quinta-feira, 9 de junho de 2011

Minas são muitas - Carangola

“Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” (Guimarães Rosa)

Carangola

Igreja Matriz de Santa Luzia (Foto do Miguel)

Região: Zona da Mata
Padroeira: Santa Luzia
Festa da Padroeira: 13 de Dezembro

Localização


História

A região do Rio Carangola fora palco de esporádicas incursões de aventureiros, extrativistas da poaia e faiscadores à época da mineração. As vertentes do rio eram, então, matas virgens, habitadas por índios puris. Assim, os Lanes, vindos da barra do Muriaé, familiarizaram-se com os puris que os auxiliavam no plantio dos cereais e na extração de poaia, indicando-lhes os lugares onde abundava a planta medicinal que era depois levada para Campos; em troca traziam viveres, roupa, o pouco indispensável a uma vida como a que passavam os primeiros habitantes da margem do Carangola.
A organização dos primeiros roçados aparece a partir de 1830. Três anos depois já havia no local um pequeno agrupamento - Arraial Novo. Nos anos quarenta, o número de roças já era expressivo. Dispunham-se, de modo intermitente, as construções modestas ao longo do rio. Também os tropeiros, antes raros, intensificaram as passagens por aqueles sítios rumo a Campos.
A colonização tardia se deve ao fato da região se situar nas chamadas "áreas proibidas" interditadas à penetração, visando coibir o contrabando de ouro no período colonial. A afluência à região se deve à procura de novas lavras auríferas. O Distrito da cidade de Carangola não teve um fundador, pois se constituiu numa obra de grandes fazendeiros que se estabeleceram nos arredores na década de 1840. Durante o período citado ocorreu a derrubada de grande parte da mata que cobria o atual perímetro urbano, situado na margem esquerda do rio Carangola. Os primitivos habitantes foram os índios da tribo Purís-Coroados, tangidos do litoral pela civilização e tribos hostís.
Em homenagem ao episódio da sublevação liberal mineira (combate de Santa Luzia, no Rio das Velhas), os habitantes de Arraial Novo mudaram o seu nome, em 1842, para Santa Luzia do Carangola.
Em 1859, foi decidida a construção de uma capela, tendo por padroeira Santa Luzia, destinada a ser a futura Igreja Matriz do lugar.
Como não foi encontrado ouro, os colonizadores foram forçados a optar pela agricultura, inicialmente a de subsistência e, pouco mais tarde, para a cultura cafeeira, introduzida na década de 50, que se tornou a base econômica de toda a região e fator de seu crescimento.
A elevação de preços internacionais e a geada em cafezais paulistas, entre os anos de 1868 e 1876, favoreceu largamente o desenvolvimento da lavoura, fato que permite o crescimento da cidade e as conseqüentes melhorias urbanas. Assim, em 1882, como afirmação de prosperidade, instalava-se a 1a. Câmara Municipal, desmembrada Santa Luzia do Carangola do município de Muriaé.
A abolição, nos anos seguintes, provocaria uma crise de mão-de-obra em todo o vale. As boas exportações de 1889 e 1890, efetuadas a preços altos, aumentaram a receita de divisas. Tem começo um esforço de promover o trabalho livre na região. Em 1887 uma lei provincial passava a estimular auxílio do Governo aos imigrantes. Vieram primeiro os italianos. No início deste século chegavam à comunidade carangolesa sírios, maronitas e libaneses.
A generalização do cultivo de café na região atraiu a ferrovia, devido ao volume considerável de produção. No auge do período produtivo a cidade chegou a exportar 100 mil sacas anuais. A produção cafeeira local teve sua primeira crise em 1907 devido às especificações previstas no Convênio de Taubaté, pois o tipo produzido na região não se enquadrava no mesmo.
Em 1931, outra crise do café interrompe o processo cultural da comunidade cafeeira de Carangola. Entretanto, a economia se estabilizaria, e nos anos seguintes Carangola afirmaria sua vocação agrícola.

Origem do nome

O topônimo local, "Carangola", provém do rio do mesmo nome, sendo que a denominação já constava nos mapas da Capitania de Minas Gerais datados de 1780, bem antes da presença do homem branco na região. Quanto ao seu significado existem mais de 10 versões imaginárias, conflitantes, não tendo sido encontrada, até hoje, de onde o cartógrafo obteve a denominação para o rio. Todas as referências existentes não conseguiram convencer os pesquisadores que se dedicam ao assunto.
Segundo corre, o nome de Carangola é devido ao fato de haver em abundância “carás” no meio do capim “angola” nas margens do rio. O cará, pelo o fato de estar misturado ao capim, foi chamado “cará-angola”. Depois se fundiram, pelo uso, as duas palavras. E o rio passou a ser chamado Carangola e depois a povoação, a cidade Carangola.

Datas Históricas

1842 - Os habitantes de Arraial Novo mudam seu nome para Santa Luzia do Carangola.
1859 - Os moradores constroêm uma capela.
1866 – Criado o distrito com a denominação de Santa Luzia do Carangola, subordinado ao município de São Paulo do Muriaé.
1878 - Elevado à categoria de vila, desmembrado de Muriaé (ex-São Paulo do Muriaé).
1881 - Elevado à condição de cidade com a denominação de Carangola.

O município

Carangola é um município do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo de 2010, sua população é de 32.296 habitantes e área de 353,40 km².
A base econômica de Carangola está assentada na agricultura e na pecuária, na cafeicultura e em prestações de serviços. Na indústria, destacam-se os laticínios para produção de leite e derivados.
Uma curiosidade local era o Jequitibá de Carangola que tinha cerca de 30 metros de altura e aproximadamente 1500 anos de existência, considerada a árvore mais antiga do Brasil.
Após um incêndio criminoso a árvore ardeu em chamas por onze dias. Ocorreu uma mobilização popular para salvar a gigantesca árvore. Bombeiros trabalharam sete dias para conter o fogo, que consumiu o interior do tronco, formando cratera dentro da qual a equipe da Polícia Florestal circulava facilmente e onde caberiam mais de dez pessoas. Apesar dos esforços da população, a gigantesca árvore não resistiu e morreu meses após o incêndio, no início de 2000.
(Fontes: http://www.asminasgerais.com.br, IBGE, ALMG)

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