quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ninguém vive sem um pouco de poesia... - Manuel Bandeira

Retrato



(para Drummond)


O sorriso escasso,
o riso-sorriso,
a risada nunca.
(Como quem consigo
traz o sentimento 
do madrasto mundo.)

Com os braços colados 
ao longo do corpo,
vai pela cidade
grande e cafajeste,
com o mesmo ar esquivo
que escolheu nascendo
na esquiva Itabira.

Aprendeu com ela
os olhos metálicos
com que vê as coisas:
sem ódio, sem ênfase,
às vezes com náuseas.

Ferro de Itabira,
em cujos recessos
um vedor, um dia,
um vedor - o neto - 
descobriu infante
as fundas nascentes,
o veio, o remanso
da escusa ternura.
(Manuel Bandeira)

Um comentário:

  1. São mudas as neblinas nesta ilha
    É de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
    Oiço o mar com os meus próprios dedos
    Parti do desencontro dos meus derradeiros medos

    Parti e deixei no cais mil dúvidas
    Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
    Nesses dias bebi sofregamente a vida
    Nesses dias a minha alegria era incontida

    Um radioso domingo


    Doce beijo

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