quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As várias Canções do Exílio - 2 - Casimiro de Abreu

O sucesso alcançado pelo poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias tornou-se o grande paradigma do nacionalismo literário no Brasil. Vários poetas, posteriores a Gonçalves Dias, seguiram a mesma linha explicitando um olhar otimista e, ao mesmo tempo, saudoso sobre o país.
Casimiro de Abreu, contemporâneo de Gonçalves Dias, usa a mesma temática em alguns de seus poemas.
Em 1855, Casimiro de Abreu também escreveu uma canção do exílio:

Eu nasci além dos mares

Eu nasci além dos mares:
Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
― Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!

Oh! Que céu, que terra aquela,
Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas,
Não exalas,
Não exalas, meu Brasil!

Oh! Que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Que se mira,
Que se mira nos cristais!

Não amo a terra do exílio
Sou bom filho,
Quero a pátria, o meu país,
Quero a terra das mangueiras
E as palmeiras
E as palmeiras tão gentis!

Como a ave dos palmares
Pelos ares
Fugindo do caçador;
Eu vivo longe do ninho;
Sem carinho
Sem carinho e sem amor!

Debalde eu olho e procuro...
Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
Doce e terno,
Doce e terno para mim.

Distante do solo amado
― Desterrado ―
a vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
Quem me dera,
Quem me dera o meu país!
(Casimiro de Abreu)

Em outro poema, datado de 1856, Casimiro de Abreu usa como epígrafe os dois primeiros versos do poema de Gonçalves Dias, mostrando as qualidades que existem amplamente no Brasil por ser a “minha terra” e que não existem em qualquer outro lugar.

Minha Terra

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.
(Gonçalves Dias)

Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la minha rainha;

— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.

Correi pras bandas do sul:
Debaixo dum céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil;
— É uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de Abril.

Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal.
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada —
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.

Não, não tem, que Deus fadou-a
Dentre todas — a primeira:
Deu-lhe esses campos bordados,
Deu-lhe os leques das palmeiras.
E a borboleta que adeja.
Sobre as flores que ela beija.
Quando o vento rumoreja
Nas folhagens da mangueira.

É um país majestoso
Essa terra de Tupã,
Desd’o Amazonas ao Prata,
Do Rio Grande ao Pará!
— Tem serranias gigantes
E tem bosques verdejantes
Que repetem incessantes
Os cantos do sabiá.
(...)
(Casimiro de Abreu)

Em sua “Canção do Exílio” continua seguindo a mesma temática, apenas acrescentando ao poema uma referência à sua infância, à figura materna e substituindo “palmeiras” por “laranjeiras”.
Essa “Canção do Exílio” foi escrita em Lisboa, no ano de 1857. O poema soa como uma premonição de um desejo que na verdade se realizou, já que morreu aos 21 anos de idade, em terras brasileiras.

Canção do Exílio

Se eu tenho que morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já:
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando êste ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria não tem;
E este mundo não val um só de beijos
Tão doces de uma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já:
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!
(Casimiro de Abreu)

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