e trabalhos de qualificação profissional.
Beneficiamento de minerais é a principal atividade econômica, em que sobressai grande fábrica de cimento, que abastece a região e outros Estados, juntamente com indústrias de artefatos de cimento e mineração de quartzo, cerâmica, entre outras.
Nos dias atuais, o desenvolvimento da atividade turística vem se fortalecendo como uma numa nova alternativa à dependência de Barroso da indústria do cimento. Projetos relacionados ao turismo ecológico e de aventura e esportes radicais são atualmente apostas do município que visam não só ao desenvolvimento econômico como também a uma maior qualidade de vida para os cidadãos barrosenses.
(Fontes: http://barrosominas.blogspot.com, Pref. Municipal de Barroso, IBGE, ALMG)

Gostei... - Casal de Vespasiano comemora 80 anos de casamento

Casal de Vespasiano comemora 80 anos de casamento

Familiares destacam respeito como o alicerce do casamento

(Maria Tereza Correira – Estado de Minas)

Oitenta anos de casamento com amor, companheirismo, amizade e respeito. São oito décadas também de convivência diária, dormindo e acordando juntos para formar uma família com 11 filhos, 32 netos, 28 bisnetos e uma trineta. Este mês, o casal José Lopes do Couto, de 101 anos, e Maria Cândida de Jesus, de 96, comemora bodas de carvalho – árvore símbolo da força e que resiste bravamente aos ventos e às intempéries das montanhas. A data foi celebrada dia 11, véspera do Dia dos Namorados, quando os dois reuniram toda a prole no sítio em que vivem, em Vespasiano, na Grande BH, para renovar os votos de afeto e felicidade feitos em junho de 1931.
Mas a paixão que une o casal é ainda mais antiga que os 80 anos de casamento. A história de amor à primeira vista começou em 1928, quando os dois se encontraram à beira de um lago, numa fazenda em Dores do Indaiá, na Região Centro-Oeste de Minas. Na época com 13 anos, Candinha, como Maria Cândida é carinhosamente chamada, lavava roupas com amigas e irmãs quando foi vista pelo boiadeiro José do Couto, então com 18 anos, que cavalgava no local. “Ela usava um lindo vestido amarelo, com a cintura bem marcada, e não me esqueço do cabelo preto, que descia escorrido pelas costas. Naquela hora pensei: essa menina vai ser minha”, relembra ele, com brilhos nos olhos e um sorriso fácil estampado no rosto.
No dia seguinte ao encontro, José do Couto criou coragem, arreou novamente o cavalo e voltou à fazenda para pedir a moça em namoro. Depois de muita conversa, os pais de Candinha aceitaram o genro, mas ela conta que não deram moleza. “Minha família quis conhecer a dele pessoalmente antes de assumirmos o compromisso. A gente namorava, mas não podia nem pegar na mão um do outro. Só podíamos nos olhar, porque se ele me tocasse levava um tiro do meu pai.” Tanta rigidez não impediu que o amor e a cumplicidade conquistassem espaço no coração dos dois jovens.
Em 10 de junho de 1931, eles se casaram na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, em Dores do Indaiá, e uma comitiva com mais de 100 cavaleiros acompanhou os noivos da igreja à fazenda dos pais de Candinha, onde a festança animou a noite. “Ela estava bonita de fazer chorar. O cabelo preso num coque e um vestido de luxo. Meu terno foi feito por um alfaiate de Bom Despacho e enviado para Dores de trem. Como a encomenda chegou em cima da hora, não tive tempo nem de tomar banho antes do casamento. Vesti aquela roupa chique mesmo com o corpo todo suado e empoeirado da estrada de terra, porque não podia me atrasar para o casamento”, conta José do Couto.
Dois anos mais tarde, eles adotaram a primeira filha, Conceição. E, em junho de 1939, depois de uma complicada gravidez, nasceu Elza. Os outros nove filhos vieram ao longo das décadas de 1940 e 1950 e as dificuldades financeiras obrigaram José do Couto a deixar a vida de boiadeiro e mudar de profissão. Como seleiro – fabricante de selas e arreios para cavalos –, ele se mudou com a família para Belo Horizonte, onde a mulher se fixou também como costureira e doceira. Dos duros tempos da fazenda em Dores do Indaiá até a vida mansa e pacata de hoje no sítio de Vespasiano são quase 30 mil dias de convivência e muitas histórias construídas juntos. As mãos enrugadas e os rostos marcados pelo passar impiedoso do tempo são testemunhas de uma vida difícil, mas muito feliz e orgulhosamente compartilhada com os 72 descendentes.

União sustentada pela paciência

Qual o segredo para tantos anos de convivência e felicidades juntos? A resposta de Maria Cândida se resume numa única frase: “Amor e muita paciência.” Já José do Couto, bem mais falante que a mulher, garante que “a união do casal se sustenta com o amor espiritual, porque o carnal não segura ninguém”. Os filhos do casal aplaudem o sentimentalismo dos pais, mas lembram que a história de amor deles sempre foi muito bem apimentada também pelos prazeres físicos.
“Eles tiveram uma vida sexual muito ativa. Sempre contam que faziam amor todos os dias e, até hoje, quando os surpreendemos à noite no quarto, já debaixo dos cobertores, eles estão sempre abraçados, de mãos dadas e fazendo carinhos. Eles vivem apaixonados até hoje. Acho que são eternos namorados que ainda sentem ciúmes, discutem a relação e estão sempre cuidando um do outro”, conta, emocionada, a filha Maria de Lourdes Couto Rocha, de 69 anos, que prepara agora um livro sobre as bodas de carvalho dos pais.
Nas páginas cuidadosamente escritas por Lourdes não há de faltar espaço para o que os filhos entendem como o verdadeiro “alicerce” do casal: o respeito. Segundo os filhos, José do Couto e Candinha têm personalidades e estilos de vida muito diferentes – quase antagônicos –, mas nunca se impuseram ou tentaram mudar o outro. “Meu pai é um aventureiro, que gosta de curtir a vida com uma boa pinga e um carteado. Já minha mãe sempre foi pé no chão e responsável. Apesar das diferenças, eles se respeitam e se completam”, afirma a filha Lêda Maria Couto Silva, de 65.
(Fonte: Glória Tupinambás – Estado de Minas em 20/06/2011

domingo, 19 de junho de 2011

Persona - Chico Buarque

Francisco (Chico) Buarque de Hollanda (Rio de Janeiro, 19 de Junho de 1944)

sábado, 18 de junho de 2011

Persona - Maria Bethânia

Maria Bethânia Viana Teles Veloso, (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 18 de Junho de 1946)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Minas são muitas - Cataguases

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Cataguases

Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia (Foto do Miguel)

Região: Zona da Mata
Padroeira: Santa Rita de Cássia
Festa da Padroeira: 22 de Maio

Localização


História

Consta que em 1809 ou 1810, vários padres atraídos pelas notícias da existência de diamantes no local, aportaram no Rio Pomba em um ponto que passou então a ser chamado de 'Porto dos Diamantes". Em consequência, ali se formou um pequeno núcleo populacional, constituído por alguns brancos e várias aldeias de índios coroados, carapós e puris.
No ano de 1828, mais precisamente em 26 de maio, o francês Guido Tomaz Marlière, Coronel comandante das divisões militares do Rio Doce e diretor dos Índios e Inspetor da Estrada de Minas aos Campos de Goitacazes, chegou a esse lugar onde viviam alguns habitantes e estava aquartelada a 3ª Divisão Militar. Alguns moradores, entre eles o sargento de ordenanças Henrique José de Azevedo, alferes comandante desta região, fez a Marlière a doação de um terreno, com a finalidade de erguer uma capela consagrada a Santa Rita de Cássia, conforme mandava as exigências eclesiásticas para a construção de templo religioso.
O novo povoado se formou rapidamente, tendo seu nome mudado para Meia Pataca, e, no começo, era frequentado, por um ajuntamento de garimpeiros e caçadores, além de eventuais tropeiros.
Em 1851, o povoado é elevado à categoria de freguesia de Santa Rita do Meia Pataca e anexado à freguesia de São Januário de Ubá. Em 1854, seus domínios são transferidos para o município de Leopoldina. Nessa época, veio ali se estabelecer com a família, em um latifúndio de 3.000 alqueires, o Major Joaquim Viera da Silva Pinto, um dos patriarcas da cidade, que funda a Fazenda do Glória.
Com a inauguração, ao final da década de 1870, do ramal da Estrada de Ferro Leopoldina, inaugura-se um período de prosperidade para a região. Os vagões substituíram as antigas tropas de mulas e a comunidade passou a sofrer influência direta da cultura litorânea. Os trilhos da Estrada de Ferro provocaram uma verdadeira revolução na economia cafeeira.
Meia Pataca é elevada à vila com o nome de Cataguases, em 1875. A nova denominação foi sugerida pelo Cel. José Vieira de Resende, porque sempre se lembrava do rio Cataguases que banhava as terras da fazenda onde nascera no município de Prados. O vocábulo cataguases é indígena, sendo a tradução mais aceita a de Diogo de Vasconcelos que significa "Gente Boa".
A instalação do município se fez em 1877, dando início ao desenvolvimento da cidade.
O declínio do setor cafeeiro em Cataguases alterou o aspecto da cidade transformada em uma frente manufatureira. È criada a CFTC, Companhia Força e Luz Cataguazes - Leopoldina.
Em 1905, dá-se o início da construção do edifício da fábrica de tecidos e, um ano após, inaugurava-se as instalações com 20 teares importados da Inglaterra, com produção mensal de cerca de 15 mil metros de tecido.
Em 1911, a empresa têxtil muda de controle acionário, passando a se chamar "M. Ignácio Peixoto", sob o comando do imigrante português Manuel Ignácio Peixoto, que direcionou a aplicação de capitais vinculados à agricultura para o setor industrial, permitindo a Cataguases o seu desenvolvimento naquele momento.

Origem do Nome

Quanto ao outro topônimo, “Meia Pataca”, afirma-se que, por volta de 1800, vários aventureiros, explorando a região Sudeste de Minas, acharam um “rio”, do qual extraíram meia pataca de ouro, dando ao curso d’água a denominação que, mais tarde, foi também adotada para a povoação erguida em sua margem.
A denominação Cataguases causa controvérsias quanto ao verdadeiro sentido: uns alegam ser o nome escolhido por José Vieira em homenagem ao riacho que banhava a fazenda do Bom Retiro, onde ele passara sua meninice, antes de vir para o latifúndio do Meia Pataca.
O vocábulo “Cataguases” é indígena e sua tradução mais aceita é “Gente Boa”, sendo sua forma original “catu-auá”. Há também a tradução por “terra das lagoas tortas” e “povo que mora no país das matas”. O que é certo, no entanto, é que o vocábulo servia, originalmente, para denominar uma tribo indígena que vivia na região. Todo o sertão aurífero foi, de começo, denominado sertão dos Catu-auá, ou como dizem os brancos, Cataguases, nome que se generalizou para todo o sertão ao norte da Mantiqueira.

Datas Históricas

1851 – Criado o distrito, com a denominação de Santa Rita de Meia Pataca.
1875 - Santa Rita de Meia Pataca é elevado à categoria de vila com a denominação de Cataguazes, desmembrado dos municípios de Leopoldina, Muriaé (ex-São Paulo do Muriaé) e Ubá.
1881 - Elevada à categoria de cidade com a denominação de Cataguazes.
1938 - Elevado á categoria de município.
1948 – O município de Cataguazes teve sua grafia alterada para Cataguases.

O município

Cataguases é um município do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo realizado de 2010, sua população é de 69.757 habitantes e está situado em área de 491,76 km2.
Sua atividade econômica está situada, fundamentalmente, no setor industrial e no campo produz arroz, milho e feijão, atuando ainda na pecuária leiteira e avicultura.
Terra de muitas tradições culturais, principalmente literárias, lá nasceu o famoso cineasta Humberto Mauro, sendo conhecida como berço do cinema brasileiro. Outra marca é a famosa Revista Verde, que foi presença forte na Literatura dos primeiros anos do Modernismo.
Cataguases esteve à frente no Movimento Moderno de arquitetura na década de 1940, que levou à cidade diversos arquitetos e artistas modernos para desenhar uma nova estética e consequente mentalidade para a cidade. Importantes nomes como Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx deixaram seus traços na cidade.
Atualmente, Cataguases mantém o perfil de cidade do cinema realizando anualmente o Festival Ver e Fazer Filmes, que conta com a participação de produtores convidados de várias partes do país e até do exterior para a produção e exibição de curtas.
(Fontes: http://www.cataguasesviva.com, http://www.cataguases.com.br,
IBGE, ALMG)

Truques e quebra-galhos - 19 formas de usar o bicarbonato de sódio como aliado na faxina

19 formas de usar o bicarbonato de sódio como aliado na faxina

Ele é conhecido como ingrediente que deixa o bolo mais fofinho. Mas o bicarbonato de sódio também pode ser um forte aliado na faxina. Serve para limpar o fogão, tirar odores da geladeiras e comida do fundo da panela. São 19 utilidades que este pó branco milagroso tem. O Organize a sua vida (OZ!) preparou uma lista de dicas de uso doméstico do bicarbonato.
1 - Remoção de odores da geladeira ou freezer: utilize uma colher de sopa de bicarbonato de sódio para meio litro de água morna. Utilizando um pano, limpe as paredes e prateleiras. Em geladeiras sem frost-free, espere o degelo para fazer a limpeza. Depois, passe outro pano para secar. O mesmo processo pode ser feito com embalagens de plástico.
2 - Limpador de uso geral: Este preparado caseiro pode substituir a maioria dos limpadores comerciais
1 colher de sopa de bórax
1 colher de sopa de bicarbonato de sódio
2 colheres de sopa de vinagre ou suco de limão
1 colher de sopa de detergente lava-louças
2 xícaras de água quente
Misture e guarde em uma bisnaga ou frasco pulverizador
Cuidado: não deixe de usar luvas de borracha quando trabalhar com esta mistura.
3 - Limpeza de potes, panelas e utensílios de cozinha: Limpe graxa e alimentos incrustados em assadeiras umedecendo-as com água quente e borrifando bicarbonato de sódio. Deixe descansar por uma hora e esfregue com uma esponja. Para soltar alimentos assados ou ressecados de panelas, ferva água e bicarbonato de sódio em fogo baixo nas panelas. Quando o alimento se soltar, deixe a panela esfriar e limpe-a.
4 - Remoção de manchas de panela antiaderente: Ferva 1 xícara de água, 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e 1/2 xícara de alvejante na panela por vários minutos. Lave a panela como de costume.
5 - Remoção de manchas de queimado: Cubra as manchas em assadeiras de biscoitos com bicarbonato de sódio ou com água quente e deixe por 10 minutos. Em seguida, limpe a assadeira com bicarbonato de sódio e uma esponja dupla face.
6 - Limpeza de utensílios de aço inox: Eles podem ser limpos com bicarbonato dissolvido em água ou borrifado diretamente em uma esponja ou pano de limpeza. Basta esfregar a superfície. Depois enxágue-a e esfregue-a suavemente com camurça para secar.
7 - Limpeza de pisos: Limpe pisos cerâmicos com 1/2 xícara de bicarbonato de sódio em um balde de água morna. Use um esfregão com a solução e depois enxágue o piso. Remova marcas pretas de salto de sapato sobre pisos de linóleo ou vinil com uma esponja dupla face umedecida e mergulhada em bicarbonato de sódio.
8 - Limpeza de forno: Para uma limpeza completa, deixe 1 xícara de amoníaco em um forno frio e fechado durante a noite para soltar a sujeira. Pela manhã, limpe o amoníaco. Depois, limpe as superfícies com bicarbonato de sódio.
9 - Manchas de café e chá: Para limpar chaleiras e filtros de cafeteiras, encha com água, adicione 2 ou 3 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e ferva por um período de 10 a 15 minutos. Depois que o utensílio esfriar, esfregue e enxágue-o completamente. Mergulhe uma esponja umedecida em bicarbonato de sódio e esfregue as manchas de café e chá das xícaras. Manchas difíceis podem requerer também um pouco de sal.
Para remover manchas de ferrugem em chaleiras, encha a chaleira de água e adicione 2 colheres (de sopa) de bicarbonato de sódio e suco de meio limão. Ferva a solução em fogo baixo por 15 minutos e depois enxágue a chaleira.
10 - Removedor de gordura: Use esta solução caseira para eliminar depósitos de gordura de fornos, painéis traseiros de pias ou superfícies esmaltadas polidas.
1/4 de xícara de bicarbonato de sódio
1/2 xícara de vinagre branco
1 xícara de amoníaco
3,5 litros de água quente.
Cuidado: sempre use luvas de borracha e trabalhe em uma área bem ventilada.
11 - Prevenção e eliminação de entupimentos: Para evitar entupimentos, despeje periodicamente 1/2 xícara de bicarbonato de sódio no ralo de sua pia, seguido de água quente. O bicarbonato de sódio e o vinagre formarão uma espuma que limpará o dreno e ajudará a evitar entupimentos. Use 1/2 xícara de bicarbonato de sódio, seguido de 1 xícara de vinagre. Quando a espuma diminuir, enxágue o dreno com água quente.
12 - Refrigeradores e freezers: Uma caixa aberta de bicarbonato de sódio no refrigerador absorve odores por até três meses. O mesmo é válido para freezers.
13 - Esfregue a tábua de carne de madeira com bicarbonato de sódio para remover odores. Reduza o odor de latas de lixo borrifando bicarbonato cada vez que adicionar lixo. Lave e desodorize periodicamente as latas de lixo com uma solução de 1 xícara de bicarbonato de sódio para cada 3,5 litros de água.
14 - Carpetes: para retirar o mau cheiro de carpetes e tapetes, basta pulverizar bicarbonato e aspirar em seguida.
15 - Retirar mofo: utilize solução de água e bicarbonato para limpar superfícies mofadas. Quanto mais frágil for a superfície, utilize menos bicarbonato na mistura.
16 - Lavar roupa: adicione uma colher de sopa de bicarbonato de sódio com o sabão em pó na hora de lavar roupas brancas. O produto ajuda a tirar as manchas.
17 - Latas de lixo: para retirar a sujeira de latas de lixo, basta deixar a solução de água com bicarbonato por alguns minutos.
18 - Limpeza de esponjas e panos de limpeza: deixe panos de limpeza e esponjas mergulhados em solução de água com bicarbonato de sódio durante a noite.
19 - Outros truques práticos: Borrife bicarbonato de sódio em uma esponja umedecida e esfregue frutas e vegetais para remover sujeira, cera ou resíduos de pesticida. Enxágue a comida muito bem.
(Fonte: O Globo em 04/06/2011)

Aviso aos navegantes - Chico Buarque

Página com imagens raras e todas as gravações realizadas por Chico Buarque será lançada hoje com exposição e show

No endereço eletrônico de seu "maestro soberano" ( www.jobim.org ) é possível, a partir de hoje, passear por vida e obra de Chico Buarque. O acervo do compositor vem sendo digitalizado desde 2009 pelo Instituto Antonio Carlos Jobim, que lança o trabalho em sua sede, dentro do Jardim Botânico, com a abertura de uma exposição (às 19h) e um show de Miúcha, irmã de Chico, e Paulo Jobim, filho de Tom (às 20h30m).
A página de Chico não exclui seu site oficial , mas procura ir além. Nos 35.712 itens do banco de dados estão as cerca de 600 faixas que constituem a discografia do artista. Elas poderão ser ouvidas. E, na seção Música, num conjunto de 7.916 documentos, estarão também disponíveis as letras do compositor (manuscritas e impressas) e partituras.

Cadernos infantis

A iconografia tem 1.044 itens, incluindo raras fotos, como as dele quando criança e de pessoas de sua família. Quem clicar em Textos terá acesso a um vasto material: 26.152 peças, desde reportagens de todas as fases de sua carreira e roteiros para trabalhos em cinema e teatro até curiosidades como os seus cadernos infantis - entre eles os das histórias em quadrinhos "Chico-Mirim", que desenhava nos tempos de escola.
- Muito do acervo vem do material que o Zeca Buarque, sobrinho de Chico, reuniu para a exposição na Biblioteca Nacional (em 2004, para marcar os 60 anos do artista). E uma tia de Chico tinha muito material de imprensa - conta Paulo Jobim, que dirige o instituto que leva o nome do pai.
Dois setores do acervo ainda não estão abertos para o público em geral: os vídeos, porque dependem de autorizações, e as correspondências, por precaução.
- Não acho que tenha alguma carta cabulosa. E, antes de o material ser enviado para nós, já deve ter havido uma seleção. Mas cartas são coisas pessoais, e sempre pode ter alguém que se incomode com alguma palavra - diz Paulo Jobim, explicando que quem for à sede do instituto poderá requerer uma senha para ter acesso a cartas e vídeos.
O site de Chico, realizado com R$ 200 mil dados pela Vale via lei Rouanet, integra um portal onde já estão os acervos de Tom Jobim - que será reformado -, de Dorival Caymmi e do arquiteto Lúcio Costa. Os próximos, atualmente em processo de digitalização dos acervos, serão Gilberto Gil e Milton Nascimento. E Paulo Jobim também sonha com Edu Lobo e Vinicius de Moraes. A obra deste foi tema de um dos cancioneiros (volumes de partituras, também com textos e fotos) publicados pelo instituto - os outros foram de Tom e Chico.
Parcerias dos dois, como "Eu te amo" e "Sabiá", estão no repertório de hoje, na parte em que Paulo Jobim tocará com seu quarteto. Miúcha interpretará outras de Chico ao lado de seus músicos, e haverá momentos em comum.
Com curadoria de Elianne Jobim, também filha de Tom, design de Elianne e Renata Ratto e arquitetura de Andres Neumann, a exposição, que ficará três meses em cartaz (de terça-feira a domingo, das 10h às 17h), é uma amostra do que há no site, com fotos ampliadas e um grande painel cronológico da vida do artista.
O lançamento do acervo esquenta a expectativa pelo novo CD de Chico, que chegará às lojas em 20 de julho. Na próxima segunda-feira começa a pré-venda do disco no site www.chicobastidores.com.br. Quem comprar terá acesso a vídeos com detalhes das gravações e clipes das músicas. No momento em Paris, Chico não deve dar entrevistas para divulgar o trabalho, lançado pela Biscoito Fino.
(Fonte: Luíz Fernando Vianna – O Globo em 17/06/2011)

Gostei... -Livro reúne as dedicatórias em verso que Carlos Drummond de Andrade fazia para os amigos

Livro reúne as dedicatórias em verso que Carlos Drummond de Andrade fazia para os amigos

Além de notável poeta, o mineiro Carlos Drummond de Andrade também foi um exímio arquivista. Por anos, compilou de forma meticulosa e quase compulsiva todas as dedicatórias que fez - em versos, é claro - para amigos, familiares, crianças ou meros conhecidos. Cumpria a tarefa de registro histórico de sua própria escrita com um rigor surpreendente. Não deixava de fora de seus caderninhos de espiral metálica da marca De Luxe nem mesmo um simples desejo de boas festas


Em dezembro do ano passado, os três cadernos de Drummond que há anos jaziam intactos no acervo literário da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio, caíram nas mãos do poeta Eucanaã Ferraz e, neste fim de semana, chegam às livrarias de todo o país no livro "Versos de circunstância", editado pelo Instituto Moreira Salles (IMS).
Organizado por Eucanaã, que no prefácio afirma que Drummond tinha "uma consciência aguda do desaparecimento, da dispersão, mas também o sentimento de que a escrita pode ultrapassar a morte", o livro reúne quase 400 fac-símiles das páginas amareladas e sem pautas dos cadernos do poeta mineiro. São, no total, 295 poemas, 229 deles ainda inéditos.
"Caro Thiago de Mello, melo-/ dioso poeta, e cara Pomona:/ aqui vos deixo este magrelo/ fruto da lira quarentona", escreveu o modernista ao poeta amazonense e a sua esposa na década de 1950.
"Poeta magro, livro magrinho,/ sobrepairando os horizontes,/ ofertam seu melhor carinho/ ao bom casal de Martins Fontes", redigiu Drummond na mesma época, em dedicatória remetida à escritora Lygia Fagundes Telles e a seu marido, Goffredo.
Mas não só a celebridades se dirigia Drummond. Na coletânea de dedicatórias em versos, há também relatos mundanos como o agradecimento por um doce de amêndoa que lhe foi presenteado.
"Da vida os tristes fardos/ esqueço, ante as amêndoas,/ dom de Stella de Leonardos,/ tão doces. E, comendo-as,/ outra maior doçura/ vem-me à lembrança: aquela/ que impregna e transfigura/ a poesia de Stella".
Ao que parece, Drummond apreciava a iguaria.
- Quando encontramos os cadernos na Casa de Rui Barbosa, ficamos tão surpresos com a qualidade dos registros, sem muitos rabiscos nem grandes borrões, que achamos que não tínhamos o direito nem o dever de editar o material - conta Samuel Titan Junior, coordenador executivo-cultural do IMS. - Publicamos tudo exatamente como é. Parece até que Drummond deixou tudo lá, prontinho, quase que pedindo para que alguém descobrisse aquilo anos mais tarde e publicasse num livro.
A convite do IMS, Marcos Antonio de Moraes, professor de literatura da Universidade de São Paulo (USP), assina o texto de apresentação de "Versos de circunstância".
Conhecido por ter organizado o livro "Correspondência reunida", de Mário de Andrade, Moraes ressalta que as anotações do também modernista Carlos Drummond têm duas camadas de significação. A primeira espelha "gestos de cordialidade dentro da teia social" do escritor, e a segunda reflete um experimento típico dos modernistas: dessacralizar a poesia, permitindo que ela surja em ambientes até então pouco comuns, como era o caso das dedicatórias.
Em novembro do ano passado, o IMS assinou um contrato de comodato com a família de Drummond e recebeu o acervo pessoal do escritor. Desde então, submete a coleção - composta por livros, cartas, desenhos, fotos e crônicas - a um extenso inventário e a catalogação.
Enquanto o trabalho não rende os primeiros frutos, o instituto vem reunindo materiais relacionados ao poeta que, pelos mais diversos motivos, não entraram no acervo negociado.
Assim, nos últimos meses, lançou em edições fac-similares como a de agora edições dos livros "Alguma poesia - O livro em seu tempo" e "Uma pedra no meio do caminho - Biografia de um poema". "Versos circunstanciais" chega como o terceiro volume da linha Carlos Drummond de Andrade.
(Fonte: Cristina Tardáguila – O Globo em 17/06/2011)

Em poucas palavras - Martin Luther King

"Roubei" do Viver é Perigoso para vocês.

A covardia coloca a questão: 'É seguro?'
O comodismo coloca a questão: 'É popular?'
A etiqueta coloca a questão: 'É elegante?'
Mas a consciência coloca a questão: 'É correto?'
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta. (Martin Luther King)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pátria Minas - Acarmô???

Acarmô???

Numa estradinha, o mineiro dono de um alambique, com um fusca velho bate na traseira de uma BMW novinha em folha.
O dono da BMW sai do carro uma fera, em cima do mineiro, que então diz:
_Carma moço tudo se resorve....
_Resolve nada seu &*%$#@*&&*%¨!!!
_Carma...toma uma aqui que é da minha fazenda...e é da boa e o sinhô vai si acarmá...
O cara toma uma.
_Acarmô?
_Acalmei nada, seu &*%$#@*&&*%¨'
_Então toma mais uma...que vai se acarmá e meiorá....
E assim foi......... depois de uma meia dúzia o mineiro diz:
_Meiorô e 'Acarmô?
_'Sim...... agora sim!
_Intão agora nóis vamu sentá aqui i chamá a puliça pra fazê o tar du bafômetro i vê quem tá errado!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...